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sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Em discurso emocionado ao PT, Dilma prega unidade e maturidade política

A Presidente eleita Dilma Rousseff participou no final da manhã desta sexta-feira, 19, da primeira reunião do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) após a campanha eleitoral. Em um pronunciamento de aproximadamente 20 minutos, Dilma evitou falar de planos de governo, restringindo seu discurso a agradecimentos à militância petista, à exortação quanto à “maturidade política” do PT para entender a relação com os aliados e também aos desafios que são colocados ao governo e também ao Partido, sobretudo na área social, ao longo dos próximos anos.

Em tom emocionado, Dilma iniciou sua fala agradecendo o apoio que recebeu da militância ao longo de toda campanha. “Andei o país de Norte a Sul, de Leste a Oeste. Quando a gente é candidata e está sob pressão, isso é um verdadeiro abraço de mãe. Quando você desce do aeroporto, vê a camiseta [do PT]... Isso me comove”, declarou a Presidente eleita contendo o choro. Nesse mesmo tom, Dilma ainda destacou: “eu vi o PT vivo e atuante de Norte a Sul, Leste a Oeste. É para esse partido que eu apresento o meu reconhecimento, a minha gratidão e a certeza que eu dependo desse partido para bem governar o País. Dependo do esforço e da solidariedade de vocês, e da maturidade política para compreender os diversos desafios políticos”.

A Presidente eleita também aproveitou para destacar que o momento exige “maturidade política” do PT em relação aos aliados e à composição do novo governo. Neste sentido, Dilma declarou: “vou enfatizar a importância das alianças políticas, algo que fizemos de forma madura, com capacidade de conviver com a diferença, de entender que é possível ter posicionamentos diferenciados sobre algumas questões e construir o consenso político que vai mudar o nosso País. O PT foi aprendendo e teve maturidade para entender que o país era complexo, que tinha que se coligar, fazer aliança. Numa democracia, é assim que se deve governar”.

Dando sequência ao seu discurso, a Presidente eleita afirmou: “eu dependo da maturidade política para entender os complexos desafios do poder. Hoje somos mais experientes sobre as relações partido e governo, governo e movimentos sociais. Temos características diferentes. Cada um tem o seu papel. Mas isso não quer dizer que nós não temos um mesmo compromisso com o pais”. A exortação dada por Dilma vem após algumas queixas de lideranças petistas sobre o espaço que o partido terá no governo. Por isso, a Presidente eleita aproveitou a ocasião para pedir “unidade política” do PT.

Unidade e herança bendita
Dilma também voltou a reforçar que, passado o calor do confronto eleitoral, agora lhe cabe governar para todos, independentemente de coloração partidária: “a partir do momento em que ganhamos, vamos governar para aqueles que nos apoiaram e não nos apoiaram. O clima é de união e de compreensão, e o PT dará um exemplo de maturidade para a História nos próximos anos”, declarou a petista repetindo a linha adotada já no seu primeiro discurso como Presidente eleita, na noite do dia 31 de outubro.

Ao falar sobre a responsabilidade do seu governo, Dilma voltou a destacar a “herança bendita” que recebe do Presidente Lula, referindo-se às conquistas sociais desses últimos oito anos: “minha vantagem, quando olho para 2002, é que temos uma herança bendita. Essa herança nos coloca um desafio: nossas conquistas não podem se repetir, sob pena de não honrarmos o que construímos. Isso nos coloca a imposição de ir em frente, de aprofundar o que conquistamos. Esse projeto começou com Lula e teve toda uma experiência pessoal dele como líder sindical”.

Encerrando o seu discurso, Dilma destacou os desafios que virão pela frente e salientou o papel das mulheres: “nós temos uma herança e a trajetória de que é preciso não desistir. Nós estamos iniciando uma nova etapa e outras etapas ainda virão. Nós, mulheres, chegamos aqui. Eu acho que eu represento a luta de cada uma das militantes aqui presentes. Todas nós representamos milhões de mulheres brasileiras que progressivamente colocarão sua cara, brigando por um Brasil melhor”.

domingo, 14 de novembro de 2010

Como criar factóides: Folha omite informações dadas pela Petrobras para "fritar" ministeriável

É impressionante como a capacidade da Folha de São Paulo em criar factóides, transformando a realidade em uma “supra-realidade” existente somente dentro de suas redações, não conhece limites. Tanto na sua edição impressa quanto na edição online deste domingo, 14, a Folha trouxe uma matéria intitulada ”Petrobras tem 43 contratos com marido de ministeriável”, com o claro objetivo de associar a diretora de Gás e Energia da estatal, Maria das Graças Foster, nome cotado para o primeiro escalão do governo Dilma, a um esquema de favorecimento em que o beneficiado seria o seu marido.

De acordo com a reportagem da Folha, a empresa do marido de Graça, como é conhecida a diretora da Petrobras, “multiplicou os contratos com a Petrobras a partir de 2007, ano em que a engenheira ganhou cargo de direção na estatal”. O jornal prossegue dizendo que “nos últimos três anos, a C.Foster, de propriedade de Colin Vaughan Foster, assinou 42 contratos, sendo 20 sem licitação, para fornecer componentes eletrônicos para áreas de tecnologia, exploração e produção a diferentes unidades da estatal. Entre 2005 e 2007, apenas um processo de compra (sem licitação) havia sido feito com a empresa do marido de Graça, segundo a Petrobras”.

Quem lê a matéria fica exatamente com a impressão de que bastou Graça Foster assumir a diretoria de Gás e Energia da Petrobras para que a empresa de seu marido passasse a ser beneficiada em contratos com a estatal, dos quais quase a metade foi firmada sem licitação. Puro factóide. A reportagem feita pela Folha desconsidera uma série de informações relevantes que foram fornecidas pela estatal e que foram publicadas pelo Blog da Petrobras tão logo a estatal tomou conhecimento de mais esse factóide criado pela Folha.

Folha desconsidera informações dadas pela Petrobras
Passemos aos fatos. Para a elaboração da reportagem, a equipe da Folha enviou à Petrobras uma lista de sete perguntas, tratando exatamente da relação comercial entre a empresa do marido de Graça – a C.Foster – e a estatal. Contudo, ao elaborar a matéria, a Folha manipulou essas respostas, passando ao leitor informações incompletas e que inevitavelmente levariam a uma interpretação equivocada do seu conteúdo. Vejamos: na primeira questão, a Folha pede informações sobre o número de contratos feitos pela estatal com a C.Foster desde 2007, bem como o valor dos mesmos. A resposta da Petrobras foi a seguinte:

A Petrobras tem processos de pequenas compras realizados diretamente e descentralizados pelas unidades da Companhia. No caso concreto, as pequenas compras realizadas pelas áreas de Tecnologia de Informação e Telecomunicações – TIC, Serviços Compartilhados e Exploração e Produção, feitas no período de 2007 a 2010, totalizaram 42 processos de compras de componentes eletrônicos que somaram o valor de R$ 599 mil, sendo 20 processos realizados por dispensa de licitação em razão do valor ser abaixo de R$ 10 mil e os 22 restantes, por meio de processo licitatório, conforme estabelece o Decreto nº 2.745/98 e o Manual de Procedimentos Contratuais. Cumpre informar que a Petrobras tem inúmeros fornecedores de componentes eletrônicos, cujo volume anual de compras é de cerca de R$ 10 milhões”.

Percebam que na sua reportagem, a Folha omite que 1) as compras não foram realizadas pela diretoria de Gás e Energia (a qual pertence Graça) e sim por outras áreas da empresa; 2) os 20 contratos firmados sem licitação foram feitos dessa forma pelo valor deles ser inferior a R$ 10 mil; 3) o valor total dos contratos com a C.Foster é R$ 599 mil, o que corresponde a apenas 6% do volume anual de compras de componentes eletrônicos pela estatal (R$ 10 milhões). Em seguida, a Folha pergunta quantos desses contratos foram assinados por Graça, tendo como resposta da estatal “[Graça] não assinou nenhum processo de compra”.

Também foi perguntado pelo jornal qual foi a participação de Graça na contratação da C.Foster. Novamente, a estatal responde “nenhuma”. Naturalmente, essas informações também foram oportunamente omitidas da matéria publicada pela Folha de São Paulo. Perguntada pela Folha se existe algum tipo de para firmar contratos da Petrobras com empresas de diretores, a estatal foi bastante clara: “as normas legais que tratam da matéria estão contidas no Código de Conduta da Alta Administração Federal, no Código de Ética da Petrobras e no Decreto n° 7.203/2010. Todos estabelecem que seja vedada à autoridade pública a contratação direta sem licitação na área sob sua responsabilidade na empresa, cujo titular ou sócio guarde relação de parentesco. Portanto, os processos de compra objeto desta matéria, não foram realizados por qualquer área subordinada à Diretoria de Gás e Energia”.

As respostas da Petrobras deixam absolutamente claro que todos os 42 contratos feitos entre a estatal e a C.Foster, empresa do marido de Graça, ocorreram dentro da legalidade, não havendo qualquer esquema de favorecimento. Contudo, em sua reportagem online, a Folha omitiu uma série de informações que foram dadas pela Petrobras, provocando, dessa maneira, um equívoco bastante oportuno na leitura da matéria. Essa atitude da Folha só pode ter duas razões: 1) ou uma total inexperiência do jornalista responsável pela matéria; 2) ou uma manipulação premeditada das informações dadas pela estatal buscando, com isso, criar um factóide e desconstruir a imagem de Graça Foster, cujo nome vem sendo cotado para o primeiro escalão do governo Dilma.

O histórico da Folha faz com que fiquemos com a segunda opção. Afinal de contas, não seria a primeira vez que o jornal da família Frias manipula informações para criar factóides no sentido de “fritar” nomes ligados de alguma forma ao governo federal. A leitura das respostas dadas pela Petrobras deixa claro que houve uma má intenção da Folha na edição desta reportagem: caso contrário, o jornal não teria omitido informações que demonstram que não houve qualquer favorecimento nos contratos firmados entre a estatal e a empresa do marido de Graça. Mais um tiro no pé dado pela Folha, cuja credibilidade já não anda lá essas coisas.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O "apetite imoderado" do Estadão pela crítica descabida e sem fundamentação

Segundo a Psicanálise, é comum que as pessoas busquem umas nas outras defeitos que enxergam em si mesmas, procurando assim uma forma de não se sentirem inferiores ao resto do mundo. Pois bem, deve ser essa a razão que explique o comportamento do Estadão, que tem procurado sistematicamente, nos últimos dias, encontrar “crises” no processo de composição do novo governo. Tendo sido derrotado nas urnas, já que apoiou o candidato tucano José Serra, o jornal O Estado de São Paulo tem empreendido um esforço hercúleo para tentar desqualificar os trabalhos do governo de transição e da formação da equipe ministerial da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT).

Em um editorial publicado nesta sexta-feira, 12, intitulado “Apetites imoderados”, o jornal insinua uma crise entre PT e PMDB, em torno dos cargos de primeiro escalão, que simplesmente não existe. Segundo o texto, “diante da mesa farta, o que [PT e PMDB] enxergam é a escassez das cadeiras em comparação com o que consideram seus direitos adquiridos nas urnas. Já se estimou que, para acomodar as pretensões petistas, peemedebistas e dos demais sócios da coalizão vencedora, o total de Ministérios deveria aumentar dos atuais 37 para qualquer coisa perto de 50”.

Disputa faz parte do jogo político
A idéia vendida pelo Estadão, em seu editorial, e comungada também por outros setores da grande imprensa, só pode ser explicada por duas razões: total ignorância ou desonestidade intelectual quanto aos procedimentos nos quais está circunscrito o jogo político. Dilma foi eleita não somente pelo PT, partido ao qual pertence, mas também por uma coalizão de partidos que, agora, passadas as eleições, disputam legitimamente seus espaços no novo governo. Que mal há nisso? A disputa de interesses e espaços é o que move a política.

Qualquer tentativa de encarar o jogo político como algo celestial ou puritano é totalmente equivocada! Não se faz política sem a disputa de idéias, posições e também de espaços. Cada grupo procura, neste sentido, construir a sua hegemonia e ampliar sua presença política. Ou será que o Estadão esperava que Dilma anunciasse ditatorialmente quais cargos daria para determinado partido sem que houvesse uma contraposição deste e também dos demais? Se essa era a expectativa do jornal, recomenda-se um curso urgente de ciência política em suas redações!

Assim como o editorial do Estadão, outros jornais, como a Folha de São Paulo, têm tentado recorrentemente tratar a disputa de espaços entre os partidos no novo governo como uma “crise”. Ora, existe uma diferença muito grande entre disputa e crise. Como dito anteriormente, a disputa está no centro da política. É a disputa que gera o debate, o entendimento e, posteriormente, o consenso. O fato de PT, PMDB e demais partidos que compuseram a coligação vitoriosa de Dilma pleitearem maiores espaços junto ao novo governo não significa dizer que existe uma crise instaurada. Muito pelo contrário, a crise existiria se não houvesse essa disputa.

Afinal de contas, a ausência de disputa poderia sugerir duas coisas: que um pequeno grupo estaria centralizando todas as decisões sem que houvesse discussão prévia com os demais partidos que ajudaram a eleger Dilma ou então que esses partidos estariam desinteressados em compor o novo governo. O que este texto pretende sublinhar é que os movimentos feitos por PT e PMDB, os dois maiores partidos da base governista, são totalmente legítimos e característicos do jogo democrático, não se tratando de um “apetite imoderado” por cargos, como insinua o Estadão.

Aliás, é bom que se diga que é o jornal quem parece possuir um “apetite imoderado” pela crítica ao governo Dilma sem sequer tomar o cuidado de apresentar uma fundamentação consistente. A fome do Estadão pela crítica descabida à nova Presidente é tanta que o jornal lança mão, em seus editoriais, dos argumentos mais estapafúrdios. Uma coisa é certa: “nunca antes na História desse país”, setores da grande imprensa basearam-se em argumentos tão desqualificados para tentar atacar um governo!