Mostrando postagens com marcador Criminalidade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Criminalidade. Mostrar todas as postagens

sábado, 25 de dezembro de 2010

Ironia da (in)segurança pública tucana: bandidos assaltam presídio no interior de SP

Que segurança pública não seja lá o forte dos tucanos, isso não é novidade para ninguém. Agora, a história que se segue, de tão surreal que é, até parece uma piada. Mas infelizmente não é. Aconteceu nessa quinta-feira, 23, no interior de São Paulo, estado administrado pelo PSDB há 16 anos. À primeira vista, seria apenas mais um assalto a constar nas longas estatísticas do estado mais rico da federação, não fosse apenas um pequeno detalhe: os bandidos não assaltaram uma casa ou um comércio, mas sim um presídio! Sim, é exatamente isto que está escrito. Confira abaixo a reportagem do Estadão do dia 24 de dezembro:

Seis homens armados entraram ontem (23), às 6h40, no Instituto Penal Agrícola(IPA) de São José do Rio Preto e roubaram R$ 180 mil. O dinheiro serviria para pagar os salários dos cerca de mil presos que cumprem pena em regime semiaberto no IPA, trabalhando na unidade prisional. Um agente ficou ferido.

Era com esse dinheiro que muitos deles contavam para pagar passagens de ônibus e visitar seus parentes e comprar presentes de Natal para seus filhos. O malote com o dinheiro do chamado pecúlio dos presos foi levado pelos assaltantes. Os criminosos entraram no IPA e dominaram os agentes prisionais que estavam na portaria - eram 15 agentes de segurança penitenciária e outros dez funcionários e diretores do lugar.

Os presos do semiaberto estavam recebendo o pagamento quando o bando chegou. Os criminosos dominaram o motorista de uma van que ia transportar os detentos do presídio para a rodoviária para fugir - ela foi abandonada depois. Os ladrões feriram um agente, que foi levado à Santa Casa da cidade, medicado e liberado
.”

Mais surrealismo na segurança pública de São Paulo
Quem pensa que esse assalto ocorrido no IPA, que está prestes a ser substituído por um CPP (Centro de Progressão Penitenciária), é um ponto fora da curva, engana-se totalmente. Casos como este, de tão freqüentes no estado de São Paulo, já estão deixando até de serem considerados surreais. Em abril deste ano, por exemplo, foi encontrado próximo ao Presídio de Avaré, também no interior de São Paulo, um estilingue gigante, que seria usado por criminosos para atirar celulares para dentro do presídio, como pode ser visto aqui.

A audácia dos bandidos parece não ser maior apenas que a ineficiência das políticas de segurança pública do governo tucano em São Paulo. Vale lembrar que neste ano, os principais indicadores de segurança interromperam uma série de melhoras e voltaram a registrar um aumento da criminalidade em todo o estado, mas, sobretudo, no interior. Como pode ser visto neste artigo, houve uma piora generalizada dos índices de criminalidade logo no início desse ano. Apesar da taxa de homicídios continuar caindo, outros tipos de crime, como o tráfico de drogas, tem aumentado sistematicamente no estado.

Inclusive, o tráfico de entorpecentes tem sido um problema muito grave no Estado de São Paulo, como mostram os números da própria Secretaria de Segurança Pública. Para se ter uma idéia, no 3º trimestre deste ano foram registradas em todo o estado 8.043 ocorrências de crimes relacionados ao tráfico de drogas, o que representa um forte crescimento de 11,3% na comparação com igual período de 2009. A maior incidência do tráfico tem sido no interior: entre julho e setembro de 2010, foram 5.365 ocorrências de tráfico de drogas, 12,7% acima do mesmo trimestre do ano anterior. Vale destacar que no acumulado do ano, o tráfico de entorpecentes no estado é 11,2% superior ao acumulado entre janeiro e setembro do ano passado.

Isso mostra que, não obstante à queda na taxa de homicídios verificada no estado e tão alardeada pelo governo tucano, o tráfico de drogas constitui, hoje, um grave problema para a segurança pública paulista. Seu combate passa necessariamente por maiores investimentos em inteligência policial, para que possam ser descobertas e desmontadas as principais conexões da rede do narcotráfico no estado. É preciso que a Secretaria de Segurança Pública encontre uma solução rápida para este problema, pois suas próprias estatísticas revelam um crescimento absurdo dessa modalidade de crime nos últimos trimestres.

sábado, 27 de novembro de 2010

Críticas às ações da Polícia no Rio diluem-se diante do apoio popular à ofensiva do governo

Capa do Jornal "Extra", de 27/11/2010

Assim como não restam dúvidas de que o tráfico cada dia mais perde força e se desarticula frente à ofensiva do poder público no Rio de Janeiro, sobretudo após as bem-sucedidas ações do Governo fluminense ao longo dessa semana, também se enfraquecem as vozes contrárias à ação militar para combater os bandidos que promovem sucessivos ataques na cidade desde o início da semana. Se nunca no Rio de Janeiro havia se visto uma ação tão firme do poder público para reocupar áreas antes dominadas pelo tráfico, também nunca se viu tamanho apoio da população à ação do governo e da Polícia contra a bandidagem.

Diversos setores da sociedade, inclusive os moradores das próprias comunidades onde estão sendo feitas as operações policiais, vem expressando, de diversas maneiras, seu maciço apoio às ações do governo do Rio. Chamou atenção, por exemplo, a boa receptividade dos moradores do Complexo da Penha aos policiais do BOPE que reocuparam a área, há anos dominada pelo tráfico, na quinta-feira. De uma maneira geral, o sentimento dos moradores foi de alívio e esperança, já que tinham suas vidas de certa forma regradas pelos traficantes. Em uma carta entregue a uma repórter da Rede Globo neste sábado, uma moradora da região descreve seu sentimento após a ação da Polícia com a palavra “liberdade”.

Esmagadora maioria da população apóia ações
É interessante notar que, mesmo a ofensiva do poder público tendo o apoio da esmagadora parcela da população, ainda há quem critique as operações da Polícia no Rio de Janeiro. São sobretudo pessoas da extrema esquerda e da extrema direita que assumem uma crítica vazia e totalmente sem fundamento, baseadas, talvez, no velho ranço da “crítica pela crítica”. As redes sociais – sobretudo o Twitter – são, nesse sentido, terreno fértil para que tais manifestações contrárias à ação do governo fluminense apareçam, devendo-se destacar contudo que cada dia com menor frequência, haja vista que até mesmo nas redes sociais o apoio à ação do Governo Sérgio Cabral é amplo.

Entre esse reduzido grupo que critica as ações tomadas pelo governo, os argumentos para justificarem suas posições seguem mais ou menos um padrão. Tentam, por exemplo, desviar o foco do problema real que o Rio de Janeiro está passando para argumentarem que essa situação é resultado de anos de um Estado omisso. Ora, isso todos sabemos e pouquíssimas pessoas discordariam. Mas o que o poder público está fazendo agora é justamente adotar uma linha que governos anteriores já deveriam ter tomado, mas que não tiveram coragem ou vontade de fazer. Dizer que o Estado é o verdadeiro culpado pela onda de crimes no Rio de Janeiro também é um argumento um tanto quanto frouxo.

O Estado seria culpado se estivesse conivente com a criminalidade, o que não é o caso. A revista Isto É, em sua edição dessa semana, diz na sua reportagem de capa: “com um tiro certeiro de cidadania e autoridade, o governo do Rio de Janeiro conseguiu finalmente alvejar um inimigo que há décadas aterroriza a população do Estado (...). O inimigo que foi gravemente ferido é o crime organizado. Ao instalar as UPPs em favelas, o governador Sérgio Cabral rompeu com a ordem até então vigente nas comunidades carentes: a violência dos bandidos é que determinava o que podia ou não ser feito. As armas eram a lei e o crime organizado detinha o controle territorial”.

Há o argumento também de que essas operações têm um alcance limitado e penalizam apenas os “trabalhadores” do tráfico, mas não conseguem chegar aos chefões, que, segundo os que defendem essa posição, não moram nas comunidades, mas sim no asfalto, em bairros nobres da cidade. Ora, ainda que isto seja verdade, não invalida as operações da Polícia para capturar os criminosos que estão a serviço dos “peixes-grandes”. Além do mais, é natural que a captura de grandes chefões do tráfico exijam um tempo maior, uma vez que é produto direto de investigações profundas do serviço de inteligência da polícia. O que se quer dizer aqui é o seguinte: se este argumento for verdadeiro, ainda assim não inviabiliza as ações da Polícia.

Outro discurso que se vê recorrentemente entre os críticos das ações do governo fluminense é o de que esse tipo de operação da Polícia deixaria um grande saldo de mortes de inocentes. Bem, a realidade mostrou exatamente o contrário. Na noite de quinta-feira, o Secretário da Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, deu uma entrevista coletiva em que deixou claro que o objetivo da reocupação dessas comunidades pela Polícia não é disparar tiros e matar criminosos, mas sim retomar o território e prender os bandidos. Agora, como dito por Beltrame, se esses criminosos oferecerem resistência e reagirem à ocupação pela Polícia, logicamente haverá reação dos policiais, mas sempre tomando o cuidado de preservar a vida dos civis.

E é exatamente isso que temos visto ao longo das ocupações. Estamos vendo uma Polícia que está agindo implacavelmente contra a bandidagem, mas sem o intuito de “chegar atirando” e promover uma carnificina nestas áreas. Prova maior disso é a possibilidade de rendição dada pela Polícia neste sábado aos bandidos que se refugiaram no Morro do Alemão desde quinta-feira. De acordo com a Secretaria de Segurança, estima-se que por volta de 500 a 600 bandidos estejam escondidos no Complexo do Alemão. Para evitar um derramamento de sangue na região, o Comandante da Polícia Militar do Rio, Coronel Mário Sérgio, deu aos bandidos a oportunidade de se entregarem e pouparem suas vidas, que estariam logicamente sob ameaça num confronto com a polícia.

Logo, é falacioso esse discurso de que as ações do governo do Rio promoveriam um “banho de sangue” de inocentes, pois até aqui não é isso que se tem visto. O que vemos, ao contrário, é uma série de operações muito bem sucedidas da Polícia do Rio em conjunto com as Forças Armadas, que deverão restabelecer a ordem em uma cidade que há décadas vem sendo vítima da ação de grupos criminosos. Não há dúvidas de que estamos diante da possibilidade real de um novo Rio de Janeiro daqui para frente: um Rio em que a população mais carente, a maior vítima da ação dos traficantes, não sofrerá mais nas mãos do crime organizado. O Rio que renasce depois dessas ações do Estado é certamente um Rio que terá cada vez mais razões para ser chamado de “cidade maravilhosa”!

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Até o Estadão concorda: governo do Rio está no caminho certo no combate ao crime

Em meio ao acompanhamento em tempo real que a grande imprensa e os principais canais de televisão estão fazendo sobre a onda de ataques criminosos no Rio, qual não foi a surpresa deste blog ao se deparar com um editorial do Estadão sobre o tema. A surpresa, fique claro, não se deu por conta da existência de um editorial dedicado ao tema no jornal paulista, mas sim por conta do posicionamento do mesmo. Isto porque enquanto boa parte da imprensa procura responsabilizar o governo do Estado por esta onda de violência, o Estadão vai na contramão e analisa, como a esmagadora maioria dos analistas, que o poder público está no caminho certo.

Embora a população do Rio fique, com toda razão, apreensiva, é importante neste momento o apoio irrestrito às ações do poder público, pois como tem falado o governador Sérgio Cabral, o Estado não pode recuar jamais! Todos os analistas convergem para a mesma avaliação: essa onda de ataques é a prova mais que cabal que o tráfico está perdendo poder no Rio, de forma que esses arrastões e incêndios de veículos devem ser entendidos como atos de bandidos “desesperados” que estão vendo suas redes de tráfico serem desarticuladas. Através dessa tática do medo, esses criminosos querem intimidar a população e fazer com que ela force o Estado a recuar na política de segurança pública.

Felizmente, a tática dos bandidos não está dando certo. A população está apoiando a ação do governo do Rio. Abaixo transcrevemos a íntegra do editorial do Estadão sobre o tema, publicado nesta quinta-feira, 25:

A violência no Rio de Janeiro
Os acontecimentos dos últimos dias no Rio de Janeiro - onde bandidos fortemente armados incendiaram 29 veículos apenas entre a noite de terça-feira e a manhã de quarta-feira, além de promover arrastões em diversas áreas da cidade - são o desdobramento de uma das mais bem-sucedidas políticas de segurança pública já adotadas no País - a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em 12 morros e favelas que estavam sob controle do narcotráfico.

Por meio das UPPs, o governo estadual não se limita a promover operações policiais pontuais em áreas conflagradas, onde o poder público estava ausente. Pondo em prática o que era recomendado pelos especialistas, passou a instalar postos de saúde e escolas nesses locais, além de contingentes policiais permanentes articulados com líderes comunitários, para "reconquistar" territórios que haviam sido abandonados pelo poder público. Desse modo, toda vez que uma nova UPP é instalada, o crime organizado perde o controle sobre uma "área liberada".

Desde que essa política foi adotada, há dois anos, o crime organizado vem sendo expulso de morros e favelas que antes controlava pela intimidação e pela violência. A violência dos últimos dias - com um saldo de 21 mortos - foi mais uma tentativa de represália dos bandidos. A polícia já descobriu que a ordem partiu da Penitenciária de Catanduvas, no Paraná. Inaugurada em 2006, ela é a primeira prisão de segurança máxima mantida pela União para confinar os chefes das facções criminosas do Rio e de São Paulo.

A estratégia do narcotráfico não é nova. Sempre que se sentem acuadas pelas autoridades de segurança pública, as quadrilhas desafiam e afrontam o poder do Estado por meio de ataques orquestrados, com o objetivo de afrontar governantes e aterrorizar a população. A novidade neste novo surto de ataques é que, até o ano passado, os bandidos se limitavam a atear fogo a ônibus e trens, lançar bombas em prédios públicos, atirar contra cabines de policiais e tumultuar o tráfego em ruas movimentadas. Em duas ocasiões, os bandidos dispararam contra a fachada do Palácio Guanabara, sede do governo do Estado.

De dois meses para cá, porém, os chefes do narcotráfico passaram também a promover arrastões em túneis e viadutos, agredindo motoristas e incendiando carros de passeio - como ocorreu nos últimos dias na Linha Vermelha e na saída da Via Dutra, em direção à Avenida Brasil. Até ontem, a polícia fluminense já contabilizara mais de 38 arrastões em toda a região metropolitana. A ideia é usar a mídia para disseminar o pânico no momento em que o Rio de Janeiro se prepara para sediar a Copa do Mundo, em 2014, e a Olimpíada, em 2016.

A reação do narcotráfico ao sucesso das UPPs já era esperada. O mesmo problema ocorreu no sul da Itália, no México e na Colômbia, quando as autoridades desses países adotaram políticas de segurança pública mais rigorosas e eficientes contra o crime organizado. Em vez de deixar a população em pânico e enfraquecer governos, os ataques das facções criminosas tiveram efeito oposto. As sociedades daqueles países apoiaram enfaticamente essas políticas e, estimuladas pelo sucesso das operações, as polícias italiana, mexicana e colombiana passaram a investir em tecnologia e inteligência, no combate ao narcotráfico e facções mafiosas.

No caso do Rio, alguns especialistas afirmam que, apesar dos resultados já apresentados, as UPPs precisam ser aperfeiçoadas, exigindo maior articulação das autoridades municipais, estaduais e federais, para cortar as fontes de suprimento de drogas e armas. Outros especialistas lembram que o sucesso das UPPs só poderá ser efetivamente aferido depois que o governo fluminense instalar unidades no Complexo do Alemão, que é o maior reduto do narcotráfico e o local para onde os bandidos expulsos dos demais morros e favelas estão fugindo. Todos os analistas, porém, concordam que o poder público está trilhando o caminho certo para restabelecer o primado da lei e da ordem na segunda maior cidade do País.

Leia também:

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Onda de ataques no Rio reflete tentativa do tráfico de desestabilizar UPPs

A recente onda de ataques criminosos no Rio de Janeiro, que ocorre desde a tarde do último domingo, 21, vem ganhando lugar de destaque nos principais jornais e noticiários brasileiros. Os inúmeros arrastões e incêndios de carros e ônibus por facções criminosas têm provocado um intenso debate não somente entre especialistas na área de segurança pública, mas também na sociedade, como tem se visto, inclusive, nas redes sociais, tais como o serviço de microblog Twitter. Durante maior parte da tarde desta quarta-feira, 24, as hashtags #UPP e #SergioCabral estiveram entre os assuntos mais comentados do Twitter no Brasil.

Parte da sociedade, influenciada pela cobertura tendenciosa da mídia, tem sido equivocadamente convencida de que a razão desses ataques seria uma ineficácia da política de segurança pública do governo Sérgio Cabral, no Rio. Nada mais errado que isso, contudo. Se estamos assistindo a essa onda de ataques em diversos lugares do Rio é porque, ao contrário do que diz a grande imprensa, os bandidos estão se sentindo incomodados pela política de segurança pública do governo Cabral, da qual as UPPs (Unidades da Polícia Pacificadora) são o maior símbolo. Caso não se sentissem “acuados” os criminosos não estariam agindo de tal maneira.

UPPs reduzem índices de criminalidade
As UPPs fazem parte da nova política de segurança pública do Rio de Janeiro desenvolvida pelo governo Sérgio Cabral. Elas nada mais são do que a reocupação de territórios que há décadas vinham sendo ocupados pelo narcotráfico. Segundo informações da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, cerca de 200 mil pessoas são, atualmente, beneficiadas pelas UPPs, que estão radicadas, hoje, em 12 comunidades do Rio de Janeiro. É interessante destacar que a UPP é um conceito que combina segurança pública e cidadania, uma vez que promove uma reaproximação da polícia com a população e leva de volta o Estado para onde ele estava ausente.

Isto porque após a polícia pacificadora reocupar uma determinada área, o Estado entra ali não só com uma unidade de policiamento permanente, mas também com toda uma estrutura para a promoção de direitos aos moradores dessas regiões. Neste aspecto, a UPP é primordial pois permite que o Estado entre nessas comunidades oferecendo serviços de saúde, educação, esporte e lazer e afastando, de forma bastante consistente, o tráfico de drogas dessas áreas. Os resultados das UPPs têm sido muito animadores: se checarmos as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro, poderemos constatar que a criminalidade vem recuando de forma considerável.

Para se ter uma idéia, no primeiro semestre de 2010 o número de homocídios dolosos no Rio de Janeiro recuou 20,2% na comparação com igual período do ano anterior. Nos crimes contra o patrimônio também foi registrada queda: no que se refere a roubos de veículos, houve um recuo de 23,1% neste período, enquanto os roubos de carga caíram 2% na mesma comparação. Esses números mostram que a política de segurança pública que vem sendo desenvolvida no Rio vem dando resultados concretos e que ela não pode nem deve ser avaliada somente pelos acontecimentos dessa semana, que são pontuais.

Deve-se ter em mente que a medida da eficácia de uma política de segurança pública deve ser feita levando-se em conta o comportamento temporal dos indicadores de criminalidade de uma determinada região e não com base em fatos que tenham maior visibilidade. É claro que uma onda de ataques como essa que vem sendo registrada no Rio de Janeiro tende a chamar mais atenção das pessoas e a despertar uma maior comoção. Mas esse tipo de evento não significa que a política de segurança pública está equivocada: pelo contrário, como dito anteriormente, esse tipo de ação só está acontecendo porque os traficantes estão incomodados com o avanço das UPPs.

Além disso, devemos considerar que a rede de narcotráfico no Rio é bastante extensa e profundamente enraizada, pois ela não surgiu da noite para o dia – é um produto de décadas. Assim, desarticular essa rede do tráfico é uma tarefa de médio e longo prazo. Para que se efetuem prisões dos “cabeças” do tráfico, é necessário um pesado investimento em inteligência policial, um aumento de policiais nas ruas etc, que são medidas que já estão gradativamente sendo feitas. Porém, é importante que se destaque que os resultados alcançados pela atual política de segurança pública do Rio de Janeiro são bastante satisfatórios se considerarmos o curto espaço de tempo no qual essa politica vem sendo aplicada.

De acordo com o sociólogo Ignácio Cano, pesquisador do Laboratório de Análise da Violência da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro), “o perigo, aqui, é as classes médias acharem que a sua segurança está sendo comprometida por causa das UPPs. Se passarem a acreditar que o investimento nas UPPs é contraproducente para quem não mora nas favelas, isso poder acabar com a sustentabilidade política do projeto. Sérgio Cabral sempre fez questão de associar a expansão das UPPs a benefícios também para o asfalto, justamente para não correr esse risco”. E Cano segue avaliando a importância em se ter uma avaliação mais ampla da política de segurança pública do Rio de Janeiro, não se atendo apenas aos recentes fatos.

Segundo o pesquisador, “a gente tem que olhar mais para os números e para as taxas de incidência criminal, que estão caindo, e menos para o que aconteceu (nos últimos dias). Antes, 20 pessoas podiam morrer numa madrugada e ninguém ficar sabendo. Agora, se tem um arrastão, isso gera um pânico e ninguém pensa em outra coisa. Então, é importante olhar para o quadro mais geral”. Percebe-se, dessa forma, que os recentes atos criminosos que vêm acontecendo no Rio podem ser encarados como “efeitos colaterais” de uma solução maior que vem sendo aplicada pelo governo do Rio de Janeiro contra o crime. É importante que a população entenda isso e que não se deixe contaminar pela visão equivocada vendida pela grande imprensa.

segunda-feira, 3 de maio de 2010

A distância entre o ser e o parecer na política de (in)segurança pública de Serra



Maquiavel, em sua obra-prima “O Príncipe”, faz uma discussão interessante sobre a diferença entre o parecer e o ser de um governante e conclui que muitos deles, procurando manter o controle sobre o Estado, devem fazer parecer que possuem certas qualidades, ainda que não as possuam. “Todos vêem o que tu aparentas, poucos sentem aquilo que tu és”, recomenda o escritor florentino em sua obra magistral. Passados cinco séculos, as palavras de Maquiavel ainda fazem muito sentido, especialmente se considerarmos a postura de alguns políticos nos dias de hoje.

Faz alguns dias que o presidenciável tucano, José Serra, destaca recorrentemente em seus discursos e entrevistas a necessidade de maior investimento em segurança pública, chegando, inclusive, a prometer a criação de um Ministério da Segurança Pública se eleito. O parecer e o ser são contrapostos no discurso demagógico de Serra face à realidade do Estado de São Paulo, que ele governou entre 2007 e março deste ano. Isto porque enquanto o tucano propõe saídas para a questão da segurança pública, o estado de SP amarga estatísticas preocupantes, para dizer o mínimo, no que se refere à violência.

Contudo, o discurso de Serra é desnudado com a divulgação dos recentes números dos homicídios no estado, que eram o seu único trunfo à medida que encontravam-se em tendência declinante nos últimos anos. Aliás, a própria imprensa, sendo grande parte dela porta-voz do demo-tucanato, alardeava aos quatro ventos a tal redução dos homicídios no estado de São Paulo, tratando-a como retrato definitivo do combate à criminalidade no estado e ocultando, propositadamente, outros tipos de crime, que vêm crescendo há um bom tempo.

Crescimento dos homicídios e da violência sexual
No caso específico dos homicídios dolosos (ou seja, aqueles nos quais há intenção de provocar morte), desde o ano passado já havia uma reversão na tendência de queda. Para se ter uma idéia, enquanto em 2008 o número de homicídios no Estado foi de 4.426, no ano passado foram registrados 4.557 homicídios, segundo os números da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, o que representa um avanço de 3%. No primeiro trimestre de 2010, contudo, o aumento foi ainda maior: de 7,1% segundo os dados da Secretaria.

Entre janeiro e março desse ano foram registrados 1.224 homicídios face aos 1.143 verificados no primeiro trimestre do ano passado. Nesta mesma comparação, a violência sexual contra a mulher deu um salto, revelando o quão esgotado encontra-se o modelo de política de segurança pública desenvolvido pelo governo tucano de José Serra. Os casos de estupro mais que dobraram em todo Estado de São Paulo, passando de 1.050 no primeiro trimestre do ano passado para 2.323 entre janeiro e março deste ano! E deve-se destacar que o aumento da violência sexual no estado não é recente.

Se formos analisar com mais atenção os dados referentes ao governo Serra em São Paulo, poderemos notar que o crescimento dos casos de estupro ocorreu em todo o tempo que o tucano esteve à frente do Palácio dos Bandeirantes. Em 2007, por exemplo, foram registrados 3.223 estupros em todo o estado. Esse número elevou-se em 5,1% em 2008, alcançando 3.387 casos e, no ano passado, apresentou crescimento ainda maior – de 67% - atingindo a preocupante marca dos 5.647 casos, de acordo com os números da Secretaria de Segurança Pública.

Criminalidade preocupa o interior do Estado
E quem pensa que toda essa violência está concentrada na capital e no entorno metropolitano, engana-se: as piores estatísticas vêm justamente do interior. Os casos de violência sexual no interior de São Paulo são preocupantes: entre janeiro e março deste ano foram acusados 1.193 casos de estupro no interior, um crescimento estrondoso de 160% frente aos 459 casos verificados em igual período do ano anterior. No primeiro trimestre de 2008, o número de estupros no interior paulista havia sido de 361 casos, o que evidencia a trajetória crescente dessa modalidade de crime na área.

Se levarmos em conta as estatísticas anuais, a violência sexual contra mulheres no interior vem crescendo desde o início do governo Serra. Entre 2008 e 2009, os casos de estupro cresceram 88,3%, passando de 1.491 para 2.807 casos nesta comparação. No mesmo período, os casos de estupro cresceram 54% na capital do Estado, atingindo 1.593 ocorrências em 2009 contra 1.035 casos no ano anterior. Vê-se, dessa maneira, que praticamente a metade dos casos de estupro registrados no estado em 2009 ocorreu no interior paulista.

Enquanto isso, os homicídios dolosos cresceram 16,4% em todo o interior entre 2008 e 2009, passando de 1.821 para 2.120 casos. Novamente a estatística é preocupante já que mostra que 46,5% dos homicídios ocorreram no interior paulista em 2009, representando um aumento frente a 2008, quando o interior respondia por 41% dos homicídios totais ocorridos no Estado. Isso corrobora a tese de que está havendo uma tendência à migração da criminalidade, que deixa de se concentrar na capital (como em períodos anteriores) e se transfere para o interior, exigindo políticas públicas assertivas que não foram implementadas pelo governo do Estado.

Tráfico de entorpecentes cresce em São Paulo
O crime organizado também ganhou maior espaço em São Paulo nos últimos anos. Neste sentido, as estatísticas da Secretaria de Segurança Pública revelam um crescimento consistente do tráfico de entorpecentes nos últimos anos. No primeiro ano da gestão Serra, 2007, foram registradas 23.127 ocorrências de tráfico de drogas em todo o Estado. No ano seguinte, houve expansão de 8% no tráfico, atingindo 24.963, e, chegando a 27.886 em 2009: um avanço de 12% na comparação com o ano anterior. E novamente o interior se destaca.

Enquanto na capital foram registrados 5.688 casos de tráfico de entorpecentes em 2009 (20,4% do total), no interior do estado houve 18.365 ocorrências no mesmo ano (66% do total). Na comparação com 2008, os casos de tráfico de entorpecentes no interior paulista cresceram 19%. Os dados do primeiro trimestre deste ano revelaram a manutenção dessa preocupante tendência: em todo o estado de SP, foram registrados 7.376 casos de tráfico de drogas entre janeiro e março deste ano, uma elevação de 12% frente ao registrado em igual período do ano anterior.

O interior novamente é protagonista nesta comparação, respondendo por 68% do total de casos de tráfico de drogas: foram 5.010 casos no interior paulista entre janeiro e março deste ano contra 1.326 casos na capital (18% do total no período). Esse aumento do tráfico de entorpecentes é produto sobretudo dos baixos investimentos em inteligência policial feito pelo governo Serra. Para se ter uma idéia, entre janeiro e outubro de 2009 foram investidos apenas R$ 135 milhões em inteligência policial, dos R$ 253 milhões orçados para o setor. Neste mesmo período, Serra investiu R$ 254 milhões em publicidade da administração direta.

A Polícia Civil, responsável pelas investigações sobre o crime organizado, recebeu entre janeiro e outubro do ano passado investimentos da ordem de R$ 18 milhões, o que representa 43% de um total de R$ 42 milhões orçados para a corporação. O policiamento escolar, por sua vez, que faz um importante trabalho no sentido de prevenção ao tráfico de drogas recebeu apenas R$ 2,4 milhões em investimentos do governo Serra, revelando um quadro preocupante de falta de investimento na segurança do cidadão.

O que se vê, com isso, é que, embora faça parecer em seus discursos que tem uma preocupação real com segurança pública, o pré-candidato José Serra não tem uma boa vitrine na área. As políticas de segurança pública desenvolvidas por ele em São Paulo não foram, neste sentido, capazes de conter o avanço da criminalidade em todo o estado, especialmente no interior paulista. Fica evidente, assim, o quão grande é, em se tratando de segurança pública, a distância entre o ser e o parecer.