Após vários dias de negociações, França e Alemanha chegaram a um acordo na quinta-feira, 25, para ajuda financeira à Grécia, pais que vem passando por inúmeras dificuldades advindas, sobretudo, da crise financeira do ano passado. O acordo celebrado entre a Chanceler alemã, Ângela Merkel, e o Presidente francês, Nilolas Sarkozy, prevê uma intervenção do FMI (Fundo Monetário Internacional) e empréstimos bilaterais de países da Zona do Euro.
De acordo com o jornal francês Le Monde, o acordo franco-alemão não especificou o aporte que caberá à Zona do Euro e o que caberá ao FMI. Especula-se, contudo, que os países da Zona do Euro custeariam aproximadamente dois terços do plano de ajuda, ficando o terço restante a cargo do FMI. Apesar de não terem sido divulgadas cifras, estima-se que o plano de ajuda chegue a 30 bilhões de euros.
FMI fará primeiro aporte de recursos para Grécia
A primeira intervenção deve ser feita pelo FMI, que já possui recursos financeiros para isso. Após esse aporte inicial do Fundo, os países da Zona do Euro, mediante inúmeras condições impostas pelo Conselho Europeu e pelo Banco Central Europeu (BCE), concederiam os empréstimos bilaterais. Esse “cronograma” de aportes foi uma das condições impostas pela chanceler Merkel para assinar o acordo com a França.
Vale destacar que desde que foi criada a Zona do Euro, em 1999, essa é a primeira vez que o FMI intervém na região. O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, declarou que está satisfeito com o acordo, destacando, contudo, que os países membros da Zona do Euro devem tomar cuidado para não deixarem de lado suas responsabilidades, apoiando-se no fato da presença do FMI na região.
Interesses da Alemanha e França
De qualquer forma, é importante destacar que o plano de ajuda franco-alemão assinado na quinta-feira é crucial não somente para a Grécia, mas também para a própria Alemanha e França, Isto porque, de acordo com informações do jornal espanhol El País, a Grécia possui hoje no mercado 300 bilhões de euros em títulos públicos. Deste total, 59 bilhões estão em mãos de bancos franceses (quase 20% do total de bônus).
Cerca de 30 bilhões em títulos públicos gregos encontram-se, por sua vez, nas mãos de bancos alemães, podendo essa quantia chegar a 43 bilhões de euros se forem acrescentados à conta outros tipos de instrumentos financeiros. Percebe-se, dessa maneira, que o custo total do plano, estimado em 30 bilhões de euros, vai sair relativamente barato à Alemanha e França, pois caso a Grécia “quebrasse”, esses dois países seriam amplamente prejudicados.
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sexta-feira, 26 de março de 2010
Alemanha e França assinam acordo de ajuda financeira à Grécia
terça-feira, 23 de março de 2010
Após derrota nas urnas, Sarkozy enfrenta greves em toda França

A maré não anda muito boa para o presidente francês, Nicolas Sarkozy. Após a derrota sofrida nas eleições regionais de domingo, quando o seu partido, a UMP, ganhou em apenas uma região territorial e uma em ultramar, Sarkozy enfrenta nessa terça-feira, 23, uma greve em toda a França, que atinge a educação, os transportes e os correios. Os protestos ocorrem por conta da situação econômica da França, que não é nada boa.
De acordo com informações do jornal francês Le Monde, os próprios sindicatos da França foram surpreendidos pela dimensão do movimento grevista e pelas mobilizações, espalhadas por todo país. Nada menos do que 600 mil pessoas participaram de 177 eventos durante a terça-feira, segundo estimativas do Solidaires (SUD), importante grupo sindical da França.
Reforma da previdência e melhores salários em pauta
As centrais sindicais da França – CGT, CFDT, FSU, SUD e UNSA – organizaram essa mobilização desde fevereiro, tendo como objetivo central reivindicar que o governo francês altere os rumos de sua política econômica e social. Um dos pontos que mais têm gerado descontentamento nos trabalhadores franceses diz respeito à Reforma da Previdência, que deve ser apresentada pelo governo entre abril e setembro deste ano.
Os grevistas também reivindicam melhores salários e uma política eficaz no combate ao desemprego no país. Vale lembrar que a França foi uma das economias mais abaladas pela crise financeira internacional de 2009 e ainda não conseguiu se recuperar a níveis satisfatórios, o que vem comprometendo bastante a popularidade do presidente Sarkozy. Além disso, o estilo pessoal do presidente é desaprovado por 54% dos franceses, segundo pesquisa do Instituto CSA encomendada pelo jornal Le Parisien.
Não é demais destacar que os próprios correligionários de Sarkozy têm criticado bastante o presidente. Tanto que na segunda-feira, 22, o presidente francês realizou uma “mini-reforma” de Gabinete, procurando acomodar políticos ligados a lideranças como Jacques Chirac e também Dominique de Villepin, que, diante da crise de popularidade de Sarkozy, é hoje o nome mais cotado dentro da UMP para a eleição presidencial de 2012.
Mobilizações em todo país
Segundo estimativas da CGT, 60 mil manifestantes tomaram as ruas de Paris nesta terça-feira. Em Bordeaux, calcula-se que participaram das manifestações cerca de 20 mil pessoas, enquanto em Toulouse as manifestações reuniram 18 mil franceses. As mobilizações foram intensas também em Marselha, com participação de 50 mil pessoas, incluindo os trabalhadores de uma empresa de chás da região, que já estão na terceira semana em greve por melhores salários.
Analistas dos principais jornais franceses sugerem que este seria um “terceiro turno” para Sarkozy: um turno social, após a derrota nas urnas nas eleições regionais de domingo. Enfrentando críticas da maior parte da população e também de lideranças do seu partido, de fato razões não faltam para tirar o sono de Sarkozy. Vejamos como ele irá enfrentar tudo isso.
segunda-feira, 22 de março de 2010
Esquerda vence eleições regionais na França e pavimenta caminho para 2012

O resultado das eleições regionais da França, realizadas no último domingo (21), revela uma situação bastante incômoda para o presidente Nicolas Sarkozy. Isto porque, com quase a totalidade de urnas apuradas, a esquerda liderava com 54,3% dos votos, contra 36,1% dos votos da UMP (Union pour un Mouvement Populaire), partido do presidente francês. A Front National (FN), de extrema-direita, teve 9% dos votos.
Com esse cenário, a Union de la Gauche (frente de esquerda liderada pelo Partido Socialista) obtém a vitória em 21 das 22 regiões territoriais da França. Apenas na região territorial da Alsácia, a UMP saiu vitoriosa. No caso das 2 regiões de ultramar onde houve votações, a esquerda venceu em Guadeloupe e a UMP venceu em Le Reunion. O índice de abstenção foi de 49%, menor, portanto, que no primeiro turno, quando a abstenção foi de 53,6%.
Esquerda confirma favoritismo
O novo mapa regional da França ficou em linha com as expectativas dos analistas, que já calculavam essa vitória expressiva da esquerda. No primeiro turno, o Partido Socialista alcançou 29,5% dos votos, contra 26,3% da UMP, 12,5% da Europe Ecologie, 6,1% da Front de Gauche (Frente de Esquerda Comunista) e 11,6% da Front National.
Diante desse resultado, houve um arranjo político entre o Partido Socialista e a Europe Ecologie para a apresentação de listas conjuntas em quase todas as regiões no segundo turno. O acordo foi apoiado também pela Frente de Esquerda Comunista, constituindo, assim, a Union de La Gauche. A composição permitiu, inclusive, a vitória da esquerda em territórios que historicamente eram redutos da centro-direita, como os situados na Paris Ocidental.
Tensões internas no partido governista
A derrota do partido governista nas eleições regionais é atribuída, principalmente, aos efeitos da crise financeira sobre a França, especialmente pelo aumento do nível de desemprego e pela estagnação da economia. De acordo com o Primeiro-Ministro francês, François Fillon (UMP), o governo não soube dar as respostas que a população francesa esperava, o que explica o resultado das urnas. Os parlamentares da UMP devem se reunir em uma sessão fechada na terça-feira, 23, para avaliar a derrota eleitoral e traçar metas.
De qualquer forma, a derrota sofrida nas eleições regionais deve ampliar ainda mais as tensões no interior da UMP, fortalecendo especialmente as tendências adversárias de Sarkozy, como o grupo de Dominique de Villepin, por exemplo. Algumas lideranças da UMP avaliam que o resultado das eleições deveu-se sobretudo à inabilidade de Sarkozy para garantir a "manutenção do bem-estar social" que tanto preocupa os franceses e defendem uma guinada à direita do governo, para que o "estrago" não seja ainda maior em 2012.
Manter a união é desafio para a esquerda
Apesar da vitória, a esquerda francesa tem um grande desafio pela frente: a preservação dessa união entre os diversos partidos esquerdistas com vista às eleições presidenciais de 2012. Após as primeiras pesquisas de boca de urna sinalizarem a vitória, lideranças da esquerda já começavam a conclamar a necessidade de se manter essa unidade em torno de um projeto que garanta o “bem-comum” para a França.
Contudo, a prática é diferente da teoria e cabe aqui perguntar-nos qual o grau de abertura que o Partido Socialista, que liderou a Union de la Gauche neste segundo turno, estará disposto a dar aos verdes e também aos comunistas. Além do que, um outro grande desafio diz respeito à superação das divisões e disputas internas que existem dentro do próprio Partido Socialista.
De qualquer forma, a esquerda sai fortalecida dessas eleições regionais e já desponta com otimismo para a disputa presidencial de 2012. Os mecanismos para ganhar o pleito dependerão, de agora em diante, da habilidade dos partidos que compuseram a Union de la Gauche, especialmente do Partido Socialista, em manter a unidade que os levou à vitória na esmagadora maioria das regiões. A orquestração de um trabalho conjunto é mais do que necessária para que a esquerda volte, 17 anos depois, a ocupar a Presidência da França.
Manter a união é desafio para a esquerda
Apesar da vitória, a esquerda francesa tem um grande desafio pela frente: a preservação dessa união entre os diversos partidos esquerdistas com vista às eleições presidenciais de 2012. Após as primeiras pesquisas de boca de urna sinalizarem a vitória, lideranças da esquerda já começavam a conclamar a necessidade de se manter essa unidade em torno de um projeto que garanta o “bem-comum” para a França.
Contudo, a prática é diferente da teoria e cabe aqui perguntar-nos qual o grau de abertura que o Partido Socialista, que liderou a Union de la Gauche neste segundo turno, estará disposto a dar aos verdes e também aos comunistas. Além do que, um outro grande desafio diz respeito à superação das divisões e disputas internas que existem dentro do próprio Partido Socialista.
De qualquer forma, a esquerda sai fortalecida dessas eleições regionais e já desponta com otimismo para a disputa presidencial de 2012. Os mecanismos para ganhar o pleito dependerão, de agora em diante, da habilidade dos partidos que compuseram a Union de la Gauche, especialmente do Partido Socialista, em manter a unidade que os levou à vitória na esmagadora maioria das regiões. A orquestração de um trabalho conjunto é mais do que necessária para que a esquerda volte, 17 anos depois, a ocupar a Presidência da França.
quinta-feira, 18 de março de 2010
Rumo aos 140 anos da Comuna de Paris - Parte 2

"Ultimamente, as palavras 'ditadura do proletariado' voltaram a despertar sagrado terror ao filisteu social-democrata. Pois bem, senhores, quereis saber que face tem essa ditadura? Olhai para a Comuna de Paris: eis aí a ditadura do proletariado!" (Engels)
Um governo de inspiração socialista
Como nos relata Marx, o primeiro decreto da Comuna de Paris foi a supressão do exército permanente e a sua substituição pelo povo em armas. Além disso, o governo comunal substituiu o Estado centralizador por um governo popular, composto por conselheiros municipais, eleitos pelo sufrágio universal em todos os bairros da cidade. Ou seja, esses conselheiros eram, em sua esmagadora maioria, operários ou líderes reconhecidos pela classe operária.
Um aspecto interessante a ser destacado é que a Comuna exercia ao mesmo tempo as funções de Executivo e de Legislativo. A polícia de Paris, por sua vez, deixou de ser um instrumento de repressão política e passou a ser um instrumento da Comuna, podendo ser revogada a qualquer momento. Esse mesmo princípio foi aplicado a todos os funcionários da administração pública: todos eles – inclusive os próprios membros da comuna – passaram a receber os mesmos salários que os operários.
Após os revolucionários colocarem os maiores símbolos de poder material do antigo governo – exército permanente e polícia – a serviço da Comuna, era a vez de quebrar o “instrumento espíritual da opressão”, como aponta Marx. Neste sentido, procurando aniquilar o poder dos padres, a Comuna dissolveu e expropriou todas as Igrejas de Paris, passando os padres a dependerem de doações dos fiéis. No campo da educação, a Comuna abriu todas as escolas de Paris ao povo, de forma totalmente gratuita.
Blanquistas x Proudhonistas
Do ponto de vista da caracterização política, a Comuna de Paris era formada por Blanquistas e Proudhonistas. Os blanquistas constituiam maioria da Comuna e, segundo Engels, “eram socialistas só por instinto revolucionário e proletário”. Eles acreditavam que era possível arrastar todo o povo para a Revolução e reuni-lo em torno do grupo dirigente, bastando para isso centralizar o poder nas mãos do governo revolucionário. Tomado o poder, seria possível introduzir o socialismo ou comunismo.
Do outro lado, os proudhonistas, defensores de uma organização social baseada no mutualismo e na cooperação. Segundo Engels, “cabe aos proudhonianos a principal responsabilidade pelos decretos econômicos da Comuna, tanto no que tinham de positivo como de negativo; aos blanquistas, cabe a principal responsabilidade pelos atos e as omissões no terreno político”. Ainda segundo Engels, “ em ambos os casos quis a ironia da história - como geralmente acontece, quando o poder passa para as mãos dos doutrinários - que tanto uns como outros fizessem o contrário daquilo que prescrevia a doutrina de sua escola respectiva”.
Medidas em favor do operariado
No campo das ações, a Comuna de Paris caracterizou-se por um governo amplamente favorável aos operários. Além de decretar a abolição do trabalho noturno, a Comuna reduziu a jornada de trabalho em Paris, propondo inclusive a jornada de 8 horas. Além disso, foram abolidos todos os tipos de descontos salariais e os sindicatos passaram à legalidade.
Além disso, a Comuna passou a aplicar o internacionalismo: ou seja, o fato de um habitante de Paris ser estrangeiro não era mais levado em conta. Tanto é que a Comuna era integrada por pessoas de outros países da Europa. Uma outra preocupação da Comuna de Paris era evitar o que aconteceu em todos os governos anteriores na França: que o Estado se tornasse “senhor” da sociedade e não servidor como deve ser.
Para isso, a Comuna preencheu todos os cargos administrativos, judiciais e do magistério através de eleições, mediante o sufrágio universal, concedendo aos eleitores o direito de revogar a qualquer momento o mandato concedido. Todos os funcionários, graduados ou modestos, eram retribuídos como os demais trabalhadores. O salário mais alto pago pela Comuna era de 6 mil francos.
A Semana Sangrenta e o fim da Comuna
As medidas exitosas da Comuna de Paris, contudo, não teriam vida longa. O governo oficial de Thiers, instalado em Versalhes, preparava uma ofensiva para derrotar os revolucionários. Após a Alemanha (recém formada a partir da unificação da Prússia com outros Estados) libertar soldados franceses que estavam sob seu domínio como prisioneiros de guerra, o poder oficial de Versalhes reorganizou seu exército e preparou a invasão de Paris.
Segundo Marx, "após uma luta heróica de cinco dias, os operários foram esmagados. Fez-se então, entre os prisioneiros sem defesa, um massacre como se não tinha visto desde os dias das guerras civis que prepararam a queda da República romana. Pela primeira vez, a burguesia mostrava a que louca crueldade vingativa podia chegar quando o proletariado ousa afrontá-la, como classe à parte, com os seus próprios interesses e as suas próprias reivindicações. E, no entanto, 1848 não passou de um jogo de crianças, comparado com a raiva da burguesia em 1871."
Encerrava-se assim aquela que foi uma das maiores experiências de governo operário da História e que Marx certamente descreveu como “a gloriosa precursora de uma sociedade nova”.
Rumo aos 140 anos da Comuna de Paris - Parte 1

"Na alvorada de 18 de Março (1871), Paris foi despertada por este grito de trovão: VIVE LA COMMUNE!” (Marx)
Segunda metade do século XIX: faltando ainda alguns anos para o primeiro centenário da Grande Revolução Francesa, ventos revolucionários ainda varriam o território francês e também toda a Europa. Após a derrota para a então Prússia, em 1870, e em meio ao processo de unificação da Itália e da Alemanha, a França e toda a Europa assistem a primeira experiência de governo operário da História: a Comuna de Paris.
O dia era 18 de março de 1871. Apesar de uma curta duração – apenas 72 dias – a Comuna de Paris tornou-se um símbolo da esquerda mundial, pelo cunho socialista adotado pelo governo comunal em Paris. Marx sabiamente diz, em seu “Guerra Civil em França”, que “a Paris operária, com a sua Comuna, será para sempre celebrada como a gloriosa percursora de uma sociedade nova. A recordação dos seus mártires conserva-se piedosamente no grande coração da classe operária. Quanto aos seus exterminadores, a História já os pregou a um pelourinho eterno, e todas as orações dos seus padres não conseguirão resgatá-los”.
Antecedentes da Comuna
Em meados do século XIX, a França adotava o regime republicano, sendo governada por Luís Bonaparte (sobrinho de Napoleão Bonaparte, que governou a França até 1815). Em 1851, tendo intenções de continuar no poder mas tendo o impeditivo constitucional, Luís Bonaparte dá um golpe, semelhante àquele que foi dado por Napoleão em 1799, e institui a ditadura. Era o “18 Brumário de Luís Bonaparte”.
Tendo o apoio da população francesa, Luís Bonaparte realiza um plebiscito em 1852 e institui novamente o Império na França, sendo coroado imperador e recebendo o título de Napoleão III. O Segundo Império – como ficou conhecido historicamente este período – foi marcado por uma opressão intensa ao Legislativo e às forças opositoras ao imperador. Do ponto de vista econômico, Napoleão III favoreceu a modernização e o desenvolvimento da França, além de realizar um operação de reurbanização de Paris.
Na política externa, Napoleão III tentou resgatar a política expansionista implementada anteriormente por seu tio, no início daquele século, mas esbarrou nos interesses de um Estado vizinho – a Prússia, que já despontava como um poderoso território industrial. Assim, em 1870 tem início a Guerra Franco-Prussiana. Contudo, como o exército prussiano era melhor preparado e mais numeroso que o francês, a Prússia derrotou facilmente a França, prendendo Napoleão III e impondo um armistício bem humilhante à França.
Governo Provisório e a formação da Comuna
Com a prisão de Napoleão III e o fim do Segundo Império Francês, foi formado um Governo Provisório – a Terceira República Francesa -, tendo como presidente Adolphe Thiers. O novo presidente, cumprindo o tratado de paz feito com Bismarck, da Prússia, teve que entregar boa parte do seu Exército Permanente ao Estado vizinho, bem como suas armas. Naturalmente, a submissão aos termos prussianos gerou um descontentamento generalizado na população de Paris.
Diante da baixa do Exército Permanente, o único setor armado na França era a Guarda Nacional, formada basicamente por operários e poucos membros da pequena burguesia. Assim, com o objetivo de formar uma resistência ao exército prussiano, a Guarda Nacional toma a Prefeitura de Paris, onde estava sediado o Governo Provisório, e expulsa os membros da Assembléia, que se refugiam em Versalhes. No dia 18 de março de 1871, Thiers mobiliza alguns correligionários e tenta invadir durante a madrugada a Prefeitura de Paris.
Mesmo pegos de surpresa, o Comitê Central da Guarda Nacional conta com o apoio armado da população, conseguindo expulsar o grupo de Thiers e proclamando um governo popular, de cunho socialista, independente da Assembléia de Versalhes: era a Comuna de Paris. Começava nesse 18 de março de 1871 a primeira experiência de governo operário e socialista da História.
O dia era 18 de março de 1871. Apesar de uma curta duração – apenas 72 dias – a Comuna de Paris tornou-se um símbolo da esquerda mundial, pelo cunho socialista adotado pelo governo comunal em Paris. Marx sabiamente diz, em seu “Guerra Civil em França”, que “a Paris operária, com a sua Comuna, será para sempre celebrada como a gloriosa percursora de uma sociedade nova. A recordação dos seus mártires conserva-se piedosamente no grande coração da classe operária. Quanto aos seus exterminadores, a História já os pregou a um pelourinho eterno, e todas as orações dos seus padres não conseguirão resgatá-los”.
Antecedentes da Comuna
Em meados do século XIX, a França adotava o regime republicano, sendo governada por Luís Bonaparte (sobrinho de Napoleão Bonaparte, que governou a França até 1815). Em 1851, tendo intenções de continuar no poder mas tendo o impeditivo constitucional, Luís Bonaparte dá um golpe, semelhante àquele que foi dado por Napoleão em 1799, e institui a ditadura. Era o “18 Brumário de Luís Bonaparte”.
Tendo o apoio da população francesa, Luís Bonaparte realiza um plebiscito em 1852 e institui novamente o Império na França, sendo coroado imperador e recebendo o título de Napoleão III. O Segundo Império – como ficou conhecido historicamente este período – foi marcado por uma opressão intensa ao Legislativo e às forças opositoras ao imperador. Do ponto de vista econômico, Napoleão III favoreceu a modernização e o desenvolvimento da França, além de realizar um operação de reurbanização de Paris.
Na política externa, Napoleão III tentou resgatar a política expansionista implementada anteriormente por seu tio, no início daquele século, mas esbarrou nos interesses de um Estado vizinho – a Prússia, que já despontava como um poderoso território industrial. Assim, em 1870 tem início a Guerra Franco-Prussiana. Contudo, como o exército prussiano era melhor preparado e mais numeroso que o francês, a Prússia derrotou facilmente a França, prendendo Napoleão III e impondo um armistício bem humilhante à França.
Governo Provisório e a formação da Comuna
Com a prisão de Napoleão III e o fim do Segundo Império Francês, foi formado um Governo Provisório – a Terceira República Francesa -, tendo como presidente Adolphe Thiers. O novo presidente, cumprindo o tratado de paz feito com Bismarck, da Prússia, teve que entregar boa parte do seu Exército Permanente ao Estado vizinho, bem como suas armas. Naturalmente, a submissão aos termos prussianos gerou um descontentamento generalizado na população de Paris.
Diante da baixa do Exército Permanente, o único setor armado na França era a Guarda Nacional, formada basicamente por operários e poucos membros da pequena burguesia. Assim, com o objetivo de formar uma resistência ao exército prussiano, a Guarda Nacional toma a Prefeitura de Paris, onde estava sediado o Governo Provisório, e expulsa os membros da Assembléia, que se refugiam em Versalhes. No dia 18 de março de 1871, Thiers mobiliza alguns correligionários e tenta invadir durante a madrugada a Prefeitura de Paris.
Mesmo pegos de surpresa, o Comitê Central da Guarda Nacional conta com o apoio armado da população, conseguindo expulsar o grupo de Thiers e proclamando um governo popular, de cunho socialista, independente da Assembléia de Versalhes: era a Comuna de Paris. Começava nesse 18 de março de 1871 a primeira experiência de governo operário e socialista da História.
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