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quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Esmagadora maioria dos brasileiros acredita que Dilma será melhor ou igual a Lula

A maioria da população brasileira está bastante otimista com relação ao governo Dilma, que terá início dentro de duas semanas. É o que revela a pesquisa CNI/Ibope divulgada nesta quinta-feira, 16. De acordo com os números apresentados, nada menos que 62% dos entrevistados afirmaram que o governo da Presidente eleita Dilma Rousseff (PT) deverá ser ótimo ou bom, enquanto 19% têm expectativas que seja um governo regular. Apenas 9% dos entrevistados declararam que o novo governo deve ser ruim ou péssimo,ao passo que 11% não souberam ou não quiseram opinar.

Quando analisados de forma segmentada, os dados revelam que o otimismo é maior na região Nordeste, onde o índice dos que consideram que Dilma fará um governo ótimo ou bom atinge 70%. Por outro lado, o desempenho menos otimista fica, como era de esperar, com as regiões Sul e Sudeste, onde os que avaliam que o próximo governo será ótimo ou bom totalizam 58%. De qualquer forma, é interessante observar que a expectativa positiva em relação ao governo Dilma fica 6 pontos percentuais acima da própria votação da Presidente eleita, que venceu o 2º turno da eleição, no dia 31 de outubro, com 56% dos votos válidos.

Para 76%, Dilma será melhor ou igual a Lula
O cenário de otimismo em relação ao novo governo é confirmado quando observamos a comparação entre o governo Dilma e o governo Lula: segundo a pesquisa CNI/Ibope, 18% dos entrevistados acreditam que Dilma fará um governo melhor que Lula, ao passo que 58% dos entrevistados esperam que o governo da Presidente eleita seja igual ao de Lula. Considerando que essa mesma CNI/Ibope revelou que o governo Lula tem aprovação de 80% da população, podemos considerar que a expectativa de que o governo Dilma seja igual ao governo Lula é algo bastante positivo.

Ou seja, 76% dos entrevistados consideram que Dilma fará um governo melhor ou igual a Lula. Nesta comparação, novamente o Nordeste lidera o otimismo: para 79% dos nordestinos, o governo Dilma será melhor ou igual ao governo Lula. No Sudeste, o percentual de entrevistados que tem essa mesma avaliação é de 76%, de açodo com a CNI/Ibope. Vale a pena destacar que, no cômputo total, apenas 14% dos entrevistados declaram que o governo Dilma deve ser pior que o governo Lula, ao passo que 10% não souberam ou não quiseram opinar.

Saúde deve ser a principal prioridade da Presidente eleita
O levantamento CNI/Ibope também trouxe informações sobre o que a população acha que deve ser tratado de forma prioritária pelo novo governo. Os dados revelam que saúde é apontado como tema prioritário para pouco mais da metade dos entrevistados – 51%. Em segundo lugar, com 11%, aparece educação, seguido de segurança pública, com 7%. Combate às drogas e combate à fome e à miséria aparecem, cada um, com 6% das citações. Pautas que vêm sendo cobradas por diversos setores da sociedade civil organizada e dos próprios movimentos sociais, não tiveram destaque no ranking de prioridades apontadas pela população.

Para se ter uma idéia, a Reforma Política é considerada prioritária para apenas 1% dos entrevistados, mesmo percentual alcançado pela Reforma Trabalhista. Outras reformas – como a agrária, a da previdência e a tributária – sequer pontuaram no levantamento feito pela CNI/Ibope. É interessante observar que os avanços conquistados pelo governo Lula podem ser claramente observados por uma mudança na prioridade de pauta quando confrontamos o levantamento divulgado nesta quinta-feira com uma pesquisa CNI/Ibope feita em dezembro de 2002, a poucos dias do então Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva tomar posse.

Naquela ocasião, a prioridade apontada por 43% dos entrevistados era promover o crescimento e a geração de empregos. Em segundo lugar, aparecia o combate à inflação, com 29%, enquanto a promoção de políticas sociais aparecia com 10%. Na pesquisa divulgada nesta quinta-feira, geração de empregos é apontada como prioridade para apenas 4% dos entrevistados. O fato de estes itens não terem mais destaque na lista de prioridades da atual pesquisa CNI/Ibope revela que, para o brasileiro, eles já constituem uma pauta cuja conquista foi consolidada ao longo dos oito anos do governo Lula, de forma que agora as prioridades são menos macroeconômicas e mais setoriais, por assim dizer.

A pesquisa CNI/Ibope foi feita entre os dias 4 e 7 de dezembro, em 140 municípios de todas as regiões brasileiras. Foram entrevistadas 2002 pessoas e a margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Governo Lula segue bem avaliado na maioria das áreas pesquisadas pela CNI/Ibope

Além de revelar que a aprovação do governo Lula continua no nível recorde de 75% e que a aprovação pessoal do presidente Lula atinge a expressiva marca dos 85%, a mais recente pesquisa CNI/Ibope trouxe informações importantes sobre a avaliação dos eleitores a respeito das principais áreas temáticas do governo federal. Neste sentido, das nove áreas pesquisadas pelo Ibope (combate à fome/pobreza; combate ao desemprego; combate à inflação; educação; meio ambiente; taxa de juros; saúde; segurança pública e impostos), a aprovação do governo Lula foi superior à desaprovação em cinco delas, ficando empatada em uma e menor em três.

A área mais bem avaliada, neste sentido, é a de combate à fome e à pobreza, na qual 67% dos entrevistados pela pesquisa CNI/Ibope declararam aprovar a atuação do governo nesta área, ao passo que apenas 30% declararam desaprovar. Em seguida, tem destaque a avaliação do governo Lula no que se refere ao combate ao desemprego: neste item, uma expressiva parcela de 62% dos entrevistados declararam aprovar a forma com a qual o governo Lula vem desenvolvendo políticas públicas nesta área, enquanto 35% declaram não aprovar. No campo atuação do governo na área do meio ambiente, 57% dos entrevistados declaram aprovar o governo Lula, enquanto 36% não aprovam.

De igual maneira, 57% dos entrevistados afirmaram aprovar a atuação do governo Lula no que se refere ao combate à inflação, frente a 36% que desaprovam. Na educação, a avaliação do governo Lula também é positiva, haja vista que 56% dos entrevistados pela CNI/Ibope afirmaram que aprovam a atuação do governo Lula nesta área, contra 41% que desaprovam. Com relação à atuação do governo Lula em relação à taxa de juros, 45% dos entrevistados afirmaram que aprovam, mesmo patamar dos que declararam não aprovar as medidas tomadas pelo governo na área.

Áreas mal avaliadas são problemáticas desde 2002
Por outro lado, em apenas três áreas pesquisadas pelo Ibope, o percentual de desaprovação do governo Lula é superior ao percentual de aprovação. O destaque fica, neste sentido, para a área de segurança pública, onde 55% dos entrevistados afirmaram que desaprovam a atuação do governo Lula, ao passo que 41% declararam aprovar. É interessante destacar que esta área tem sido mal avaliada pelos brasileiros desde o governo FHC. Para se ter uma idéia, na pesquisa CNI/Ibope feita em junho de 2002, quando Fernando Henrique Cardoso ainda era presidente, 54% dos entrevistados naquela época afirmaram que a segurança pública piorou no país, enquanto 24% tinham dito que melhorou e 18% que ficou igual.

Na área da saúde podemos constatar esse mesmo movimento: no recente levantamento, divulgado na quarta-feira, 53% dos entrevistados afirmaram que desaprovam a atuação do governo Lula na área, contra 44% que aprovam. Se compararmos esse quadro com aquele averiguado em junho de 2002, quando o atual candidato José Serra era ministro da Saúde, do governo FHC, perceberemos que não houve alteração: naquele levantamento CNI/Ibope apenas 45% dos entrevistados afirmaram que a saúde melhorou no Brasil. Ou seja, Serra se gaba de ter sido um excelente ministro da Saúde, mas a verdade é que no período em que ele esteve à frente do ministério, uma expressiva parcela de brasileiros também criticava a atuação do governo na Saúde.

Outro dado interessante que vale a pena ser analisado: se visualizarmos o corte regional da pesquisa CNI/Ibope divulgada na quarta-feira, 23, perceberemos que a desaprovação da atuação do governo Lula na saúde é superior à aprovação apenas na região Sudeste, onde 63% dos entrevistados afirmam desaprovar e 34% afirmam aprovar. E o que tem isso a ver? Ora, dos quatro estados que compõem a região Sudeste, os dois maiores (São Paulo e Minas Gerais) são governados pelo PSDB, sendo que até março deste ano o próprio Serra governava São Paulo e, segundo dados do DataSUS, esses dois estados não vêm cumprindo a meta mínima de 12% dos recursos aplicados em saúde pública.

Isso permite constatar que a avaliação negativa da saúde no Brasil é explicada, em parte, pela avaliação ruim da atuação dos governos estaduais nessa área, especialmente, como dito, na região onde o PSDB governa os dois maiores estados. Não é exagero afirmar isto, uma vez que os estados são responsáveis pela aplicação das verbas do SUS, sendo que esse mesmo raciocínio vale para a área da segurança pública, que, constitucionalmente, é atribuição dos Estados e não propriamente do governo federal. A idéia de que uma parte da má avaliação na área da saúde decorre de fatores dos estados fica ainda mais plausível se levarmos em conta que no Norte/Centro-Oeste, Nordeste e Sul o percentual de aprovação da saúde é maior que o de desaprovação, segundo os dados do Ibope.

Outro detalhe que deve ser salientado: em um levantamento feito pelo Ibope em agosto de 2002, o instituto revelou que, para os eleitores, os três principais problemas do Brasil naquele momento eram: o desemprego (69%), a segurança pública (42%) e a Saúde (38%). Logo, percebemos que não adianta Serra dizer, como tem feito na TV e em suas entrevistas, que a saúde e a segurança pública pioraram no Brasil, pois eram áreas sensíveis também no governo FHC, do qual foi ministro da Saúde a maior parte do tempo. Por fim, voltando à pesquisa CNI/Ibope desta semana, no que se refere à atuação do governo Lula em relação aos impostos, 52% dos entrevistados desaprovam, ao passo que 41% aprovam.

Percebe-se, dessa maneira, que de um modo geral o resultado da pesquisa é muito favorável, pois mostra que em cinco das nove áreas pesquisadas a avaliação positiva do governo Lula é bem superior à avaliação negativa. Além disso, nas áreas onde a avaliação negativa predomina, os problemas são de longa data e, como dito anteriormente, sofrem influência das políticas dos governos estaduais, haja vista que das três áreas nesta situação, duas são de responsabilidade do governo do Estado. Assim, não adianta a oposição querer usar estas áreas para criticar o governo Lula, como tem feito, uma vez que quando o PSDB esteve no governo estas também foram áreas críticas, conforme revelam levantamentos anteriores.

CNI/Ibope: Dilma cresce em todas as regiões e tem maior parte de votos consolidados

Mais importante que a confirmação, pela mais recente pesquisa CNI/Ibope, da liderança da candidata do PT, Dilma Rousseff, na disputa pela sucessão presidencial, com 40% das intenções de voto, é o cenário amplamente favorável para a candidatura petista que os cortes do levantamento nos revelam. Neste sentido, ao analisarmos as minúcias da pesquisa podemos visualizar um ambiente amplamente favorável a um processo de contínuo crescimento de Dilma, elevando, dessa forma, o favoritismo da ex-ministra nesta disputa eleitoral.

De uma maneira geral, podemos avaliar que, à medida que Dilma vai se tornando mais conhecida pelos eleitores e estes vão associando sua imagem ao presidente Lula, ampliam-se as intenções de voto na petista, especialmente nos segmentos de menor renda. Isso propicia o avanço da ex-ministra inclusive em regiões onde em levantamentos anteriores o seu principal adversário, o tucano José Serra, mantinha a liderança. Contudo, vamos nos atentar a três pontos fundamentais da pesquisa que nos permitem dizer com que, atualmente, Dilma é a favorita para a sucessão do presidente Lula:

01. Dilma tem o maior percentual de votos cristalizados: o primeiro aspecto que iremos analisar aqui se refere aos votos cristalizados de cada candidato, ou seja, o percentual de eleitores que já definiram o seu voto e afirmam que votarão com certeza neste ou naquele candidato. Neste quesito, Dilma leva a melhor por duas razões: o percentual de votos cristalizados da petista é superior ao dos outros dois principais postulantes do cargo (Serra e Marina); e a candidata do PT é a que tem, dentro de suas intenções de voto, o maior percentual consolidado, reduzindo, assim, a volatilidade de suas intenções de voto.

Vejamos: de acordo com o Ibope, 35% dos eleitores entrevistados afirmam que votarão com certeza em Dilma. Como a petista pontuou 40% neste levantamento, isto quer dizer que de todos aqueles que declararam voto na ex-ministra, 87,5% estão com seus votos já definidos em favor de Dilma. Dessa maneira, o percentual de votos “voláteis” seria de 12,5% do total declarado à petista. Enquanto isso, 29% dos eleitores entrevistados afirmaram votar com certeza em Serra, o que corresponde a 83% do universo de 35% dos eleitores que declararam voto no candidato tucano nesta pesquisa. Assim, do total pontuado pelo ex-governador de São Paulo nesta pesquisa, 17% seriam de votos “voláteis”.

Já no caso de Marina, 7% dos eleitores afirmaram que votarão com certeza nela, o que representa 78% do total de eleitores que declararam voto nela nesse levantamento. Se fizermos a análise sob o espectro dinâmico, perceberemos que Dilma foi a candidata que mais consolidou votos desde março, quando foi feito o último levantamento CNI/Ibope. Naquela ocasião, 29% dos eleitores afirmavam votar com certeza na petista, de forma que houve um ganho de 6 pontos percentuais até junho. No caso de Serra, em março ele aparecia com 27% dos votos cristalizados, de modo que ganhou apenas 2 pontos percentuais, ao passo que Marina não registrou oscilação, pois em março aparecia com os mesmos 7% de votos certos.

02. Dilma passa Serra no Sudeste: no corte regional da pesquisa CNI/Ibope podemos constatar também um favoritismo de Dilma. Isto porque a petista aparece à frente do tucano na região Sudeste, que agrega os três maiores colégios eleitorais do Brasil (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro). Segundo o levantamento, Dilma aparece com 37% das intenções de voto no Sudeste, contra 36% de Serra, ligeiramente à frente dentro da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais. No levantamento anterior, feito em março, o tucano aparecia com 15 pontos de vantagem sobre Dilma (40% a 25%), de forma que o movimento apurado por esta pesquisa é extremamente positivo para a petista.

Nas demais regiões, o quadro é o seguinte: no Nordeste, Dilma lidera com 47% das intenções de voto contra 30% de Serra; no Norte/Centro-Oeste a petista alcança 40% das intenções de voto frente a 34% do tucano e, no Sul, o ex-governador atinge 42% das intenções de voto, sendo a única região onde está à frente da ex-ministra, que aparece com 34% das intenções de voto. Devemos destacar aqui dois pontos: a liderança isolada de Dilma no Nordeste (que responde por 28% do eleitorado) e também a redução da vantagem de Serra no Sul (região que agrega 15% do eleitorado brasileiro). Percebe-se, aqui, que em todas as regiões brasileiras a petista tem firmado uma trajetória de crescimento consistente.

03. Apoio de Lula tem grande peso na decisão dos eleitores: outro ponto importante que amplia o favoritismo de Dilma nesta disputa é o elevado peso que o apoio do presidente Lula tem sobre a decisão de voto dos eleitores. Neste aspecto, de acordo com a pesquisa CNI/Ibope, 48% dos eleitores afirmam que preferem votar em um candidato apoiado por Lula, ao passo que apenas 10% afirmaram que preferem votar em um candidato da oposição. Por outro lado, 37% declararam que não levarão em conta na sua decisão de voto o apoio dado pelo presidente Lula a um determinado candidato.

Dentre os eleitores que afirmam que preferem votar em um candidato apoiado por Lula, 90% situam-se na faixa de renda até 5 salários mínimos mensais. Para se ter uma idéia, dentre os eleitores que ganham até 1 salário mínimo, 62% afirmam que preferem votar em um candidato apoiado pelo presidente Lula. Se considerarmos a faixa de renda até 5 salários mínimos, nada menos que 52% dos eleitores neste intervalo de rendimento declararam preferência pelo candidato apoiado pelo presidente Lula, ampliando, assim, a margem de favoritismo de Dilma na sucessão presidencial.

É interessante ainda salientar que nas regiões Norte/Centro-Oeste, Nordeste e inclusive no Sudeste, o percentual de eleitores que preferem votar em um candidato apoiado por Lula é maior do que aqueles que dizem que não levarão em conta o apoio do presidente. Apenas na região Sul, o percentual de eleitores que declaram que não levarão em conta o apoio do presidente Lula é superior ao percentual dos que afirmam preferir o candidato apoiado pelo presidente. Isto nos mostra com clareza que o apoio do presidente Lula continua sendo um fator preponderante na escolha de grande parte dos eleitores brasileiros, o que favorece amplamente a candidatura de Dilma.

O que se percebe nestes pontos levantados é que Dilma tem obtido melhor êxito do que seus concorrentes na consolidação de votos, construindo cada vez mais uma candidatura sólida e com um favoritismo cada dia maior. Chegou-se a cogitar, no início da pré-campanha, que a disputa assumiria um caráter regional, mas o que se percebe no corte geográfico das recentes pesquisas, é que a petista tem crescido continuadamente em todas as regiões, inclusive no Sudeste, onde o tucano tinha ampla vantagem há alguns meses. Isso, sem dúvida, amplia consideravelmente o cenário de favoritismo de Dilma, especialmente se lembrarmos que ela começa a campanha em uma situação mais confortável que a seu principal adversário.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dilma abre vantagem sobre Serra e lidera corrida presidencial, revela CNI/Ibope

Em trajetória de forte crescimento desde o início da pré-campanha, a candidata do PT à Presidência da República lidera a corrida presidencial brasileira, de acordo com pesquisa CNI/Ibope divulgada no final da tarde desta quarta-feira, 23. De acordo com o levantamento, a petista atinge 40% das intenções de voto, um avanço de 7 pontos percentuais frente à pesquisa CNI/Ibope anterior, realizada em março. Em trajetória contrária, o seu principal adversário, José Serra (PSDB), recuou 3 pontos percentuais para 35% das intenções de voto.

A candidata do PV, Marina Silva, oscilou dentro da margem de erro para 9% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 6%, enquanto 10% não souberam ou não quiseram responder. Em outro cenário, onde são apresentados os nomes de todos os candidatos, Dilma também lidera, com 38% das intenções de voto contra 32% de Serra. Marina aparece com 7%, enquanto brancos e nulos somam 6,3% e eleitores indecisos atingem 13,8%. É interessante destacar que a pesquisa CNI/Ibope também revelou liderança de Dilma no cenário espontâneo, ou seja, naquele onde os eleitores declaram voto sem acesso a uma lista de nomes.

Neste cenário, a petista é lembrada por 22% dos eleitores, o que representa um crescimento de 8 pontos percentuais frente ao patamar registrado em março. O ex-governador de São Paulo, por sua vez, pontua 16%, avanço de 6 pontos percentuais na mesma comparação. O presidente Lula, que não pode concorrer ao cargo, é lembrado por 9% dos entrevistados, um recuo de 11 pontos percentuais frente a março, ao passo que Marina Silva pontua 3% no cenário espontâneo. O índice de eleitores indecisos neste quadro permanece elevado, em 40%, segundo o levantamento.

Dilma vence eleição no 2º turno
A pesquisa CNI/Ibope também trouxe uma simulação de segundo turno, confirmando o favoritismo da petista. Neste sentido, num eventual segundo turno entre Dilma e Serra, a ex-ministra vence a eleição, com 45% das intenções de voto contra 38% do ex-governador de São Paulo. É interessante destacar que a petista avançou 6 pontos percentuais nesta simulação, enquanto o tucano recuou os mesmos 6 pontos percentuais em relação ao levantamento feito anteriormente, em março deste ano.

É interessante destacar que houve um crescimento também no percentual de eleitores que identificam Dilma como candidata do presidente Lula. De acordo com a pesquisa CNI/Ibope, 73% dos entrevistados afirmam que Dilma é a candidata de Lula, um percentual acima do registrado em março, quando esta associação era feita por 58% dos entrevistados. Outro ponto importante a ser destacado é que Dilma apresenta a menor rejeição dentre os candidatos, de 23% (um recuo de 4 pontos percentuais frente a março). Serra por outro lado apresenta rejeição de 30% (um avanço de 5 pontos percentuais no mesmo período).

A pesquisa Ibope foi feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria (CNI), entre os dias 19 e 21 de junho. Foram entrevistados 2002 eleitores em 140 municípios brasileiros. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais.

quarta-feira, 17 de março de 2010

Pesquisa CNI/Ibope confirma cenário otimista para candidatura governista



O fato de as pesquisas tratarem de “retratos do momento” e o mais importante ser, por isso, a análise da tendência da intenção de voto nos diversos candidatos é ponto consensual dentre os analistas políticos. Partindo dessa premissa, a pesquisa CNI/Ibope, divulgada nesta quarta-feira, 17 de março, veio confirmar o cenário amplamente favorável para a pré-candidata do governo, Dilma Rousseff.

Na pesquisa estimulada, ou seja, naquela em que uma lista de nomes é apresentada aos entrevistados, Dilma aparece com 30% das intenções de voto, encostando em Serra, que tem 35%. Esses números por si só já revelam um cenário otimista para a pré-candidata do PT, visto que em dezembro de 2009, quando foi feito o último levantamento CNI/Ibope, Dilma contava com 17% das intenções de voto contra 38% de Serra. Ou seja, enquanto Dilma subiu 13 pontos percentuais, o tucano caiu 3 pontos.

Diante do quadro, a oposição já se apressa em pontuar argumentos para minimizar esse avanço significativo de Dilma nas pesquisas de intenções de voto. O primeiro desses argumentos é que o crescimento de Dilma está relacionado à maior exposição da ministra na mídia, já que tem aparecido bastante ao lado do presidente Lula na inauguração de obras e nos eventos oficiais. O segundo ponto, defendido principalmente pelo ex-prefeito do Rio, César Maia (DEM), é de que esse crescimento já era esperado, visto que o PT tem um patamar histórico de votos em torno dos 30%.

Um terceiro ponto, destacado pela oposição, é de que a tendência, a partir de abril, seja de que a intenção de votos na ministra se estabilize na casa dos 30%, visto que após o dia 2 do próximo mês, Dilma deverá se retirar do cargo de ministra-chefe da Casa Civil, atendendo agenda estipulada pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Passemos a analisar esses três pontos destacados no discurso da oposição a partir das recentes pesquisas e fatos:

Serra tem maior exposição que Dilma
O primeiro ponto que devemos destacar é que Serra é um candidato mais conhecido do que Dilma. De acordo com os números apresentados pela pesquisa CNI/Ibope de março, 65% dos entrevistados declararam conhecer bem ou “mais o menos” o candidato tucano. Enquanto isso, o percentual de entrevistados que conhecem bem ou “mais ou menos” Dilma é de 44%.

Ou seja, este argumento de super-exposição da ministra apresentado pela oposição não confere, já que Serra é bastante conhecido no Brasil desde 1998, quando assumiu o ministério da Saúde no então governo FHC. Além do fato de que o noticiário durante o período de coleta dos dados da entrevista (6 e 10 de março) foi recheado por factóides criados pela mídia direitista e que supostamente poderiam repercutir negativamente na pré-candidatura de Dilma.

Mudança no perfil do eleitorado petista
A afirmação de que Dilma encontra-se no patamar histórico de votos do PT e por isso tende a se estabilizar é duplamente falaciosa. Isto porque houve uma mudança significativa no perfil do eleitorado petista, especialmente a partir de 2006. Desde o seu surgimento, em 1980, o PT ganhou a simpatia de setores da classe média (especialmente ligados à intelectualidade) e também dos setores sindicais. Contudo, não havia uma identificação das classes mais baixas com o PT, fato que explica inclusive os resultados eleitorais nos pleitos de 1989, 1994 e 1998.

A partir do primeiro mandato do presidente Lula (2002-2006), o desenvolvimento de programas sociais de transferência de renda passou a beneficiar decisivamente milhões de brasileiros considerados em situação de pobreza e de extrema pobreza. Já nas eleições de 2006, Lula foi reeleito com folga justamente devido ao voto desses milhões de brasileiros beneficiados pelos programas do governo federal. Ou seja, enquanto uma parcela da classe média se afastou do PT, setores mais populares tendem a se aproximar muito do Partido, em função da identificação com Lula.

Logo, hoje a base eleitoral do PT tende a ser consideravelmente maior do que no passado, quando o partido só contava com os votos de setores da classe média e por isso seu desempenho eleitoral ficava em torno dos 30%. A tendência é de que se firme um novo patamar histórico de intenções de votos no partido, bem maior do que esses 30% sugeridos pela oposição, exatamente em função da aglutinação das classes mais populares.

Capacidade de votos de Dilma é muito grande
Um outro aspecto revelado pela pesquisa CNI/Ibope é crucial para derrubar o discurso demo-tucano de que a candidatura de Dilma deve se estabilizar na casa dos 30%: de acordo com o levantamento, 53% dos entrevistados pretendem votar no candidato apoiado pelo presidente Lula. Contudo, a parcela de entrevistados que conhece a candidata de Lula é de 58%. Ou seja, uma parcela expressiva de 42% dos entrevistados ainda desconhece que Dilma é candidata de Lula, o que amplia consideravelmente a capacidade de votos da petista.

Sem contar que, se analisarmos os dados do Ibope segmentados por faixa de renda, notaremos que dentre os que ganham até 1 salário mínimo, apenas 28% conhecem bem ou “mais ou menos” Dilma. Isso nos traz uma revelação importante: que justamente nesse novo eleitorado petista, o conhecimento da ministra como candidata de Lula ainda é relativamente baixo e tende a ser ampliado com o início da campanha, em julho.

Para se ter uma idéia, no Nordeste e entre os que ganham até 1 salário mínimo, o peso da apoio de Lula atinge a expressiva marca dos 69%. Ou seja, a pesquisa CNI/Ibope confirma o cenário otimista para a candidatura governista, já apontado pelo Datafolha, e certamente deve tirar o sono da oposição nos próximos meses.