segunda-feira, 5 de julho de 2010

Os desafios da campanha de Dilma na região Sul

A região Sul, que atende por 15% do eleitorado brasileiro, é atualmente um dos maiores desafios da campanha da petista Dilma Rousseff à Presidência da República. Isto porque, ao contrário das demais regiões, aonde Dilma vem crescendo continuadamente, no Sul a vantagem do tucano José Serra ainda é bem grande, de modo que a região vem recebendo atenção especial do alto comando da campanha do PT. Não é por menos que nesta terça-feira, 6, a candidata do PT começará no Rio Grande do Sul a sua campanha oficial à Presidência da República.

A escolha do Rio Grande do Sul, neste sentido, se mostra bastante acertada se considerarmos três fatores principais: 1) com 8 milhões de eleitores, o estado é o quinto maior colégio eleitoral do país e puxa bastante votos na região como um todo; 2) após o período de luta contra a ditadura e sua posterior prisão, Dilma reiniciou sua atuação política no Rio Grande do Sul, tendo iniciado, ali, inclusive sua vida pública, à frente da Secretaria da Fazenda de Porto Alegre (na gestão Alceu Colares); e 3) apesar da desvantagem de Dilma em relação a Serra, a petista pode se aproveitar das boas perspectivas para a campanha regional do PT, já que o candidato do partido ao Palácio Piratini, Tarso Genro, ocupa a dianteira das pesquisas.

O estado do Rio Grande revela-se, assim, como uma boa oportunidade para Dilma começar a reverter a vantagem de Serra na região, especialmente se levarmos em conta pesquisas internas do PT que mostram que a ex-ministra tem grande potencial de crescimento no estado. Neste sentido, as atuais pesquisas mostram a petista com melhor desempenho nas regiões da Campanha Gaúcha e da fronteira, sendo que o tucano abre larga vantagem, sobretudo, na região metropolitana de Porto Alegre e na Região Serrana. Exatamente por isso a escolha de Porto Alegre pela coordenação da campanha para Dilma iniciar ali a sua campanha oficial.

O Sul e o antipetismo
A resistência que o PT vem encontrando nos últimos anos na região Sul deve ser objeto de estudos acadêmicos mais aprofundados, uma vez que na década de 80 e 90 era exatamente nessa região que o Partido dos Trabalhadores tinha os seus melhores desempenhos eleitorais. Basta lembrar que o PT ficou à frente da Prefeitura de Porto Alegre durante 16 anos (entre 1988 e 2004), tendo ocupado, inclusive, o Palácio Piratini, entre 1998 e 2002, quando Olívio Dutra foi governador do Estado (vale destacar que neste período, Dilma Rousseff era a Secretária de Energia, Minas e Telecomunicações do governo Olívio Dutra). Ou seja, o PT sempre foi uma força política de destaque no Estado.

O que explicaria, então, a resistência à candidatura de Dilma no estado, já que o candidato do PT ao Piratini está em primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto? Sem a pretensão de enumerarmos aqui todos os fatores que podem explicar tal cenário, uma vez que estes seriam, como dito anteriormente, fruto de pesquisas acadêmicas mais aprofundadas sobre a questão, podemos especular sobre alguns motivos que explicam essa aparente dissonância. É certo que o PT sempre foi uma força política expressiva no Rio Grande, mas no plano regional sempre houve uma disputa mais acirrada entre o PT e partidos como o PP e PMDB, que estão na base de apoio nacional à candidatura de Dilma. Tanto que são essas discrepâncias regionais que levaram os diretórios gaúchos desses dois partidos a não darem o palanque para Dilma nestas eleições.

Se analisarmos também a linha histórica, poderemos constatar que o “antipetismo” ganhou maior força na região Sul, sobretudo no Rio Grande, após a crise de 2005, quando veio à tona o pseudo-escândalo do “mensalão”. Tanto existe correlação que se formos checar o desempenho do PT na região na eleição de 2006, veremos que houve uma profunda mudança com relação ao quadro de 2002. Enquanto nas eleições de 2002 Lula venceu com folga em todos os estados da região Sul, em 2006 o tucano Geraldo Alckmin teve 51% dos votos do Sul, ao passo que Lula teve 32%. Há que se considerar também o peso da questão econômica sobre a formação e decisão do voto para o eleitor da região Sul.

É fato que os três estados que compõem a região possuem uma das melhores infra-estruturas do país. Sem contar o fato de que o Sul possui o maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) dentre as regiões brasileiras. Se levarmos em conta esses aspectos, poderemos entender que o peso dos programas de transferência de renda e de valorização do salário mínimo promovidos pelo governo Lula é menor no Sul do que em regiões como Nordeste e Norte, onde o IDH é menor. Assim, pode-se pensar que exista um sentimento dentre o eleitor do Sul, em sua maioria de classe média, de que eles estão “pagando a conta” dos programas sociais desenvolvidos pelo governo Lula, o que pode ser um fator que explique o antipetismo na região.

No caso específico do Rio Grande do Sul existe ainda outro fator que, premeditadamente criado e alimentado pela imprensa local com clara finalidade política, contribuiu para que se ampliasse o antipetismo no estado. Trata-se da perda de uma fábrica da Ford que seria instalada em Guaíba, município da região metropolitana de Porto Alegre, ainda na gestão Olívio Dutra à frente do Piratini. A empresa, ao invés de se instalar no Rio Grande optou por construir sua planta na Bahia, em função dos incentivos fiscais oferecidos pelo governo baiano na época. Naturalmente, o governo de Olívio Dutra nada teve a ver com a decisão da Ford, mas a imprensa local encarregou-se de fazer parecer que a culpa era dele.

E é exatamente com estes desafios que a campanha de Dilma deverá saber trabalhar para reverter o quadro desfavorável na região Sul. O debate ali deve ser muito mais voltado para a área econômica, sobretudo aspectos ligados à infra-estrutura e logística, além de planejamento urbano. Dando a resposta adequada a estas demandas, a candidata do PT tem todas as condições de virar o jogo na região e ganhar a disputa presidencial também ali, consolidando uma ampla vitória em todo o Brasil.

domingo, 4 de julho de 2010

FHC e a retórica do espelho

É impressionante a facilidade que tem o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em expor idéias que contradizem realidade e teoria. Sem ter algo consistente para falar contra o governo Lula, FHC acaba por dizer qualquer coisa: e o problema é que essa “qualquer coisa” dita pelo ex-sociólogo não encontra sustentação prática e o seu discurso cai na retórica fácil, movida por uma grande vaidade que parece lhe cegar o entendimento. Em seu artigo Eleição sem maquiagem, publicado pelo jornal Estadão neste domingo, 4, FHC não resiste e cai novamente na tentação de querer colocar no governo uma carapuça que não serve a Lula ou Dilma, mas sim à própria oposição.

Vejamos: o ex-presidente, sem ter algo concreto para criticar no Brasil, vai buscar no exterior o fio condutor para a sua argumentação, que mais parece um devaneio político. Começando pela dificuldade que os países desenvolvidos têm enfrentado para superar a crise econômica mundial, o ex-presidente parece tomar para si a profética missão de anunciar um futuro nebuloso para o Brasil: “mas, barbas de molho, as notícias que vêm do exterior, e não só da Europa, mas também da zigue-zagueante economia americana e da letárgica economia japonesa, afora as dúvidas sobre a economia chinesa, não são sinais de uma retomada alentadora”.

E FHC segue seu artigo dizendo que “vive-se no Brasil oficial como se nos tivéssemos transformado numa Noruega tropical”. Assumindo um tom irônico, o ex-sociólogo inicia suas críticas ao governo Lula: “a pobreza existia na época da ‘estagnação’. Agora assistimos ao espetáculo do crescimento, sem travas, dispensando reformas e desautorizando preocupações. Se no governo Geisel se dizia que éramos uma ilha de prosperidade num mundo em crise, hoje a retórica oficial nos dá a impressão de que somos um mundo de prosperidade e o mundo, uma distante ilha em crise. Baixo investimento em infraestrutura? Ora, o PAC resolve. Receio com o aumento do endividamento público e o crescente déficit previdenciário? Ora, preocupação com isso é lá na Europa. Aqui, não. Afinal, Deus é brasileiro”.

A ironia de FHC confunde-se com sua própria vaidade, atingida em cheio pelas realizações do governo Lula, que, sem dúvida nenhuma, foram muito maiores que as do seu período presidencial. Caso as realizações de Lula não tivessem sido tão grandes, como FHC explicaria uma aprovação do governo em níveis superiores aos 75%? Pior, será que a vaidade do ex-sociólogo chega ao ponto dele achar que 75% dos brasileiros estão sendo enganados pelo governo Lula e que ele, o grande sábio da nação, é que mais uma vez está correto? O que o ex-presidente quer tratar como ironia trata-se da mais pura verdade:o Brasil voltou a tomar o rumo do desenvolvimento econômico e também social, já que o crescimento econômico, ao contrário de épocas anteriores, se dá com distribuição de renda.

A ironia oriunda da vaidade ferida
E essa não é a opinião cega de um governo ou de um partido, mas sim da maioria da população brasileira. Além do mais, basta o ex-presidente tomar o cuidado de checar as estatísticas do país para verificar que nestes quase oito anos de governo Lula houve uma grande transformação, em todas as áreas da economia e da sociedade. O Brasil está exportando mais, nossa balança comercial apresenta sucessivos superávits (nos oito anos de governo FHC, a balança comercial foi deficitária em seis), a geração de empregos formais atinge níveis recordes, regiões que anteriormente eram preteridas na formulação de políticas de desenvolvimento, hoje são beneficiadas. Enfim, são inúmeras as transformações pelas quais o Brasil está passando, de modo que não há “maquiagem” como FHC insinua.

O ex-sociólogo segue dizendo que “infelizmente, estamos às voltas com distrações. Um cântico de louvor às nossas grandezas, de uma falta de realismo assustador. Embarcamos na antiga tese do Brasil potência e, sem olhar em volta, propomo-nos a dar saltos sem saber com que recursos: trem-bala de custos desconhecidos, pré-sal sem atenção ao impacto do desastre no Golfo do México sobre os custos futuros da extração do petróleo, capitalização da Petrobrás de proporções gigantescas, uma Petro-Sal de propósitos incertos e tamanho imprevisível. Tudo grandioso. Fala-se mais do que se faz”. Aqui fica claro que enquanto o governo Lula canta o “cântico de louvor às nossas grandezas”, FHC quer cantar o “cântico do atraso”, pois pelo que se pode depreender, o ex-presidente questiona projetos importantes para o país, como o trem bala, o pré-sal e a própria capitalização da Petrobras.

É bom que se lembre aqui que FHC e os tucanos como um todo nunca acreditaram na Petrobras. Para eles, a estatal é um ônus e não um bônus. Basta rememorar a tentativa (felizmente frustrada) do governo FHC de tentar trocar o nome da Petrobras para PetrobraX, ensaiando uma posterior internacionalização do capital da empresa. Agora, imagine o leitor se o capital da Petrobras tivesse sido internacionalizado como queriam os tucanos. De quem seria a maior parte dos recursos do pré-sal? Certamente não seria do Brasil. É importante que se bata nesta tecla para que se compreenda como o “cântico do atraso” entoado por FHC, Serra e seu grupo político pode comprometer o desenvolvimento do Brasil. O ex-sociólogo mais uma vez deixa escorrer pelas entrelinhas do seu discurso que sua preocupação é tão somente fazer caixa, agindo com total irresponsabilidade ao secundarizar o desenvolvimento social no país.

A maquiagem eleitoral de Serra
E como era de se esperar FHC utilizou toda essa retórica vazia para chegar ao ponto que realmente ele queria: as eleições presidenciais de outubro. Segundo o ex-sociólogo, “a encenação para a eleição de outubro já está pronta. Como numa fábula, a candidata do governo, bem penteada e rosada, quase uma princesinha nórdica, dirá tudo o que se espera que diga, especialmente o que o ‘mercado’ e os parceiros internacionais querem ouvir. Mas a própria candidata já alertou: não é um poste. E não é mesmo, espero. Tem uma história, que não bate com o que se quer que ela diga. Cumprirá o que disse?”. O ex-presidente segue afirmando que Dima “não pode dizer o que pensa para não pôr em risco a eleição. Estamos diante de uma personagem a ser moldada pelos marqueteiros. Antigamente, no linguajar que já foi da candidata, se chamava isso de alienação”.

Este trecho do artigo de FHC é particularmente engraçado, já que o ex-presidente quer vestir, agora em Dilma, uma carapuça que serve muito mais a Serra, o candidato tucano. Afinal de contas o “personagem a ser moldado pelos marqueteiros” nesta eleição é o ex-governador de São Paulo. A petista pode dizer o que pensa, pois ela pensa exatamente igual o presidente Lula: tanto que nos últimos cinco anos e meio, Dilma esteve à frente dos principais projetos do governo Lula. Logo, não há motivações para que a candidata do PT esconda o que pensa. Isso tem ficado bastante claro nas entrevistas da petista: ela sempre destaca que o seu governo será de continuidade, não como um simples cópia, mas com avanços. Por outro lado, o candidato da oposição que está encarnando um personagem neste processo eleitoral.

Primeiramente, não é conveniente que Serra dirija duras críticas ao governo Lula (por mais que as tenha), haja vista o elevado grau de popularidade do nosso presidente. Em segundo lugar, a tática de apresentar Serra como uma pseudo-continuidade de Lula mostrou-se infrutífera ao longo da segunda etapa da pré-campanha (entre os meses de abril e maio deste ano). Posto isso, o candidato tucano fica perdido entre criticar ou poupar o governo Lula, o que acaba por fazer com que Serra esconda a sua verdadeira face. É importante que seja salientado isso: Dilma não precisa esconder o que pensa, já Serra precisa. Logo, o “personagem moldado pelos marqueteiros”, fazendo uso da expressão utilizada por FHC, não é Dilma, mas sim o próprio candidato do ex-sociólogo. Por fim, o ex-presidente encerra o seu artigo dizendo que “está na hora de cada candidato, com a alma aberta e a cara lavada, dizer ao País o que pensa”.

E neste ponto não há como discordar de FHC: seria de fato excelente que cada um dos candidatos dissesse abertamente aos eleitores o que pensa. Dilma já está fazendo isso. Aliás, ela sempre fez. Resta, agora, que Serra faça o mesmo, pois o candidato dos comerciais e inserções de TV não é o Serra verdadeiro e sim a “criatura” produzida nos laboratórios de marketing da campanha tucana para tornar o “produto” mais “vendável”. Toda a “maquiagem” que FHC acusa a campanha de Dilma de estar usando, na verdade está sendo usada pelos próprios tucanos, que estão tentando mascarar o seu candidato, o seu projeto e o seu discurso. Ao que parece, FHC escreveu o seu artigo olhando para o espelho, mas errou o alvo, uma vez que tudo aquilo que ele acusa estar cometendo a campanha petista está sendo cometido pelos próprios tucanos.

sábado, 3 de julho de 2010

Ibope mostra Dilma e Serra empatados, após massiva exposição do tucano na TV

Pesquisa Ibope encomendada pela Associação Comercial de São Paulo e divulgada na noite deste sábado, 3, mostrou a candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, empatada com o seu principal oponente, o tucano José Serra, ambos com 39% das intenções de voto. Os números causam um certo estranhamento, à medida que na semana anterior a esta coleta de dados o Ibope divulgou pesquisa mostrando Dilma com uma vantagem de 5 pontos percentuais em relação a Serra. Vale lembrar que na pesquisa CNI/Ibope, divulgada no dia 23 de junho, a petista aparecia com 40% das intenções de voto e o tucano com 35%.

Além de mostrar uma recuperação de Serra e o novo cenário de empate com Dilma, o Ibope revelou que Marina oscilou positivamente dentro da margem de erro, para 10% das intenções de voto. Brancos e nulos somaram 6% e os eleitores indecisos, 7%. Na simulação de segundo turno, o tucano também apresentou uma recuperação, empatando novamente com Dilma ao passar de 38% para 43%. Enquanto isso, a petista se movimentou dentro da margem de erro, de 45% para 43%, de acordo com os dados apresentados neste levantamento. Brancos e nulos somaram 8%, ao passo que o percentual de eleitores indecisos foi de 7%.

Maior exposição de Serra nos últimos dias
A recuperação ensaiada por Serra e traduzida nos números da recente pesquisa Ibope era mais do que esperada, haja vista a forte exposição do candidato nos últimos dias. Durante a última semana, o PSDB exibiu suas inserções que deram foco total ao tucano, destacando sua carreira política. Além disso, deve-se destacar que desde o dia 27, data que coincide com o início da pesquisa de campo, o candidato tucano teve amplo destaque no noticiário, por conta da novela em torno da escolha do seu vice.
Naquela data, teve início o desentendimento entre PSDB e DEM, após os tucanos terem indicado o nome de Álvaro Dias para vice de Serra. Dessa maneira, pode-se dizer que o eleitor “fixou” mais o nome de Serra ao longo destes últimos dias, até mesmo porque não houve inserções de Dilma no período. O Ibope ouviu 2002 eleitores entre os dias 27 e 30 de junho em 140 municípios. A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número 17245/2010.

Qual a importância do tempo de TV nesta disputa presidencial?

Ao longo desta semana, em meio ao entra-e-sai de nomes cotados para a vaga de vice na chapa da oposição, o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia (DEM), trouxe uma discussão bem interessante por meio de seu ex-blog. Reproduzindo trechos de seu artigo na Folha de São Paulo do último dia 26 de junho e acrescentando algumas reflexões, o ex-prefeito carioca trouxe para a mesa o debate em torno da importância do tempo de propaganda na TV para as candidaturas, apresentando a tese que desde 2006 a propaganda televisiva mobiliza em menor grau os eleitores em comparação ao que mobilizava em anos anteriores.

De acordo com César Maia, “no Brasil, um tempo de TV para presidente abaixo de dois minutos elimina o candidato por falta de exposição e informação. Acima de cinco minutos é inócuo e não agrega quase nada, mas pode servir para não dar fôlego aos menores. Nos comerciais, melhor ainda para quem tem mais, pois elimina os com pouco tempo, por um ou dois dias por semana. No programa, a vantagem é zero: todos os demais juntos terão sempre muito mais tempo para distrair o eleitor”. Ou seja, segundo argumentação do ex-prefeito, um tempo de TV de dois minutos é pouco e não ajuda o candidato, mas um tempo superior a cinco minutos também é inútil, pois não prende atenção do telespectador.

O ex-prefeito também reflete que “o candidato, em sua movimentação, contatos diretos, reuniões..., vai conquistando multiplicadores. Até poucos anos atrás tinha a TV como seu instrumento básico. Na medida em que a TV emocionava e mobilizava, ia formando eleitores especiais, eleitores multiplicadores. De uns cinco anos para cá, a TV perdeu esse papel”. Naturalmente, é compreensível que César Maia defenda esse ponto de vista, uma vez que a candidata do PT a Presidência da República, Dilma Rousseff, tem 10 minutos e 26 segundos de propaganda na TV, o que representa quase o dobro do candidato do ex-prefeito, o tucano José Serra, que tem 7 minutos e 7 segundos. Mas afinal qual a importância do tempo de TV em uma campanha?

O tempo de TV nas campanhas de 2002 e 2006
Para entendermos a importância do tempo de TV em uma campanha eleitoral, devemos levar em conta dois outros aspectos que aumentam ou diminuem o grau de importância do tempo de TV. O primeiro desses aspectos diz respeito à percepção do eleitor em relação às condições de vida do país – é sabido que a maior parte dos eleitores brasileiros leva em conta o seu bem-estar para decidir o seu voto. Assim, o que se constata na maioria dos pleitos é a seguinte regra: se o eleitor acredita que o seu padrão de vida está bom ou melhorou, ele vota no governo ou no candidato governista. Por outro lado, se existe uma sensação de que houve uma piora das condições de vida, então o eleitor vota na oposição.

Esse é, digamos, o primeiro filtro do eleitor. Em seguida, outro fundamental e que influencia no grau de importância do tempo de TV é o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos. Assim, quanto menos conhecido for um candidato maior será a importância do tempo de TV para ele: a relação é óbvia, já que esse candidato precisará de maior tempo de exposição para se fazer conhecido ao eleitor. Por outro lado, se temos candidaturas bem conhecidas pelo eleitorado, o tempo de TV se torna menos importante, de fato, mas continua sendo um grande instrumento de mobilização, ao contrário do que afirma em seu artigo o ex-prefeito César Maia. Para exemplificar nossa idéia, vejamos o caso das duas mais recentes eleições presidenciais, cuja distribuição do tempo de TV entre os principais candidatos encontra-se representada na figura abaixo.

Em 2002, a esmagadora maioria da população brasileira não aprovava o governo FHC (segundo o Ibope, a aprovação do presidente FHC no final do seu mandato era de 29%). Dessa maneira, existia uma tendência dos eleitores a votar na oposição a FHC, que naquela eleição era representada pelo então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Por outro lado, José Serra (PSDB), que se tornou mais conhecido após ser ministro da Saúde de FHC, era o candidato da situação. Tanto Lula quanto Serra eram figuras conhecidas, o que acaba, portanto, reduzindo a importância do tempo de TV na definição da eleição. Exatamente por isso que, mesmo com um tempo de TV bem menor do que Serra, Lula foi o vitorioso naquelas eleições, pois o primeiro fator pesou bastante e combinado com o segundo acabou por reduzir a importância da exposição.

No caso das eleições de 2006, a oposição, representada pelo candidato do PSDB Geraldo Alckmin continuava tendo mais tempo de TV do que Lula, que era candidato à reeleição. Aqui, ter mais tempo de TV era importante para Alckmin, uma vez que o tucano era conhecido apenas no estado de São Paulo, onde foi governador, e desconhecido no resto do país. Tanto que as propagandas televisivas ajudaram muito Alckmin subir nas pesquisas em um primeiro momento (entre maio e junho de 2006, quando foram ao ar as inserções e propagandas do PSDB, o tucano subiu 7 pontos percentuais na pesquisa Datafolha). Contudo, a alta aprovação do governo Lula acabou falando mais alto e o presidente foi reeleito no segundo turno com ampla vantagem.

O cenário de 2010
Nas eleições deste ano, temos o seguinte quadro: a esmagadora maioria dos brasileiros (78% segundo Datafolha) aprova o governo Lula, de forma que, se levarmos em conta o primeiro fator, a tendência é de que o eleitor escolha pela candidatura governista. Neste quesito a petista Dilma Rousseff já abre boa vantagem. No segundo aspecto, o candidato da oposição é mais conhecido que a candidata governista, de forma que para Dilma é essencial ter um maior tempo de TV. E aí novamente Dilma segue na vantagem, pois com o arco de alianças costurado para esta eleição, Dilma terá 10 minutos e 26 segundos de propaganda partidária nos blocos de 25 minutos, o que corresponde a 42% do tempo total.

Por outro lado, Serra terá apenas 7 minutos e 7 segundos, ou 28,5% do total. Se compararmos, poderemos visualizar que a petista terá praticamente o dobro do tempo do tucano, o que é importante para ampliar sua exposição e colar sua imagem ainda mais ao presidente Lula. A candidata do PV, Marina Silva, terá meros 1 minuto e 13 segundos, o que corresponde a 5% do tempo total e, neste caso, vale a idéia de César Maia, de que uma candidatura com menos de 2 minutos de TV não deve emplacar. O que se percebe, dessa maneira, é que o tempo de TV será um fator de grande peso nestas eleições, mais do que nos pleitos de 2002 e 2006, quando este fator não foi decisivo, em função do peso maior dos dois outros.

Porém, como em 2010 os dois fatores anteriores se equilibram então o tempo de TV funciona como um “desempate”, que é vantajoso especialmente para Dilma, que terá uma maior exposição nas propagandas de TV. Além disso, deve se reforçar que essa vantagem no tempo de TV deve ampliar ainda mais o efeito multiplicador da campanha, ao contrário do que diz César Maia, pois o eleitor que aprova o presidente Lula tenderá a “vestir a camisa” da candidata que ele apóia. E quando falamos em “vestir a camisa” estamos falando em participar do processo de convencimento daqueles que estão à sua volta, agindo de fato como um multiplicador. É claro que ainda temos toda a campanha pela frente e a propaganda partidária no rádio e na TV começa só no dia 17 de agosto, mas Dilma tem todo o favoritismo para vencer estas eleições.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

Datafolha: independente do voto, mais eleitores acreditam na vitória de Dilma do que de Serra

Apesar do empate técnico entre a candidata do PT, Dilma Rousseff, e o candidato tucano, José Serra, mostrado pela pesquisa Datafolha nesta sexta-feira, 2, grande parte dos entrevistados acredita em uma vitória de Dilma nestas eleições. De acordo com o levantamento, 43% dos entrevistados, independentemente de sua intenção de voto, acreditam que Dilma será vitoriosa nas eleições de outubro, enquanto apenas 33% afirmam que Serra ganhará as eleições e 21% afirmam não saber. O favoritismo da candidata do PT é apontado principalmente por parte do eleitorado masculino, com escolaridade superior e renda acima de 10 salários mínimos por mês.

Neste sentido, os números do Datafolha revelam que 52% dos homens acreditam que a ex-ministra vencerá as eleições de outubro, ao passo que 55% dos eleitores com ensino superior têm essa mesma visão. Dilma é apontada como vencedora do pleito também por 52% dos entrevistados que ganham mensalmente acima de 10 salários mínimos. Enquanto isso, o favoritismo de Serra é visto principalmente na região Sul, onde 40% acreditam que ele será o próximo presidente da República. Como era de se esperar o maior favoritismo de Dilma se dá entre os seus eleitores: 83% dos entrevistados que declaram voto em Dilma acreditam que ela será a vencedora das eleições de outubro.

Dos entrevistados que declararam voto em José Serra, apenas 65% acreditam que ele será vitorioso. Essa percepção dos eleitores entrevistados pelo Datafolha de que Dilma tem um maior favoritismo do que Serra na disputa presidencial é bem positiva para a campanha petista, uma vez que os eleitores indecisos ou mesmo aqueles que declaram que podem mudar o voto tendem a ser influenciados de alguma forma por essa tendência de vitória de um candidato. Naturalmente devem-se levar em conta outros aspectos que moldam a orientação do voto do eleitor inicialmente indeciso, mas é inegável o forte peso que se tem a percepção de que determinada candidatura deve ser vitoriosa.

Maior parte dos votos indecisos tende a Dilma
Outro aspecto interessante revelado pela pesquisa Datafolha diz respeito à solidez da decisão de voto. Neste sentido, o levantamento mostra que 71% dos eleitores se declararam totalmente decididos quanto ao seu voto. A cristalização do voto é maior ainda dentre os eleitores que declararam voto em Dilma: segundo os números do Datafolha, de todos os entrevistados que afirmaram votar em Dilma, 78% disseram que estão com seu voto totalmente decidido. Enquanto isso, dentre aqueles que declararam voto no candidato tucano, 70% afirmaram que estão com voto definido, ao passo que entre os eleitores de Marina Silva, 58% afirmaram estar com voto totalmente definido.

Por outro lado, 26% dos entrevistados declararam que ainda podem mudar o seu voto e aqui o Datafolha traz mais uma boa notícia para a campanha petista. De acordo com o levantamento, em caso de mudança de voto, Dilma deve ser a maior beneficiada, recebendo 28% dos votos, contra 24% de Serra e 23% de Marina. Enquanto isso, 18% declararam que não sabem em quem votariam. É interessante destacar que boa parte desses eleitores indecisos está na faixa etária dos mais jovens, entre 16 e 24 anos, onde 37% afirmam que ainda podem mudar o seu voto.

O Datafolha mostra também que o apoio do Presidente Lula continua tendo forte peso na decisão dos eleitores. De acordo com o levantamento, 41% dos entrevistados afirmaram que votarão com certeza em um candidato apoiado por Lula, enquanto 24% declaram que podem votar em um candidato apoiado pelo Presidente. Por outro lado, 28% declaram que não votariam em um candidato apoiado por Lula. Segundo o levantamento, 75% dos entrevistados declararam que Dilma é a candidata apoiada pelo presidente Lula, sendo que essa identificação foi maior nas regiões Norte/Centro-Oeste (77%) e menor no Nordeste (72%), de acordo com os números da pesquisa.

A pesquisa Datafolha foi feita entre os dias 30 de junho e 1º de julho em 163 municípios de todo o Brasil. Foram feitas ao todo 2.658 entrevistas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. Essa pesquisa está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) com o número 17162/2010.

Em descompasso com outras pesquisas, Datafolha mantém empate entre Dilma e Serra

Contrariando a tendência apresentada pelas pesquisas dos institutos Vox Populi e Ibope, que dão vantagem à candidata do PT Dilma Rousseff, o instituto Datafolha divulgou, na madrugada desta sexta-feira, 2, uma nova pesquisa de intenções de voto, revelando empate técnico entre a petista e o seu principal adversário, o tucano José Serra. De acordo com os números do Datafolha, Serra tem 39% das intenções de voto contra 38% de Dilma, empatados tecnicamente, uma vez que a margem de erro do levantamento é de 2 pontos percentuais. Em relação ao último levantamento, feito em maio, o tucano e a petista oscilaram também dentro da margem de erro.

A candidata do PT, Marina Silva, também se movimentou dentro da margem de erro, porém negativamente, passando de 12% para 10%, ao passo que votos brancos e nulos somaram 4%, enquanto o percentual de eleitores indecisos foi de 8%. De uma maneira geral, pode-se dizer que Serra foi beneficiado pelas exposições freqüentes que teve nos programas partidários do DEM, PPS, PTB e PSDB ao longo do mês de junho, nos quais ele foi protagonista em todas. Ao contrário de maio, quando apenas 29% declaravam ter visto algum programa de Serra e 37% de Dilma, neste levantamento do Datafolha 50% dos entrevistados declararam ter visto algum programa do tucano, contra 34% da petista.

Serra tem a maior rejeição
Naturalmente, essa maior exposição de Serra contribui para uma movimentação positiva dentro da margem de erro, já que os eleitores assistem ao programa e fixam o nome do tucano, especialmente pelo fato de que houve poucas inserções de Dilma neste mês. Na pesquisa espontânea, ou seja, naquela em que não são apresentados nomes aos eleitores, Dilma lidera, sendo lembrada por 22% dos entrevistados (avanço de 3 pontos percentuais), enquanto Serra aparece com 19% (crescimento de 5 pontos percentuais). É interessante destacar que 5% declaram voto no presidente Lula, enquanto 4% afirmam que votarão no candidato do presidente Lula, o que eleva o potencial de voto espontâneo em Dilma para 31%. A candidata do PV é lembrada por apenas 3%.

O cenário de empate técnico entre Dilma e Serra se repete também na simulação de um segundo turno entre os candidatos, de modo que o tucano alcança 47% das intenções de voto e a petista 45%, de acordo com os números do Datafolha. Brancos e nulos somam 5% e os eleitores indecisos são 4%. O tucano lidera, contudo, quando o assunto é rejeição: 24% dos entrevistados afirmam que não votariam de jeito nenhum em José Serra, ao passo que apenas 20% declaram não votar em Dilma. A rejeição de Marina Silva, por sua vez, é de 14%,segundo a pesquisa divulgada nesta sexta-feira.

Serra cresce 12 pontos no Sul, segundo Datafolha
Se analisarmos o corte regional da pesquisa Datafolha, constataremos que os dados referentes às intenções de voto por região destoam dos demais institutos. Na região Sul, por exemplo, o Datafolha apurou que Serra lidera com 50% das intenções de voto, contra 32% de Dilma. Em relação ao levantamento de maio, o tucano teria subido nada menos que 12 pontos percentuais na região, enquanto a petista teria caído 3 pontos percentuais. Vale destacar que na pesquisa Ibope Serra aparece com 42% no Sul, enquanto na Vox Populi o percentual de votos do tucano na região é de 44%, segundo os mais recentes levantamentos, divulgados na última semana.

Na região Nordeste, por outro lado, Dilma leva a melhor e registra 47% das intenções de voto, contra 30% de Serra. A petista cresceu 3 pontos percentuais, ao passo que o tucano recuou os mesmos 3 pontos percentuais. No Norte/Centro-Oeste, a ex-ministra avançou 2 pontos percentuais para 42% e o ex-governador de São Paulo registrou avanço de 4 pontos percentuais para 38%. No Sudeste, por sua vez, que agrega os três maiores colégios eleitorais do país (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), Dilma tem 33% enquanto Serra tem 43%. Vale destacar que no Ibope e no Vox Populi, o tucano aparece com 37% das intenções de voto na região Sudeste.

A pesquisa Datafolha foi feita entre os dias 30 de junho e 1º de julho, tendo sido entrevistados 2.658 eleitores. A margem de erro é de 2 pontos percentuais.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Eleições nos estados: Dilma tem mais palanques estaduais do que Serra e Marina juntos

Encerrado o prazo oficial estipulado pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para realização das convenções partidárias e definição das chapas que disputarão as eleições Presidenciais e para governos estaduais, marcadas para outubro, podemos constatar a vantagem da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, no que se refere aos palanques estaduais. Isto porque Dilma tem mais palanques nos estados do que seus oponentes José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV) juntos, considerando-se neste levantamento apenas os palanques competitivos.

Para se ter uma idéia, se analisarmos o mapa eleitoral dos estados verificaremos que Dilma sai com ampla vantagem, já que possui 38 palanques fortes estaduais (uma média de 1,4 por Estado), ao passo que Serra possui 24 (média de 0,9 por Estado) e Marina Silva possui apenas 12 (média de 0,4 por Estado). No caso de Marina, devemos destacar que esses 12 palanques se referem à totalidade dos candidatos a governador que o PV irá lançar, sendo que o palanque mais forte é o do candidato ao governo do Rio, Fernando Gabeira, que ainda será dividido entre Marina e Serra.

É interessante destacar que na região Norte, onde Marina nasceu, ela não possui nenhum palanque estadual. Abaixo, apresentamos por região e estado os principais palanques de Dilma e Serra:

Nordeste
Na região Nordeste, onde Dilma tem a sua maior vantagem sobre Serra nas pesquisas de intenções de voto, a petista também leva a melhor na montagem dos palanques regionais. Ao todo, nos 9 estados que compõem a região, Dilma tem um total de 15 palanques, mais que o dobro de Serra, que possui apenas 7 palanques. Vejamos os casos de cada estado:

Norte
Na região Norte, Dilma possui 11 palanques nos 7 estados que compõem a região, contra os 6 palanques de Serra. Confira abaixo:
Centro-Oeste
Na região Centro-Oeste, os palanques estão mais equilibrados, sendo que a petista Dilma tem 5 palanques e o tucano José Serra possui 4 palanques, conforme pode ser visualizado na tabela abaixo:
Sudeste
Na região Sudeste, que possui os três maiores colégios eleitorais do país (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), Dilma possui 5 palanques, contra 4 de Serra, conforme pode ser visualizado abaixo:


Sul
A situação mais equilibrada entre Dilma e Serra ocorre justamente na região Sul, onde tanto a petista quanto o tucano possuem 3 palanques cada um. Confira abaixo: