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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Oposição entra em campo fragilizada, sem tom definido de discurso e com conflitos internos

Talvez o termo “queda de braço” seja um tanto inapropriado para se referir à relação entre governo e oposição neste início de Legislatura, dada a grande diferença de forças entre os dois campos. Tendo saído enfraquecida das urnas nas eleições de outubro passado, a oposição agora, com o início do ano legislativo, finalmente entra em campo com um desafio mais que urgente: definir qual será a tônica do discurso nos próximos anos. Tal definição de tom é alçada à condição de desafio pela própria situação de desorganização do campo oposicionista, que pose facilmente ser constatada nos desentendimentos entre as lideranças dentro do maior partido de oposição – o PSDB.

Uma coisa pelo menos parece estar definida: os oito governadores do PSDB, preferindo manter uma postura republicana com o governo federal, delegaram à bancada do partido no Congresso Nacional a tarefa de fazer oposição a Dilma Rousseff. Mas isso não coloca fim nos problemas; pelo contrário, acirra-os ainda mais, já que, como muito bem definido pelo articulista político Josias de Souza, da Folha de São Paulo, “o PSDB é uma agremiação de amigos formada majoritariamente por inimigos”. Essa frase vem a calhar no caso da bancada tucana na Câmara e no Senado, já que ali, antes mesmo de se definir a tônica do embate externo com o governo, é necessário equacionar o conflito interno existente entre a ala ligada ao senador Aécio Neves e setores ligados ao ex-governador de São Paulo, José Serra.

Conflito interno do PSDB prejudica ainda mais oposição
A expectativa, pelo menos até agora, é que Aécio desponte como liderança natural da oposição nesses próximos anos, de forma a construir sua possível candidatura à Presidência da República em 2014. Entretanto, não é interessante para o ex-governador mineiro forçar essa liderança a partir de grandes atritos com os setores serristas do PSDB. Afinal de contas, embora Serra esteja longe da administração pública, ele ainda não é carta fora do baralho e, ao que tudo indica, nem quer ser. As recentes manifestações públicas do ex-governador de São Paulo no Twitter sinalizam para isso: Serra parece realmente estar disposto a mostrar ao seu partido que ainda tem força política e que o melhor caminho para a oposição seria com ele na liderança, ainda que fora do Legislativo ou do Executivo.

Considerando isso, se Aécio pretende de fato construir sua liderança na oposição terá que “dar um chega pra lá” em Serra, sem, contudo, acirrar os ânimos com o serrismo, já que um conflito interno mais profundo poderia incorrer num desgaste indesejável para o tucano mineiro. É de se esperar que essa disputa interna entre aecistas e serristas acabe por criar, pelo menos nesse início de Legislatura, uma confusão de vozes na bancada oposicionista, até mesmo porque enquanto Serra defende uma oposição mais radical à Presidenta Dilma, Aécio segue a linha de uma oposição moderada, que ele chama de “oposição responsável”. Tanto que na terça-feira, 1, Aécio admitiu a jornalistas a possibilidade de convergência entre governo e oposição no caso de algumas agendas, como a Reforma Política, Tributária e o próprio Pacto Federativo.

Essa dissonância de vozes dentro do maior partido de oposição deve dar certa folga à Presidenta Dilma Rousseff, cujo maior desafio, por incrível que pareça, será administrar a sua própria base aliada, em razão de rusgas pontuais por conta de distribuição de cargos no governo. Se a vida não está fácil para o PSDB, muito menos para o DEM, que também passa por um momento de “crise” interna potencializada pelo possível desligamento do Prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, uma das maiores lideranças da legenda. Vale lembrar que a bancada do DEM na Câmara dos Deputados encolheu de 65 para 43 deputados, dos quais 6 são de Paulo. Dentre os demos eleitos por São Paulo, quatro deles pelo menos estão ligados a Kassab, que deve deixar a legenda em breve para ingressar no PMDB, aliado do governo.

Ou seja, a migração de Kassab para um partido da base aliada pode ter reflexo direto na configuração da oposição na Câmara dos Deputados, tornando ainda mais difícil a situação do campo oposicionista. Em termos do discurso, o DEM ao menos parece possuir uma vantagem em relação ao PSDB: a legenda deve assumir uma tônica mais radical na oposição ao governo, radicalizando à direita o seu discurso. Nesse mesmo caminho parece marchar o PPS, cuja bancada também foi encolhida, de 22 para 12 deputados federais. Esse discurso mais homogêneo entre DEM e PPS ao invés de favorecer a oposição, deve, ao contrário, criar um clima mais nebuloso, uma vez que esses dois partidos devem pressionar o PSDB, líder do campo, para uma rápida definição da tática de jogo. Neste sentido, as faíscas dentro da própria base oposicionista podem aumentar ainda mais.

Novamente, voltamos ao início do jogo. Como dito anteriormente, a definição do discurso da oposição está intimamente ligada à disputa entre o campo aecista e o serrista no PSDB. E aqui sim podemos lançar mão do termo “queda de braço”, pois se engana totalmente quem pensa que Serra é carta fora do baralho. É claro que existe um movimento de bastidor muito claro para que o ex-governador de São Paulo seja levado ao ostracismo. Na semana passada, por exemplo, circulou entre os deputados tucanos um abaixo-assinado para que Sérgio Guerra permanecesse na Presidência do PSDB. Segundo rumores da imprensa, o abaixo-assinado teria sido manobra de grupos ligados a Aécio e Geraldo Alckmin, com o objetivo de jogar Serra “para escanteio” e mantê-lo longe da Presidência do PSDB.

Isso ampliou ainda mais o fogo cruzado entre aecistas e serristas nos últimos dias, estendendo ainda mais o imbróglio instalado no ninho tucano. De um lado, Aécio querendo construir sua liderança no campo oposicionista; de outro, Serra disposto a não abrir mão de uma liderança que julga lhe ser de direito. E enquanto os dois tucanos seguem se bicando no centro da arena oposicionista, DEM e PPS são deixados de lado, tendo também que resolver seus problemas internos. Pelo que se vê, a oposição entra em campo bastante fragilizada: mais pelos seus conflitos internos do que até mesmo por sua redução em termos de bancada. Aliás, é razoável pensarmos que esse conflito, em boa parte, resulta da redução da bancada. Afinal de contas, todos nós sabemos que quanto maior a pressão, maior será a possibilidade do conflito.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Novela tucana: Serra bem que queria liderar oposição, mas esqueceu de combinar com PSDB

Depois de ter jogado para escanteio o ex-Presidente e correligionário Fernando Henrique Cardoso durante a campanha eleitoral do ano passado, agora parece que é a vez de José Serra (PSDB) experimentar do seu próprio veneno. Assim como FHC, Serra caminha para um ostracismo em seu próprio partido. Ainda que em rumos semelhantes, FHC ainda tem uma vantagem sobre Serra: ao menos, ele conseguiu ser Presidente da República, posto tão almejado, mas nunca conseguido pelo ex-governador de São Paulo, que, ao que tudo indica, cairá logo no esquecimento tucano, não por sua vontade, que fique claro.

Já no seu discurso no dia 31 de outubro de 2010, ao reconhecer sua derrota para a atual Presidenta Dilma Rousseff (PT), José Serra mandava um recado não só para seus eleitores, mas principalmente para seus correligionários. Na ocasião, o tucano encerrou sua fala afirmando que “não se tratava de um adeus, mas de um até logo”. Como o jargão popular nos ensina que “para bom entendedor, um pingo é letra”, Serra deixava muito clara ali sua intenção em seguir em evidência, tentando talvez mostrar ali para seus pares que ele seria o melhor nome para liderar a oposição ao terceiro governo petista. De fato, Serra perdeu a eleição com 43% dos votos válidos, o que passa longe de ser uma derrota humilhante.

Não fossem as próprias intrigas fomentadas pelo próprio ex-governador de São Paulo com outras lideranças do PSDB, Serra tinha tudo realmente para assumir essa liderança da oposição e seguir em evidência, ainda que distante temporariamente de cargos eletivos. Mas sua forma de fazer política e de construir seu arco de apoio acabou desagradando a muitos dentro do seu próprio partido, de forma que a sua segunda derrota na disputa pela Presidência da República serviu como motivo mais que suficiente para que grupos ligados ao ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves, e ao atual governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pudessem dar o troco e tirá-lo do “petit commitee” que controla a legenda.

Serra tenta desesperadamente se manter em evidência
José Serra bem que tentou se manter em evidência a todo custo: embora tenha ficado longe dos holofotes entre o final da campanha e as festas de final de ano, o tucano voltou à cena logo após a posse de Dilma Rousseff, já ensaiando uma oposição à Presidenta recém-empossada. Disparou críticas ao governo Lula (chamado por ele de governo Lula-Dilma) em seu Twitter, fez uma viagem a Curitiba e, ao lado do governador do Paraná Beto Richa (PSDB), elevou ainda mais o tom contra o ex-Presidente Lula e sua sucessora. Tudo isso motivado certamente por uma última tentativa desesperada de se manter em cena e mostrar aos seus de que ele ainda podia capitanear o PSDB.

Aliás, essa era a real intenção de Serra, já que a sigla escolhe sua nova direção em maio deste ano. Assumir a Presidência do PSDB seria o melhor caminho para o ex-governador paulista se manter sob os holofotes. Contudo, setores ligados a Aécio e Alckmin trataram de dar uma cartada nessa semana para afastar essa possibilidade de José Serra assumir o controle do PSDB: de acordo com reportagem da Folha, correu no ninho tucano um abaixo-assinado para a continuidade do atual Presidente, Sérgio Guerra, à frente do partido. Como Guerra tem interesse em seguir à frente do PSDB e, por sua vez, Aécio e Alckmin têm mais interesse ainda em tirar Serra do jogo, a chance do tucano derrotado presidir o PSDB a partir de maio é muito remota.

Naturalmente, quando esse abaixo-assinado veio à tona e chegou ao conhecimento público, setores serristas dentro do PSDB, que não sabiam da movimentação, ficaram extremamente irritados e questionaram inclusive os métodos de Sérgio Guerra. O próprio Alckmin declarou na tarde desta quinta-feira, 27, que se Serra quisesse ser Presidente do PSDB, ele o apoiaria. Nada mais natural no jogo de cena tucano. Na política, contudo, mais importante que o movimento no palco é o movimento de bastidor. E nos bastidores, Alckmin e Aécio certamente estão movendo suas peças para garantir que Serra fique bem longe do comando da sigla. As razões para isso são óbvias, já que o ex-governador de São Paulo poderia representar um obstáculo para uma provável candidatura de Aécio à Presidência da República em 2014.

As razões de Aécio para tirar Serra do jogo
É importante lembrar que Serra já tirou Aécio do jogo em dezembro de 2009. Até aquele momento, os dois tucanos pleiteavam a indicação do partido para a disputa presidencial de 2010: Serra defendia que o nome fosse escolhido pela direção do partido através do consenso e Aécio defendia a realização de prévias. Como a idéia de realizar prévias aos poucos foi sendo afastada, devido a manobras muito meticulosas de Serra, Aécio fez um movimento inesperado, mas muito sagaz: retirou sua pré-candidatura à Presidência da República, deixando o caminho livre para Serra. Esse caminho livre, contudo, teve um custo alto para Serra (e que fora muito bem calculado por Aécio): setores aecistas, sobretudo em Minas, atribuíram a Serra a causa da desistência de Aécio (embora o mineiro o negue publicamente), o que fez reacender uma disputa ferrenha entre os dois grupos.

Basta lembrar que durante o próprio processo eleitoral, não houve um empenho claro de Aécio em prol da candidatura de Serra, já que o ex-governador de Minas concentrou suas forças basicamente em sua campanha ao Senado e na campanha de seu vice Antônio Anastasia para o Palácio Tiradentes. Na ocasião, a imprensa chegou a publicar fotos do material de campanha de Anastasia e Aécio, no qual não havia qualquer pedido de voto para Serra. No segundo turno, o então senador eleito teve que se prestar a um jogo de cena e “empenhar-se” para que Serra virasse o jogo em Minas. O cálculo dos tucanos era de que Serra ganhasse em São Paulo e em Minas Gerais poderia vencer as eleições. Mas o empenho de Aécio Neves foi semelhante ao empenho de Jânio Quadros na candidatura de seu correligionário Juarez Távora, nas eleições de 1956.

Conta-se que, durante aquela campanha, Jânio Quadros, então governador de São Paulo pela UDN, recebeu um telefonema do seu correligionário Carlos Lacerda, que governava a Guanabara, cobrando maior empenho de Jânio para a eleição de Juarez Távora, representante da sigla na disputa presidencial. Para não ficar mal na foto, Jânio convocou imediatamente uma reunião com todos seus assessores e secretários de governo, dando ordens expressas para que todos fizessem o possível e o impossível para que Juarez Távora vencesse em São Paulo. Segundo o folclore político, a reunião foi interrompida por um assessor de Jânio, que entrou apressadamente na sala e mostrou uma pesquisa nacional recente, que apontava Távora na frente de Juscelino.

A história conta que Jânio, ao ver a pesquisa, disse pausadamente a todos: “Parem tudo senão ele [Juarez Távora] ganha”. Ou seja, Jânio queria que Juarez Távora tivesse maioria dos votos no estado de São Paulo, mas que não ganhasse a Presidência da República, já que naquele ano o ex-governador de São Paulo já tinha planos de disputar a Presidência em 1960 e preferia fazer a disputa estando na oposição. Este “causo político” foi lembrado apenas para ilustrar o movimento de Aécio no segundo turno: oficialmente, estava “empenhado” pela candidatura de Serra em Minas, mas nos bastidores estava, assim como Jânio, mais preocupado com sua eventual candidatura em 2014. É fato que se Serra houvesse ganhado aquela eleição, tentaria se reeleger em 2014 e afastaria o plano de Aécio.

O troco de Alckmin
As rusgas com Alckmin também refletem disputas internas. Em 2006, Serra, então Prefeito de São Paulo, disputou o governo do Estado a contragosto: segundo relatos, sua intenção era disputar novamente a Presidência, aproveitando o momento de crise do governo Lula. Contudo, o PSDB preferiu lançar o nome de Geraldo Alckmin, então governador do Estado, à Presidência, preterindo Serra. Alckmin perdeu a Presidência e Serra ganhou o governo de São Paulo. Assim que assumiu o Palácio dos Bandeirantes, José Serra determinou a revisão de todos os contratos feitos na gestão anterior, de Alckmin, o que provocou um extremo mal estar entre serristas e alckministas nos bastidores do PSDB.

A tensão entre aliados de Alckmin e aliados de Serra foi intensificada em 2008, quando o PSDB indicou o ex-governador para a disputa da Prefeitura de São Paulo. As primeiras pesquisas eleitorais apontavam Alckmin como favorito e sinalizavam um segundo turno entre ele e a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), com chances reais de vitória do tucano. Serra, no governo do Estado, deu um apoio de “fachada” a Alckmin, mas nos bastidores articulou apoio a Gilberto Kassab (DEM), que foi conduzido à Prefeitura após a renúncia de Serra em 2006 para a disputa do governo do Estado. O apoio de Serra a Kassab, costurado nos bastidores, passou a ser dado de forma descarada no meio da campanha, o que acirrou muito os ânimos entre o grupo ligado a Alckmin e o grupo ligado a Serra.

Percebe-se, dessa maneira, que as práticas políticas “autofágicas” de Serra acabaram isolando-o dentro do seu próprio partido, justificando esse movimento de grupos adversários ao seu neste começo de ano. Como dito anteriormente, a cada dia que passa Serra está mais “marginalizado” dentro do PSDB e dificilmente será conduzido, como quer, à presidência da sigla. Um prêmio de consolação para o ex-governador talvez seja a presidência do Instituto Teotônio Vilela, mas a priori parece que a idéia não é do agrado de José Serra. Contudo, ao que tudo indica, Serra não tem muita escolha: ou é isso ou nada. E do jeito que andam as coisas, talvez Serra fique com nada mesmo! A conferir.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Serra e o indigesto pão de queijo

Fazendo-se uso da matemática eleitoral para avaliar os cenários regionais da disputa presidencial deste ano, podemos inferir que, mantido o atual quadro, os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro caminham para serem os “fiéis da balança”. Isto porque, de acordo com a mais recente pesquisa do Ibope, divulgada no sábado, 5, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, lidera nas regiões Nordeste e Norte, enquanto o tucano José Serra mantém a liderança no Sul e Sudeste. Contudo, no Sudeste a vantagem de Serra vem caindo, especialmente pelo forte crescimento da petista no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Juntos, o Nordeste e Norte/Centro-Oeste agregam 41,4% do eleitorado brasileiro, ao passo que o estado de São Paulo somado com o Sul (regiões onde Serra tem ampla vantagem) representa 38%, equilibrando, assim, as vantagens regionais de um e outro candidato, já que a ligeira diferença na balança equivale exatamente à margem de erro das pesquisas. Ou seja: no Nordeste + Norte/Centro-Oeste Dilma tem vantagem de 33 pontos percentuais sobre Serra, a mesma vantagem que o tucano tem sobre a petista na soma das intenções de voto do Sul com São Paulo, segundo o Ibope, o que explica as atenções dos pré-candidatos cada vez mais voltadas para os palanques de Minas e Rio.

Com a recente disparada de Dilma no Rio de Janeiro, que abriu 17 pontos percentuais de vantagem sobre Serra, Minas passa a ser o estado onde o tucano deposita suas últimas esperanças de recuperar a vantagem inicial na corrida presidencial. A expectativa dos tucanos era de que o estado, até dois meses atrás, comandado pelo correligionário de Serra, Aécio Neves, conseguisse reverter a balança eleitoral de forma a beneficiar a candidatura nacional do PSDB, transformando a elevada aprovação de Aécio entre o eleitorado mineiro em votos para o ex-governador de São Paulo. Contudo, não é esse o movimento que tem sido verificado no estado, o que tem preocupado bastante a campanha de Serra.

Parte da base aecista resiste em apoiar Serra
De acordo com uma reportagem publicada nesta segunda-feira, 7, pela Folha de São Paulo, cerca de um terço da base de apoio a Aécio está relutando em apoiar também a candidatura de José Serra, o que representa um número muito elevado especialmente para um estado considerado por todos os lados como decisivo para a disputa presidencial. Neste sentido, a Folha revela que dos 853 prefeitos de Minas Gerais, 286 são dos três principais partidos que compõem a base de apoio a José Serra: PSDB, DEM e PPS. Ou seja: em tese, o tucano contaria com o apoio de pelo menos um terço dos prefeitos mineiros, um número muito bom já que pode ser ampliado mediante alianças regionais.

Mas as coisas não estão favoráveis a esta conta, pelo menos de acordo com a reportagem da Folha. Desses 286 prefeitos potencialmente da base de apoio a Serra, 79 ainda não se decidiram se irão apoiar ou não o tucano, o que reduz o percentual de apoio efetivo à candidatura nacional da oposição para 24,2% dos prefeitos mineiros. O jornal apura que uma parcela desses prefeitos já se decidiu e irá apoiar a candidatura de Dilma, o que provoca um desespero ainda maior no ninho tucano. A explicação para esta “mudança de lado” é uma resultante de três fatores principais: um sentimento de gratidão desses prefeitos em relação aos repasses feitos pelo governo Lula, um certo ressentimento por Aécio ter sido preterido na disputa presidencial em favor de Serra e principalmente uma não-identificação com o estilo pessoal do ex-governador de São Paulo.

Alguns prefeitos mineiros, como Odilon Oliveira (PSDB), de Oratório, chegaram a declarar à Folha que o próprio Aécio não está empenhado localmente para a eleição de Serra: “Pelo que sei Aécio apóia Serra, mas é assim tanto”, declarou o prefeito da cidade mineira segundo a reportagem. O que é interessante notar aqui é que essa resistência por parte da base aecista para apoiar Serra já vinha sendo esperada por muitos analistas políticos desde o final do ano passado, quando Aécio Neves retirou-se da disputa interna no PSDB para a indicação do candidato do Partido à Presidência da República. Segundo cientistas políticos naquela época, a saída de Aécio do páreo em benefício a Serra alimentaria um sentimento de “inconformismo” nos mineiros em relação aos paulistas.

Neste sentido, tal desfecho remonta ao episódio da sucessão presidencial de 1930, quando o então presidente Washington Luis (paulista), ao invés de indicar o mineiro Antônio Carlos (como era de costume na República Velha), preferiu indicar outro paulista, Júlio Prestes, para a presidência da República, o que acabou provocando uma crise que culminou no fim da chamada “Política do Café com Leite”. Esse sentimento de “ser preterido em benefício a um paulista” de certa forma alimenta se não uma rivalidade, ao menos o que se pode chamar de tensão potencial entre os dois estados, até os dias de hoje. E o movimento feito por parte da base de apoio a Aécio só corrobora esta tese, o que tende a ser muito prejudicial para a pré-candidatura de Serra.

Desafios também no campo governista
Mas se as coisas andam complicadas para o lado de Serra, não estão muito mais favoráveis também para o campo governista em Minas. Isto porque o PT de Minas tem dado certa dor de cabeça à coordenação da campanha de Dilma, por insistir em lançar candidato próprio ao Palácio da Liberdade ao invés de ceder espaço para que o ex-ministro das Telecomunicações, Hélio Costa (PMDB), seja o candidato ao governo, como quer o presidente Lula e a Direção Nacional do PT. Um impasse dessa natureza não é proveitoso em nenhuma situação, muito menos quando ocorre em um estado decisivo para a disputa como é o caso de Minas Gerais. Uma ruptura da aliança PT-PMDB em Minas poderia ser bastante prejudicial para a candidatura de Dilma, fato que tem preocupado muito também a coordenação petista.

É importante salientar que o PMDB possui 120 prefeitos em Minas Gerais, enquanto o PT tem 108. Juntos, portanto, PT e PMDB alcançam 228 prefeituras no estado e que pode ser ampliado ainda mais se admitirmos as alianças regionais pró-Dilma (com partidos como PR, PCdoB, PSB, que já estão na base de apoio nacional) e a soma dos 79 prefeitos da coligação oposicionista que estão relutantes em apoiar Serra. Se considerarmos a adesão de 50 destes 79 prefeitos à campanha de Dilma, a conta ficaria da seguinte maneira: 278 prefeitos apoiando a petista contra 236 apoiando o tucano, não se considerando aqui a aliança com outros partidos, que tende ser benéfica a Dilma.

O que se vê, portanto, é que Minas caminha para um cenário de ampliação do favoritismo de Dilma, desde que equacionada a questão entre PT e PMDB no estado. Do lado de Serra, contudo, o cenário não é dos melhores, pois a esperada resistência do núcleo aecista à pré-candidatura do ex-governador de São Paulo tem sido confirmada. Ao que tudo indica, assim como em 1930, quando a reação de Minas inviabilizou a eleição do paulista Júlio Prestes para a Presidência da República, na disputa desse ano o comportamento do eleitorado mineiro tende novamente a ser decisivo. Entre a pré-candidata de um governo altamente bem avaliado e que, além de tudo é mineira, e o pré-candidato paulista, ao que tudo indica os mineiros ficarão com a primeira opção.

Considerações importantes:
01)É preciso atentar que Minas deve ser o fiel da balança se mantido o atual quadro de equivalência das vantagens de Dilma no Nordeste e Norte/Centro-Oeste e de Serra em São Paulo e no Sul. Qualquer movimento de abertura de vantagem relativa por um dos dois pré-candidatos desloca a centralidade da disputa em Minas Gerais. Por exemplo, a vantagem de Dilma no Nordeste, Norte e Centro-Oeste se torna superior à de Serra em São Paulo e Sul, a petista tem maiores chances de vitória mantido o cenário de empate em Minas e essa mesma lógica, aplicada o lado de Serra, também é verdadeira.

02) Pouco tempo depois da publicação deste texto, as cúpulas do PT e do PMDB mineiros chegaram a um acordo e definiram que o candidato único governista ao Estado será Hélio Costa, sendo o petista Fernando Pimentel candidato ao Senado. É possível também que o PT indique o nome do vice de Hélio Costa, devendo ser Patrus Ananias (que disputou as prévias com Pimentel) ou o deputado federal Virgílio Guimarães. A solução consensual entre PT e PMDB em Minas amplia ainda mais o cenário favorável a Dilma no Estado, como explicado no texto acima.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Petiscos do dia - 19 de abril


Dilma lança seu blog em evento positivo com internautas: a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, lançou na tarde desta segunda-feira, 19, o seu blog pessoal e seus perfis nas redes sociais Orkut e Facebook. A atividade durou cerca de 40 minutos e foi transmitida ao vivo por streaming, sendo acompanhada por nada menos que 4.437 conexões simultâneas, um número bem elevado para este tipo de evento.

Dilma respondeu perguntas de internautas, ao lado de Marcelo Branco, coordenador da campanha da petista pela internet, e de Helena Chagas, também coordenadora da pré-campanha. Segundo a ex-ministra, ela espera realizar esses encontros virtuais uma vez por semana: “toda semana, talvez não uma hora, talvez um pouco menos, eu quero fazer esse diálogo”, acrescentando “eu tenho certeza que vai ser um canal de comunicação entre nós”.

A pré-candidata falou sobre a participação das mulheres na política, sobre a necessidade do combate ao avanço do crack e também sobre questões relacionadas à inclusão digital e banda larga, além do software livre. Perguntada por um internauta se gostava de novelas, Dilma disse que sim, mas que andava sem tempo para ver. Após a atividade com os internautas, a pré-candidata do PT concedeu uma coletiva à imprensa.

Perguntada por repórteres se Serra agia como “lobo em pele de cordeiro” ao dizer que o PAC não passava de uma lista de obras, Dilma comparou o pré-candidato tucano a “uma biruta de aeroporto, porque cada dia é de um jeito”. A ex-ministra ainda disparou: “Lamento que ele fale isso quando voltamos a financiar Estados e municípios de forma exemplar, voltamos a investir o Orçamento Geral da União em municípios e Estados da federação”.

Lula defende direitos indígenas em Raposa Serra do Sol: o presidente Lula participou nesta segunda-feira da comemoração do Dia do Índio na reserva de Raposa Serra do Sol, em Roraima, que foi palco de um conflito entre agricultores e índios por ocasião da demarcação de terras indígenas na região. Lula destacou que interessa muito ao governo federal o desenvolvimento econômico de Roraima, mas respeitando os direitos indígenas.

“Passamos 6 milhões de hectares do governo federal para o estado de Roraima para que a gente pudesse dar terra para quem quisesse trabalhar, sobretudo para pequenos e médios proprietários porque a nos interessa que Roraima seja desenvolvido, cresça economicamente sem tirar o direito dos índios viverem tal como eles queiram viver”, declarou o presidente. O presidente também relembrou que ele e o então ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, foram “demonizados” por agricultores na época da demarcação das terras.

“Era como se nós fôssemos o demônio, porque diziam que iríamos tirar a terra que Roraima precisava para produzir. Um estado com tanta terra ainda sem produzir e alguns queriam exatamente a terra que não era deles, que era dos índios”, afirmou Lula. De acordo com o Blog do Planalto, antes da cerimônia, Lula se reuniu com lideranças indígenas, recebendo os agradecimentos pela demarcação contínua das terras indígenas e também algumas reivindicações: “com uma mão eles me entregaram um documento agradecendo e com a outra entregaram outros 20 documentos reivindicando”, afirmou o presidente.

Globo tira do ar jingle com mensagem pró-Serra: após um jingle em comemoração aos 45 anos da Rede Globo, exibido desde a noite de domingo, gerar muita polêmica por conter uma mensagem subliminar pró-Serra, a emissora decidiu tira-lo do ar nesta segunda-feira. No vídeo veiculado, aparecem atores, jornalistas e apresentadores da emissora e, em um determinado momento, a mensagem: “todos queremos mais. Educação, saúde e, claro, amor e paz. Brasil? Muito mais”!

De acordo com Marcelo Branco, coordenador de campanha da internet da pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, a mensagem tinha um componente subliminar pró-Serra, já que o slogan de campanha do tucano é justamente “O Brasil pode mais”. Diante de toda esta polêmica, a Globo deixou de exibir o jingle em sua grade de programação e também retirou do ar a página que hospedava o vídeo. Segundo informações da Folha Online: “a página da emissora que mostrava a propaganda também saiu do ar. Quem clica nela recebe a seguinte informação: página não encontrada”.

A emissora informou, em comunicado oficial, que “qualquer profissional de comunicação sabe que uma campanha como esta demanda tempo para ser elaborada. Mas a Rede Globo não pretende dar pretexto para ser acusada de ser tendenciosa e está suspendendo a veiculação do filme”.

Serra cumpre agenda em MG, de olho nos votos do Estado: o pré-candidato tucano à Presidência da República, José Serra, cumpriu agenda nesta segunda-feira em Minas Gerais, ao lado do ex-governador Aécio Neves. Novamente, Aécio chamou mais atenção que Serra, já que apareceu de barba ao lado do pré-candidato tucano. Perguntando por jornalistas o novo visual era para se aproximar de Lula, o ex-governador mineiro declarou que não.

“Qual a exclusividade que ele [Lula] tem da barba? Estou aproveitando uns dias para vocês descansarem de mim e eu ir descansando um pouco a pele também”, afirmou Aécio. Em sua estada em Belo Horizonte, Serra deu uma palestra a empresários na Fiemg (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais) e mostrou-se confiante em sua vitória no segundo maior colégio eleitoral do país: “nunca tive dúvidas disso [de que terá a maioria em Minas]. Agora, acho que foi um bom começo. Começo esta pré-campanha aqui e chego com energia e saio com mais energia”.

sábado, 10 de abril de 2010

Entre o discurso e a prática: demagogia marca lançamento da pré-candidatura de Serra


Como já era esperado, o ato de lançamento da pré-candidatura do tucano José Serra à Presidência da República, ocorrido neste sábado, 10, em Brasília, foi marcado por um tom amplamente demagógico presente nos discursos das lideranças oposicionistas. Além do próprio Serra, discursaram ainda o ex-presidente da República, Fernando Henrique Cardoso, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, do DEM, Rodrigo Maia e do PPS, Roberto Freire, além do ex-governador de Minas Gerais, Aécio Neves.

O primeiro a discursar foi Sérgio Guerra, coordenador da campanha de Serra, que seguiu uma linha baseada no ataque à ex-Ministra Dilma Rousseff. Guerra declarou que Serra tem as melhores condições de governar o país, pois não é um “improviso” e faz parte da construção histórica do Brasil. Além disso, Guerra também referiu-se indiretamente à Dilma dizendo que o povo brasileiro terá que escolher entre um “líder preparado” e uma “líder de nada e auxiliar burocrática” para governar o país.

Após Guerra, fez uso da palavra o presidente do DEM, Rodrigo Maia, que seguiu a mesma linha de ataques do tucano. E, finalmente, Roberto Freire, presidente do PPS, mostrou profundo desconhecimento da realidade brasileira ao afirmar que “o governo atual é de pouca ousadia e inerte”, dizendo também que é hora do “Brasil descobrir que pode mais e fazer de Serra presidente”. Sem ter muito o que falar, Freire acrescentou que a Justiça brasileira foi “desmoralizada pelo deboche” do presidente Lula.

FHC diz que Brasil pode avançar na velocidade tucana
O discurso do ex-presidente FHC também foi recheado de críticas ao governo Lula. Misturando um pouco de inveja com ego ferido por não ter conseguido o êxito que Lula conseguiu na presidência, FHC declarou que “o Brasil cansou de arrogância, de desprezo a todo mundo, desrespeito a lei, a autoconfiança ilimitada. O Brasil quer respeito, quer ver o malandro que roubou na cadeia. O Brasil cansou de ver pessoas responsáveis, passando a mão na cabeça de todo mundo. O Brasil do Serra é da decência, respeito a lei”.

O ex-presidente ainda declarou que o atual governo prometeu muito, mas nada fez, deixando bastante claro assim o lado que está: “fui ver o biodiesel e não achei, não achei a transnordestina, não vi transposição do Rio São Francisco. Serra mudou São Paulo, basta ver o Rodoanel, o metrô funcionando. Não se governo Brasil com ódio, desprezo, sem generosidade, qualidades discretas e eficiente que Serra tem”. Por fim, FHC declarou que “quem tem Serra e Aécio não precisa de mais nada” e que chegou a hora do Brasil “avançar na velocidade tucana”.

Após a fala de FHC foi a vez do ex-governador de Minas, Aécio Neves, fazer uso da palavra. Fazendo um retrospecto histórico, Aécio destacou que “a partir do conhecimento de nossa história, o povo pode escolher o seu futuro”, declarando que “ao PT, também não é lícito julgar que sua história se resuma aos 8 anos de governo”. Valendo-se de frases de efeito como “Serra tem os melhores valores” e “que sua voz possa ecoar por todo esse país”, Aécio terminou seu discurso insosso afirmando que o ex-governador de SP é o mais indicado para assumir a Presidência da República.

Demagogia predomina no discurso de Serra
Sob os aplausos dos demo-tucanos presentes, Serra iniciou o seu discurso fazendo um retrospecto dos últimos 25 anos, destacando, sobretudo, o papel do Plano Real e da Lei de Responsabilidade Fiscal para o equilíbrio macroeconômico. O presidenciável tucano declarou que: “não foram conquistas de um só homem ou de um só Governo, muito menos de um único partido. Todas são resultado de 25 anos de estabilidade democrática, luta e trabalho. E nós somos militantes dessa transformação, protagonistas mesmo, contribuímos para essa história de progresso e de avanços do nosso País”.

“O governo deve ouvir a voz dos trabalhadores e dos desamparados, das mulheres e das famílias, dos servidores públicos e dos profissionais de todas as áreas, dos jovens e dos idosos, dos pequenos e dos grandes empresários, do mercado financeiro, mas também do mercado dos que produzem alimentos, matérias-primas, produtos industriais e serviços essenciais, que são o fundamento do nosso desenvolvimento, a máquina de gerar empregos, consumo e riqueza”, declarou Serra, provavelmente se esquecendo que ele próprio não fez a lição que ensina nesse trecho.

O mais interessante é que quem viu o pré-candidato Serra dizer no seu discurso desse sábado que “se o povo assim decidir, vamos governar com todas e com todos, sem discriminar ninguém. Juntar pessoas em vez de separá-las; convidá-las ao diálogo, em vez de segregá-las; explicar os nossos propósitos, em vez de hostilizá-las”, achou bastante estranho ao lembrar de suas atitudes enquanto governador de SP, quando ele mandou a Polícia Militar reprimir professores grevistas, mostrando, assim, uma total indisposição ao diálogo.

Repetindo diversas vezes o bordão “o Brasil pode mais”, uma cópia fajuta do slogan da campanha do atual presidente norte-americano Barack Obama em 2008 (Yes! We can!), Serra apresentou-se como o “candidato da união”. Não apontou nenhum caminho novo, não apresentou nenhuma proposta mais concreta: apenas evitou bater de frente com o governo Lula, deixando escapar, contudo, nas entrelinhas do seu discurso, que era o oposto de Lula. Quem não conhece o seu discurso pode até acreditar nele, mas quem já viu de perto o modo de governar tucano sabe muito bem que a apresentação correta de Serra seria o “candidato da exclusão, da privatização e da enrolação”!

terça-feira, 30 de março de 2010

Petiscos do dia - 30 de março



Apitaço de professores e pedido de abertura de negociações: Professores estaduais paulistas, que estão em greve desde o começo deste mês, promoveram nesta terça-feira, 30, um apitaço durante a entrega do trecho sul do Rodoanel, onde estava presente o governador de SP, José Serra (PSDB). Desde que teve início a greve, o governo Serra vem se recusando a receber os grevistas para negociar sua pauta de reivindicações.

Na semana passada, uma manifestação de professores foi violentamente reprimida pela PM de Serra, deixando 16 feridos. Vale destacar que na quarta-feira os professores farão uma nova manifestação na Avenida Paulista. A categoria pede recomposição salarial de 34,3%, além de incorporação das gratificações no salário e políticas educacionais mais eficientes.

Entidades organizam bota-fora para Serra na quarta-feira: Mais de 40 entidades sindicais do funcionalismo público paulista organizam para a quarta-feira, dia 31, um “bota fora” para o governador Serra e sua política neoliberal. Serra deixará o governo de São Paulo nesta data, em cumprimento ao prazo estipulado pelo TSE, para assumir sua candidatura a Presidência da República.

Os servidores organizam, ao meio dia, um “almoço de gala” no vão livre do Masp, na Paulista, onde cobrarão o valor simbólico de R$ 4,00 (referente ao “vale coxinha” que Serra paga de ticket refeição aos funcionários públicos). Às 14 hras haverá a manifestação dos professores, também na Paulista, e no final da tarde o ato de “bota fora” na Praça da República.

PSDB quer levar 5 mil “militantes” na despedida de Serra: Enquanto os servidores públicos organizam o “bota fora” de Serra na Paulista, o alto comando tucano pretende reunir cerca de 5 mil “militantes”em um evento de despedida do governador José Serra nesta quarta-feira.

Segundo informações da Agência Estado, o diretório estadual do PSDB expediu aviso aos militantes para que evitem ir com bandeiras e símbolos ao evento para não caracterizar campanha eleitoral antecipada. Agora só cabe uma pergunta: onde os tucanos vão achar 5 mil “militantes”? Acho que se trouxerem ônibus do Brasil inteiro não conseguem esse número!

Aécio passa o cargo para Anastasia na 4ª feira: Enquanto Serra passa o cargo para o seu vice aqui em São Paulo, em Minas Gerais o governador Aécio Neves também passará o bastão para o seu vice, Antônio Anastasia, nesta quarta-feira. A hipótese mais provável é que Aécio concorra a uma vaga de Senador por Minas Gerais. Contudo, não está descartada a possibilidade dele ser um eventual vice na chapa de José Serra.

Vale lembrar que Anastasia é candidato natural à sucessão de Aécio no governo de Minas Gerais. O quadro eleitoral no Estado ainda não está totalmente definido, já que o PT ainda não anunciou se apoiará o ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB) ou se lançará uma candidatura própria, como pretende o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.