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quarta-feira, 31 de março de 2010

Um "bota fora" merecido para Serra



A quarta-feira foi de comemorações no Estado de São Paulo: o governador José Serra (PSDB) renunciou nesta tarde ao cargo para disputar a Presidência da República, em outubro próximo. E, naturalmente, a data não poderia passar despercebida, afinal de contas o tucano deixa o cargo com um legado de desvalorização do funcionalismo público, investimentos escassos em políticas sociais, combate mínimo à criminalidade, falta de investimentos em combate às enchentes etc.

Não foi à toa que mais de 40 entidades sindicais do funcionalismo público paulista organizaram um “bota fora” bem merecido para Serra ao longo desta quarta-feira, mostrando à população de São Paulo os feitos reais do agora ex-governador. Ao meio-dia, os servidores organizaram um “almoço de gala” no vão livre do Masp, na Avenida Paulista. A festa foi muito animada e o almoço servido ao preço módico de R$ 4,00, o valor do “vale-coxinha” que Serra paga aos funcionários públicos sob o nome de “ticket refeição”.

Em seguida, ali mesmo na Paulista, os professores estaduais realizaram nova manifestação contra o governo Serra, que se recusa a receber o comando de greve para negociar suas reivindicações. A categoria segue em greve desde o dia 8 de março, reivindicando uma recomposição salarial de 34,3%, além de incorporação das gratificações no salário básico e uma série de mudanças na política de Educação imposta pelo tucanato em São Paulo.

Milhares de servidores no bota fora de Serra
De acordo com a Apeoesp, 40 mil professores compareceram na manifestação realizada nesta tarde, que chegou a interditar as duas vias da Paulista. Além dos servidores da educação, os funcionários da Saúde também fizeram manifestação logo cedo, reivindicando, além de uma reposição de 40% por perdas salariais, o fim da terceirização dos serviços de Saúde, marca registrada do governo Serra em São Paulo. O sucateamento do SUS no Estado também foi denunciado.

Após a manifestação na Paulista, os servidores seguiram em passeata até a Praça da República, onde ocorreu o grande ato de bota fora do governador. Cabe destacar que nas últimas manifestações da categoria, o governo Serra valeu-se de métodos ditatoriais para tentar calar os grevistas, chegando a colocar a PM em confronto com os manifestantes, como ocorreu na última sexta-feira, 26, quando 16 pessoas ficaram feridas.

Uma prática do governo Serra que também foi denunciada pela Apeoesp refere-se à infiltração de policiais à paisana no meio dos manifestantes, o que teria ocorrido também no ato da semana passada. A presidente do sindicato dos Professores, Maria Izabel Noronha, indagou: “agente infiltrado em nossa manifestação? A troco de que? Isso é coisa da época da ditadura”. O PSDB e o DEM ameaçaram processar a sindicalista e a Apeoesp por fazerem campanha “contra Serra”, mostrando ainda mais a faceta ditatorial dos demo-tucanos.

Um legado de des-investimento em políticas sociais
Além das práticas repressoras contra os manifestantes, o governo Serra em São Paulo também foi marcado por baixos investimentos em políticas sociais. Para se ter idéia, de acordo com o site Brasília Confidencial, não foi investido absolutamente nada durante a gestão Serra em programas de combate à mortalidade infantil e materna: logo na gestão dele, que se gaba tanto de ter uma preocupação central com a saúde. Mas essa preocupação de Serra com a saúde é questionável não somente por isso: vale lembrar que o ex-governador utilizou repasses do SUS em aplicações do mercado financeiro.

Tanto que o Ministério Público Federal e o Ministério Público Paulista emitiram uma determinação na semana retrasada para que Serra retirasse a verba do SUS que estaria em aplicações financeiras e as colocasse em seu devido lugar: o Fundo Estadual da Saúde. Em termos de políticas de habitação e moradia, o governo Serra também foi um fiasco no Estado de São Paulo: não foi investido um centavo em projetos de habitação de interesse social ao longo do governo do tucano.

Esses são apenas alguns exemplos do legado que o governo Serra deixa no Estado mais rico do país. Naturalmente, se apontarmos detalhadamente este legado, precisaríamos de muitos parágrafos para dar conta de fazer um inventário completo das não-realizações de Serra em São Paulo. Para o bem da população paulista, Serra saiu nesta quarta-feira do governo do Estado (apesar dos tucanos continuarem, o que a rigor implica em continuidade desta política). Esperemos que para o bem da população brasileira, Serra passe bem longe da Presidência da República.

terça-feira, 30 de março de 2010

Petiscos do dia - 30 de março



Apitaço de professores e pedido de abertura de negociações: Professores estaduais paulistas, que estão em greve desde o começo deste mês, promoveram nesta terça-feira, 30, um apitaço durante a entrega do trecho sul do Rodoanel, onde estava presente o governador de SP, José Serra (PSDB). Desde que teve início a greve, o governo Serra vem se recusando a receber os grevistas para negociar sua pauta de reivindicações.

Na semana passada, uma manifestação de professores foi violentamente reprimida pela PM de Serra, deixando 16 feridos. Vale destacar que na quarta-feira os professores farão uma nova manifestação na Avenida Paulista. A categoria pede recomposição salarial de 34,3%, além de incorporação das gratificações no salário e políticas educacionais mais eficientes.

Entidades organizam bota-fora para Serra na quarta-feira: Mais de 40 entidades sindicais do funcionalismo público paulista organizam para a quarta-feira, dia 31, um “bota fora” para o governador Serra e sua política neoliberal. Serra deixará o governo de São Paulo nesta data, em cumprimento ao prazo estipulado pelo TSE, para assumir sua candidatura a Presidência da República.

Os servidores organizam, ao meio dia, um “almoço de gala” no vão livre do Masp, na Paulista, onde cobrarão o valor simbólico de R$ 4,00 (referente ao “vale coxinha” que Serra paga de ticket refeição aos funcionários públicos). Às 14 hras haverá a manifestação dos professores, também na Paulista, e no final da tarde o ato de “bota fora” na Praça da República.

PSDB quer levar 5 mil “militantes” na despedida de Serra: Enquanto os servidores públicos organizam o “bota fora” de Serra na Paulista, o alto comando tucano pretende reunir cerca de 5 mil “militantes”em um evento de despedida do governador José Serra nesta quarta-feira.

Segundo informações da Agência Estado, o diretório estadual do PSDB expediu aviso aos militantes para que evitem ir com bandeiras e símbolos ao evento para não caracterizar campanha eleitoral antecipada. Agora só cabe uma pergunta: onde os tucanos vão achar 5 mil “militantes”? Acho que se trouxerem ônibus do Brasil inteiro não conseguem esse número!

Aécio passa o cargo para Anastasia na 4ª feira: Enquanto Serra passa o cargo para o seu vice aqui em São Paulo, em Minas Gerais o governador Aécio Neves também passará o bastão para o seu vice, Antônio Anastasia, nesta quarta-feira. A hipótese mais provável é que Aécio concorra a uma vaga de Senador por Minas Gerais. Contudo, não está descartada a possibilidade dele ser um eventual vice na chapa de José Serra.

Vale lembrar que Anastasia é candidato natural à sucessão de Aécio no governo de Minas Gerais. O quadro eleitoral no Estado ainda não está totalmente definido, já que o PT ainda não anunciou se apoiará o ministro das Comunicações Hélio Costa (PMDB) ou se lançará uma candidatura própria, como pretende o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Opinião: Serra - a face da ditadura que assombra São Paulo



Folhear os jornais e revistas de grande circulação, especialmente no estado de São Paulo, transformou-se há tempos em um exercício de resistência estomacal. É difícil ler a maioria dos seus editoriais e notícias tendenciosas sem ter um estomazil ou sal de frutas ao lado. Em suas páginas, omitem os avanços obtidos pelo governo Lula e preferem criar factóides, críticas infundadas ao presidente e ao PT, ao mesmo tempo que servem de panfletos políticos dos setores demo-tucanos.

Tem sido assim no episódio recente da greve dos professores estaduais em São Paulo, próxima a completar o primeiro mês de duração. Preferem associar a imagem dos professores, que lutam por melhores salários e uma política de educação mais eficiente, a baderneiros do que relatar o que realmente acontece no Estado, buscando partidarizar o movimento legítimo do magistério paulista. O governador, por sua vez, além de querer partidarizar a greve, ainda procura desqualificar o movimento e o trata com a mais absoluta violência.

Foi o que aconteceu, por exemplo, na última sexta-feira, 26, quando os professores, ao realizarem uma manifestação pacífica em frente ao Palácio dos Bandeirantes, foram agredidos violentamente pela PM de Serra. O governador não estava lá: fugiu naquela manhã para o interior do Estado de São Paulo, sob o pretexto de entregar obras. Como vem demonstrando desde o início do movimento grevista, Serra não quer dialogar com os professores – prefere trata-los com a mais intensa repressão.
Tucanos querem processar Apeoesp
E agora, na tarde desta segunda-feira, 29, eis que chega a notícia que o PSDB, o partido do governador paulista e candidato à Presidência da República, irá processar a Apeopesp (Sindicato dos Professores) por contrapropaganda partidária. Nada mais absurdo dentro do regime democrático que querer aplicar a “lei da mordaça” – instrumento muito popular na época da ditadura – para tentar calar as vozes de manifestantes que lutam por condições mais dignas nas suas profissões.

Na argumentação tucana, a Apeoesp e sua presidente, Maria Izabel Noronha, estão utilizando a greve como palanque eleitoral contrário ao governador Serra. Mas ora, se os professores estão reivindicando melhores salários e uma melhor política de educação é porque definitivamente não concordam com os rumos traçados pelo governo Serra. Então, qual o mal em se criticar a política de Educação de São Paulo? Não vivemos em uma democracia? Ou a democracia só serve se as críticas forem direcionadas ao PT e ao governo Lula?

Além do mais, os professores criticam a postura de Serra perante o movimento grevista: a arrogância do governador e pré-candidato do PSDB à Presidência da República de não querer ouvir as reivindicações da categoria, de negar-se ao diálogo e, pior, de usar de mecanismos repressores para tentar abafar o movimento. Nada mais natural, portanto, que os professores, tão maltratados pelo governo Serra, não queiram votar nele para Presidente! Isso não é partidarizar o movimento e sim manifestar democraticamente a opinião.

Mas Serra e o PSDB, como sempre fazem, preferem utilizar artimanhas jurídicas para desqualificar os seus opositores. Na visão tucana, é mais fácil cercear a liberdade de expressão dos manifestantes do que dialogar; é mais “prático” utilizar o aparato policial para reprimir, do que receber o comando de greve no gabinete e negociar. Para finalizar, é muito estranho que um candidato que sofreu perseguição na época da ditadura militar utilize de métodos repressivos quando chega ao poder. Mais estranho que isso é ver que uma parte da população apóia esse tipo de desmando do pré-candidato Serra. Esperemos que a campanha sirva para abrir os olhos de quem ainda acredita nos tucanos.

sábado, 27 de março de 2010

Opinião: Somos todos iguais, braços dados ou não



Duas imagens: retratos de dois momentos históricos distintos, separados por mais de 40 anos, mas que parecem conter o mesmo espírito. A primeira, dos anos de chumbo, mostra a repressão violenta do Exército contra um jovem, taxado de comunista como tantos outros naqueles anos, por não concordar com a ditadura que reinava no país. A segunda, de 26 de março de 2010, mostra um professor carregando um PM ferido, em meio a uma violenta repressão da Polícia contra uma manifestação pacífica de professores em greve.

É impossível olhar essa segunda foto e não lembrar imediatamente dos versos de Geraldo Vandré, em uma das mais belas canções da música brasileira: “Pra não dizer que não falei das flores”: “Pelas ruas marchando indecisos cordões/Ainda fazem da flor seu mais forte refrão/E acreditam nas flores vencendo o canhão”. Na manifestação de março de 2010 poderia-se muito bem substituir a palavra “flor” pela palavra “caneta”, já que ali em frente ao Palácio dos Bandeirantes milhares de professores protestavam pacificamente por melhores salários.

Segundo estimativas da Apeoesp (Sindicato dos Professores) estavam ali 25 mil professores, pacificamente, reivindicado por seus direitos. Contudo, a PM logo entrou em choque com os manifestantes e, em meio ao tumulto, um fotógrafo da Agência Estado consegue esta foto: um professor ajudando a um soldado ferido. Um educador estendendo a mão a um semelhante, mostrando que "somos todos iguais, braços dados ou não" como também diz a letra de Vandré.

Repressão da PM de Serra contra os professores
E o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o que fez? Recebeu o comando de greve em seu gabinete, para ouvir as reivindicações e dialogar? Não, nada disso. Sabendo que o sindicato da categoria havia convocado esse ato, Serra, com a desculpa de inaugurar obras, fugiu para o interior de São Paulo. Virou as costas aos professores! E se não bastasse, a PM de Serra ainda agrediu violentamente os manifestantes, com bombas de efeito moral, gás de pimenta, cassetetes e escudos.

O saldo? Segundo informações da imprensa, 16 feridos, entre professores e policiais. E mesmo diante de tanta truculência, assessores de Serra dizem que o governador não dialogará com os professores enquanto estiverem em greve. Diálogo? Esta palavra simplesmente não consta no dicionário político do presidenciável tucano. Por outro lado, repressão, desrespeito e violência são verbetes constantes em sua cartilha.

Há quem diga que os manifestantes são baderneiros e vândalos. Não, não são. São pais e mães de família, filhos de tantas mães e tantos pais, são esposas, maridos, irmãos, que estão exercendo seus direitos e lutando por respeito e dignidade na profissão que escolheram. Que estas cenas não saiam da cabeça da população brasileira, que este ano novamente exercerá sua vontade soberana e elegerá um novo presidente para o Brasil. Será que um candidato que permite que seu governo trate assim os trabalhadores, merece ser Presidente?

sexta-feira, 26 de março de 2010

Petiscos do dia - 26 de março



Professores municipais de SP fazem assembléia: Enquanto a greve dos professores estaduais já completa sua terceira semana, na tarde desta sexta-feira, 26, foi a vez dos professores da rede municipal de São Paulo fazerem uma assembléia na sede do Sinpeem (Sindicato dos Profissionais de Educação Municipal de SP) para discutir uma paralisação.

Entre as reivindicações da categoria estão aumento real de 34% dos salários, redução do número de alunos por sala, piso salarial maior ou igual ao fixado pelo Dieese e alteração da lei salarial, para que seja aplicado o percentual mínimo de receitas correntes destinados às despesas com pessoal.

Professores estaduais fazem nova manifestação: Apesar da chuva que caiu na capital nesta tarde, professores da rede estadual de ensino se reuniram em frente ao Palácio dos Bandeirantes para uma nova manifestação por melhores salários e mudança na política de educação no Estado. A Apeoesp (Sindicato dos Professores) esperava reunir cerca e 100 mil professores na porta do Palácio.

Vale lembrar que até hoje o comando de greve não teve nenhuma das audiências públicas solicitadas com o secretário estadual de Educação, Paulo Renato de Souza, atendidas. O governo Serra tem se mostrado hostil ao diálogo, caracterizando a greve como política e tentando minimiza-la. Essa semana, quatro professores foram presos pela PM de Serra durante uma manifestação que faziam em um ato público no qual estava presente o governador.

Lula diz que Dilma pode ter dificuldades na Bahia: Em entrevista a emissoras de rádio da Bahia nesta sexta-feira, o presidente Lula declarou que a grande rivalidade no Estado entre o atual governador e candidato à reeleição, Jacques Wagner (PT), e o pré-candidato do PMDB, Geddel Vieira Lima, pode colocar a pré-candidata petista à Presidência da República, Dilma Rousseff, em situação complicada.

"Eu sei que essas divergências vão me causar problemas, mas a política tem dessas coisas, tem imprevistos. Vai ser difícil. Mas muito mais dificuldade vai ter a minha candidata, que vai estar nos palanques”, declarou Lula aos jornalistas. Lula também reiterou as críticas ao fim da CPMF, assim como fez em evento no interior de São Paulo na manhã de quinta-feira.

El País traz reportagem sobre candidatura de Serra: Em matéria desta sexta-feira, o jornal espanhol El País fala sobre o lançamento da candidatura de Serra, marcado para acontecer em evento no próximo dia 10 de abril. Segundo o jornal, “Serra chegou a deixar tenso o seu partido, por não ter revelado até então sua decisão de enfrentar a poderosa candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), Dilma Rousseff”.

O El País ainda pontua que a decisão de Serra não seria fácil. “[Serra] já havia enfrentado Lula em 2002 e perdeu no segundo turno. Se for derrotado desta vez, terá que deixar a vida política”. O jornal ainda diz que: “o PSDB já está enviando os convites para o lançamento da candidatura de Serra, dia 10 em Brasília, mas não se tratará de um evento de massas”. Até o El País já sabe que os tucanos não são lá muito íntimos das grandes massas.

quinta-feira, 25 de março de 2010

José Genoíno: Os professores e o antiLula


A greve dos professores paulistas está expondo para todos que querem ver, aquilo que os militantes e lideranças dos mais diversos setores sabem há muito tempo: para além da concepção programática, da visão de Brasil e de mundo, do alinhamento ideológico, há um antagonismo radical entre a nossa forma de tratar os movimentos sociais e a dos tucanos, representados pelo governador Serra. Um movimento que mobiliza milhares, que já fez 2 assembleias com mais de 30 mil professores e que há 1 mês está em greve, com plenárias e passeatas é um movimento que, para o governador de São Paulo não “significa nada”. Foi com o propósito de chamar a atenção para esta diferença polar que subi na tribuna da Câmara na última terça-feira, 23.

Em meu entender, essa declaração comprova o desprezo, a visão elitista de não considerar como elemento fundamental para o processo democrático a pressão e a participação popular. Até porque, o movimento dos docentes paulistas representa muito mais do que descontentamento. Este movimento reivindicativo expõe, na verdade, a impiedosa crise que a educação em São Paulo vive, cujos índices de qualidade estão na lanterninha entre os estados brasileiros.

Algo semelhante aconteceu com a greve da Polícia Civil, que acabou sendo tratada de maneira equivocada e autoritária provocando conflito entre a Polícia Militar e a Polícia Civil. O mesmo ocorreu com os movimentos pela reforma agrária, particularmente o MST. O governo Serra os trata igualmente como uma questão de polícia e repressão. Na visão tucana, os conflitos no campo se resolvem a partir de cercos aos assentamentos e acampamentos, mandados de busca e apreensão e até com prisão de militantes do MST. Passados 25 anos dos acontecimentos de Leme, eles continuam agindo da mesma forma. Da mesma forma, há uma relação direta entre a forma como o governo FHC tratou a greve dos petroleiros e o desprezo de Serra ao movimento grevista dos professores.

Ora, a relação com os movimentos sociais é um elemento fundamental no processo democrático, que se expressa através das eleições e participação da sociedade organizada por meio dos seus instrumentos e de mecanismos de pressão. Portanto, é absolutamente correto afirmar que a atitude de Serra, futuro candidato à Presidência da República, em relação aos movimentos sociais encontra-se numa posição absolutamente contrária, antagônica à do Governo do Presidente Lula. Nosso governo entende a greve como um direito dos trabalhadores, negocia com os grevistas, dialoga com os movimentos sociais e tem uma postura de respeito e de reconhecimento da legitimidade dos movimentos sociais organizados.

Apontar esta diferença é fundamental nesta discussão pré-eleitoral, em que se dá as polarizações de projetos, de atitudes políticas, de relações políticas. Até porque, não é por acaso que as áreas mais críticas do Governo do Estado de São Paulo são a segurança pública, que enfrenta uma crise com o aumento da criminalidade, os baixos salários tanto da Polícia Civil, como da Polícia Militar, e a educação, cuja falência está estampada no movimento dos professores do Estado de São Paulo.

Para concluir, manifesto, mais uma vez, minha solidariedade e meu apoio à luta dos professores paulistas. Sua pauta de reivindicação é justa e legítima. Devemos continuar insistindo para que as autoridades do Governo do Estado de São Paulo negociem respeitosamente com os grevistas e não com esta visão elitista, autoritária e arrogante. Que não ve nenhum significado numa greve de professores, conforme afirmou o governador José Serra.

Por isso queremos fazer essa diferença, fixar essa diferença antagônica na maneira de governar, de se relacionar com os movimentos sociais, de se relacionar com a sociedade organizada.

E por isso afirmo que este episódio é mais um a demonstrar que, mesmo criando uma série de dissimulações, Serra é a tradução perfeita do antiLula.

Abraços

José Genoino
José Genoíno é deputado federal pelo PT-SP e membro fundador do Partido dos Trabalhadores.

terça-feira, 23 de março de 2010

Opinião: Serra continua com velha mania tucana de "tapar o sol com a peneira"



Em meio a uma greve do magistério estadual paulista, que já entra em sua terceira semana, e também dos servidores da Saúde, o governador de São Paulo e pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, José Serra, insiste em continuar utilizando a tática de “tapar o sol com a peneira”. Além de não mostrar disposição para o diálogo, Serra ainda tenta desqualificar o movimento grevista dos servidores públicos, alegando que a greve não passa de “movimento de marketing”.

Na segunda-feira, o Secretário Estadual de Educação, Paulo Renato de Souza (ex-ministro da Educação de FHC), anunciou que aumentaria o valor pago em bônus dos salários dos professores, mas seguiu o anúncio já ameaçando os professores em greve. Segundo o secretário, os docentes que se encontram em greve terão um bônus menor em 2011, devido aos dias faltados. Isso mostra um desrespeito frontal aos servidores da educação, além de uma retaliação a algo que é garantido por lei – o direito de greve.

Categoria reivindica aumento real do salário básico
A greve dos professores paulistas, iniciada no dia 8 de março, tem uma ampla lista de reivindicações, mas a principal delas é o aumento de 34,3% referentes a perdas salariais que se acumularam nos últimos anos. Na publicidade oficial do Palácio dos Bandeirantes, fala-se muito em valorização do magistério, mas a verdade é que essa valorização é mito, visto que o custo de vida subiu numa proporção muito maior que o salário básico dos professores da rede estadual.

E Serra ainda tenta tapar o sol com a peneira oferecendo bônus aos professores, sem, contudo, falar nada a respeito de um aumento real nos salários, que é o mais importante para a categoria. E o pior: o governo de São Paulo demonstra ainda uma indisposição total ao diálogo com os professores. Para se ter uma idéia, em audiência pública marcada para a tarde desta terça-feira, 23, na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), o secretário da Educação de SP não apareceu!

Mais uma prova do descaso: nem o vice-líder do governo na Alesp deu as caras para debater o movimento de greve do magistério paulista! Sem contar que, enquanto a adesão à greve já atinge mais de 60% da rede estadual de ensino, a Secretaria Estadual de Educação insiste em dizer que apenas 1% da categoria está em greve. Vê-se, dessa maneira, o desrespeito que o governador Serra tem para com os servidores do Estado!

E o descontentamento é generalizado: servidores da saúde já estão parados desde segunda-feira e a polícia civil também deve iniciar uma greve. Pelo visto, Serra deve se desincompatibilizar do cargo na próxima semana e deixar o governo de SP sob uma insatisfação generalizada do funcionalismo público. E agora, José?

quinta-feira, 18 de março de 2010

O inferno astral de Serra





Às vésperas do seu aniversário, o governador de SP e presidenciável do PSDB, José Serra, parece enfrentar um inferno astral dos mais implacáveis. Ao mesmo tempo em que vê seu nome cair cada vez mais nas pesquisas de intenções de voto, Serra ainda enfrenta uma greve do magistério paulista, iniciada em 8 de março, e ao que tudo indica ainda terá que enfrentar uma greve dos servidores da Saúde.

Se fosse somente isso, ainda poderíamos dizer que a maré para Serra de fato não está boa, mas a situação do presidenciável tucano se complica mais ainda com o noticiário nada favorável envolvendo seus demo-aliados, como o ex-governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Pelo visto, Serra é abalado não por uma maré “brava”, mas por uma tsunami das mais fortes.

Tendência de queda de Serra também no Sudeste
Certamente, uma das maiores preocupações da oposição diz respeito à tendência declinante verificada pela candidatura de Serra nas pesquisas de intenção de voto. O governador de SP tenta se esquivar, dizendo que “não comenta pesquisa nem quando está disparado”, enquanto seus aliados tentam minimizar os resultados da pesquisa, dizendo que o crescimento da candidatura governista deve-se à maior exposição da ministra Dilma.

Verdade é que inclusive na região Sudeste, onde o desempenho de Serra é melhor, ele já registra tendência de queda. De acordo com o levantamento do Datafolha, em agosto de 2009, o tucano tinha 44% das intenções de voto no Sudeste, caindo para 41% em dezembro daquele ano e chegando aos 38% em fevereiro de 2010. Enquanto isso, Dilma passou de 13% das intenções de voto no Sudeste em agosto/09 para 19% em dezembro/09, atingindo 24% em fevereiro/10 no Sudeste.

Noticiário negativo dos aliados atrapalha
O noticiário político relacionado aos seus aliados também é um fator negativo que tem que ser administrado por Serra. Desde o final do ano passado, quando surgiram as denúncias contra o então governador do DF, Arruda, a situação já inspirava preocupação na oposição. Com a prisão de Arruda, em fevereiro deste ano, e a cassação do seu mandato, nesta semana, o cenário ficou ainda mais nebuloso.

Não bastasse isso, outro aliado do governador – o prefeito de São Paulo, Kassab – também tem sua popularidade em queda. Isto porque desde dezembro a maior cidade do país tem registrado índices pluviométricos bem altos e, diante da falta de planejamento e investimento da prefeitura em infra-estrutura que comportasse essas chuvas, São Paulo teve que enfrentar inundações constantes, prejudicando grande parte da população paulistana.

Serra enfrenta greves de servidores em SP
Além de tudo isso, Serra enfrenta desde o início de março uma greve dos professores da rede estadual, que reivindicam, além de uma reposição salarial de 34,3%, uma reestruturação da política de educação desenvolvida pelo governo do Estado. A greve já completa sua segunda semana e ainda não tem previsão do final. Na semana passada, uma manifestação de professores na Avenida Paulista reuniu 40 mil pessoas, segundo informações da Apeoesp (Sindicato dos Professores).

E não são apenas os professores que estão insatisfeitos com as políticas públicas do governo Serra: na próxima sexta-feira, 19, servidores da Saúde deverão aprovar em Assembléia uma greve, a começar já na próxima semana. A pauta de reivindicação engloba reposição de 40% referente a perdas salariais e o fim da terceirização dos serviços, além do sucateamento do SUS no Estado de SP.

Percebe-se, assim, que o cenário para Serra não é nada favorável. E ao contrário dos infernos astrais tradicionais, que acabam no dia do aniversário, o de Serra parece que ainda vai durar muito tempo.