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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O mapa da fidelidade: base aliada vota em peso com governo e aprova mínimo de R$ 545

Após intensos debates nos últimos dias, o governo finalmente conseguiu emplacar o valor de R$ 545 para o salário mínimo, após uma estréia vitoriosa na Câmara dos Deputados em votação ocorrida na noite de quarta-feira, 16. Embora a base governista ocupe a imensa maioria da Câmara, com 369 cadeiras, alguns deputados mostraram-se, ao longo dos últimos dias, reticentes em se alinhar ao texto enviado pelo Palácio do Planalto, que estabelece o valor de R$ 545 para o salário mínimo a partir de março deste ano e mantém a regra atual de reajuste (variação do INPC do ano anterior + variação do PIB de dois anos antes) até 2015.

Após uma votação simbólica do texto básico do projeto, o plenário passou para votação nominal dos destaques apresentados pela oposição. O primeiro destaque foi apresentado pelo PSDB, propondo emenda que elevasse o valor do salário mínimo este ano para R$ 600. Essa emenda foi rejeitada por 376 votos contra 106 favoráveis. Em seguida, passou-se à votação do segundo destaque, de autoria do DEM, que propunha elevação do salário mínimo para R$ 560. É com base no resultado do painel da Câmara na votação desse destaque que avaliaremos aqui o índice de fidelidade dos partidos aliados ao Palácio do Planalto. Isso porque uma parte da base governista “pendia” a votar favoravelmente a esse destaque, contrapondo-se ao valor defendido pelo governo.

Entretanto, a base governista votou coesa no projeto enviado pelo Palácio do Planalto, sendo que o índice de infidelidade foi de apenas 8%. Para se ter uma idéia, a emenda que elevava o mínimo para R$ 560 foi derrubada com 361 votos contrários, sendo que os votos favoráveis foram apenas 120. Dentre os 369 deputados da base governista, uma expressiva parcela de 340 votou contra a emenda de R$ 560, de forma que houve apenas 29 “infiéis”. Como já era esperado, a maior parte desses infiéis veio do PDT, cuja liderança na Câmara não deu orientação de voto para a bancada, deixando os deputados livres para votarem como quisessem. Assim, dos 27 deputados que compõem a legenda, 16 votaram contra a emenda de R$ 560 e 9 votaram a favor, contrariando o governo.

É importante frisar, contudo, que houve infidelidade na própria bancada petista. Dos 85 deputados do PT, nada menos que 7 não compareceram à sessão. Dentre os 78 que estavam presentes, 75 rejeitaram a emenda de R$ 560 e houve dois petistas (Eudes Xavier, do Ceará, e Francisco Praciano, do Amazonas) que votaram a favor da emenda do DEM e contra o valor proposto pelo governo. Vale lembrar que o petista presente e não contabilizado no painel foi o deputado Marco Maia, que presidia a sessão e que, de acordo com o artigo 17 do Regimento Interno da Casa, não poderia votar nominalmente. Dentre os 10 partidos da base governista, 4 votaram na sua totalidade com o governo. Foram eles: o PMDB (77 votos), o PSC (17 votos), o PCdoB (15 votos) e o PRB (12 votos).

Os partidos minoritários, que são aqueles cujas bancadas são inferiores a 10 deputados, votaram em sua ampla maioria com o governo, como pode ser visualizado na tabela abaixo. Para se ter uma idéia, dos 17 deputados que integram o bloco minoritário, 15 votaram contra a emenda que propunha R$ 560 para o salário mínimo este ano. Na oposição, apenas dois partidos votaram integralmente a favor dos R$ 560: o PPS (com 11 deputados) e o Psol (cujos 3 deputados também votaram em favor dos R$ 560). No caso do DEM, dos 46 deputados que compõem a bancada, 5 faltaram e 2 outros votaram contra a emenda dos R$ 560. Dentre os 52 deputados tucanos, 1 faltou e dois votaram também contra a emenda dos R$ 560. Já no caso do PV, dos seus 14 deputados, 10 se abstiveram, 2 votaram a favor da emenda de R$ 560 e outros 2 votaram contra. As tabelas abaixo mostram detalhadamente o mapa da votação:


Partidos governistas:

PartidoNúmero de deputadosFavoráveis ao governo% de Fidelidade
PT

85

75

88%

PMDB

77

77

100%

PP

43

40

93%

PR

40

37

92,5%

PSB

31

30

96,8%

PDT

27

16

59,2%

PTB

22

21

95,5%

PSC

17

17

100%

PCdoB

15

15

100%

PRB

12

12

100%

TOTAL

369

340

92%



Minoritários (partidos com menos de 10 assentos na Câmara):

PartidoNúmero de deputadosFavoráveis ao governo% de Fidelidade

PMN

5

4

80%

PTdoB

4

4

100%

PHS

2

1

50%

PRP

2

2

100%

PRTB

2

2

100%

PSL

1

1

100%

PTC

1

1

100%

TOTAL

17

15

88%

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Que rumo tomará Kassab?

Após ver frustrada sua tentativa de capitanear uma fusão do DEM com o PMDB, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab tem se movimentado para trocar sua atual legenda por outra, possivelmente da base aliada de Dilma. Pelo menos esta é a informação que tem repercutido na grande imprensa nos últimos dias: de acordo com jornais como Folha de São Paulo, Estadão e O Globo, Kassab estaria avaliando uma possível troca do DEM pelo PMDB ou ainda pelo PSB. Como o prefeito ainda não deu nenhuma declaração oficial sobre essa possível troca, os boatos ganham ainda mais força.

Por mais que pareça estranho Kassab trocar um partido declaradamente de oposição por um da base governista, a movimentação, se confirmada, não deve causar espanto. Afinal de contas, o prefeito da maior cidade do país procura desde já garantir seu espaço na arena política para futuras disputas eleitorais, como a de 2014. Ora, é fato que se continuar no DEM, Kassab terá chances remotas de sair candidato ao governo do Estado de São Paulo nas próximas eleições (lembrando que em 2012, ele não poderá concorrer à reeleição para a Prefeitura de São Paulo), uma vez que o seu atual partido é aliado quase que natural do PSDB no estado.

Diante dessa constatação, o prefeito tinha duas soluções possíveis: 1) ou quebraria essa “aliança natural” do DEM com o PSDB em São Paulo fundindo sua atual sigla com o PMDB, para aí sim ter condições reais de lançar uma candidatura competitiva à de Geraldo Alckmin (candidato natural à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes em 2014) ou 2) deixaria o DEM e ingressaria em um partido onde pudesse construir uma candidatura competitiva. Como a primeira hipótese foi amplamente rejeitada por caciques do DEM, como o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, e o deputado federal e 1º vice-Presidente da legenda, Ronaldo Caiado, resta a Kassab a 2ª opção.

Ida para o PMDB é hipótese plausível
Neste contexto, os grandes jornais já estão dando como certa a migração do prefeito para o PMDB, que é a segunda maior força da base governista. A hipótese não é tão absurda assim, especialmente se considerarmos o fato de que, com o afastamento de Orestes Quércia da cena política, por conta de problemas de saúde, criou-se uma lacuna no PMDB paulista. E como a arena política é permeada por disputas de espaços, ocupar essa lacuna deixada pelo quercismo em São Paulo parece ser uma movimentação muito interessante para Gilberto Kassab. Nesta altura, o leitor poderia questionar: mas essa lacuna não seria naturalmente ocupada por Michel Temer?

De fato, Temer naturalmente ocuparia (de bom grado, diga-se de passagem) esta lacuna deixada por Quércia, sendo inclusive uma boa oportunidade para reconduzir o PMDB paulista (arredio à postura do PMDB nacional) de volta à base aliada do governo federal. Mas daí, não podemos deixar de lembrar que, como vice-Presidente eleito da República, Temer não é mais uma figura propriamente do PMDB paulista e sim do PMDB nacional. Logo, não convém que gaste seu tempo cuidando de articulações políticas estaduais, ainda que estas sejam em um estado com o peso eleitoral que tem São Paulo. E é aí que está a grande oportunidade de Kassab.

Com Quércia afastado e Temer cuidando de articulações nacionais, o prefeito de São Paulo poderia capitanear um processo de rearticulação política do PMDB paulista. E aí o caminho mais factível seria o de rearticular o partido em São Paulo afastando-o do PSDB, movimento para o qual teria carta branca de Temer. É lógico que não interessa a Kassab que o PMDB continue alinhado ao PSDB no estado de São Paulo: afinal de contas, esse alinhamento poderia colocar tudo a perder no que se refere às suas pretensões de disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2014. Por isso, para desespero da ala quercista, a melhor saída seria conduzir o PMDB paulista a uma aproximação com o governo federal.

E há que se ter o cuidado aqui para não se confundir as coisas, como propositalmente tem feito os grandes jornalões. Confirmado um cenário em que tenhamos a migração de Kassab para o PMDB e, feito isto, o protagonismo do prefeito na aproximação do PMDB paulista com a base aliada do governo federal, isto não quer dizer que haja uma aliança de Kassab com o PT em nível estadual. São duas arenas de disputa bastante distintas e, tal como se desenha o cenário atualmente, é muito pouco provável que Kassab, no PMDB, venha se aliar com o PT na sucessão do Palácio dos Bandeirantes. A razão é simples: PT e PMDB disputariam, neste caso, o posto de 2ª força política na arena eleitoral, contra o PSDB.

Como o PT é hoje a 2ª força política no Estado de São Paulo, não interessaria ao partido abrir mão de uma candidatura própria para apoiar uma eventual candidatura de Kassab pelo PMDB ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. Dada a atual conjuntura, seria um movimento político muito nonsense. De qualquer forma, nenhuma afirmação pode ser dada como certa, uma vez que a arena política é altamente dinâmica e alterações de conjuntura podem ocorrer em um espaço muito curto de tempo. Neste caso, estamos vislumbrando um cenário consideravelmente longo – são mais quatro anos até as eleições de 2014.

Migração para o PSB é boato infundado
Se uma migração de Kassab para o PMDB parece ser plenamente factível, o mesmo não podemos dizer em relação à transferência do prefeito para o PSB, como alguns jornais têm especulado. A razão é muito simples: ao contrário do PMDB, não há lacuna deixada por lideranças no PSB de São Paulo. O argumento apresentado por alguns de que o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, poderia confiar a Kassab, se este migrasse para o PSB, a rearticulação do partido no Sudeste e Sul é um tanto quanto absurdo. Isto porque o partido tem nomes tão fortes quanto o de Kassab para capitanear este tipo de processo.

Basta lembrarmos do recém-eleito deputado federal Gabriel Chalita, que, apesar de ser “cristão novo” no PSB (Chalita chegou ao partido em 2009, após deixar o PSDB), já tem uma posição de destaque no partido. Nas eleições de outubro deste ano, Chalita foi o segundo deputado federal mais votado em São Paulo, tendo a vantagem de ser um nome que dialoga bem com todas as forças políticas. E além de Chalita, o PSB tem outros nomes muito fortes em São Paulo, como Márcio França e Luíza Erundina. Logo, não faz sentido pensar que Kassab teria algum tipo de protagonismo no PSB paulista, fato que nos leva a descartar por completo a hipótese de migração do prefeito para o partido.

O que se percebe é que cada vez mais torna-se iminente a migração de Kassab do DEM para o PMDB, pois o prefeito não quer perder tempo nem espaço na arena política. Embora as cartas não estejam de todo na mesa, os ruídos de bastidores já permitem concluir qual será o desfecho do jogo! Afinal de contas, seja no carteado ou na política, não parece ser a sorte o elemento decisivo para a vitória, mas sim a estratégia e a racionalidade.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

A imprensa demo-tucana e a tentativa de desestabilizar base de apoio a Dilma

As notícias veiculadas pela imprensa demo-tucana acerca da pré-candidatura do deputado federal Ciro Gomes (PSB-SP), nesta sexta-feira, 23, serviram para mostrar o quanto a grande mídia, a serviço dos interesses do conservadorismo, pode ser rasteira. Não é segredo para ninguém que Ciro sempre defendeu o lançamento de sua pré-candidatura à Presidência da República, argumentando que é saudável à democracia que o eleitor tenha mais que duas opções de escolha.

Neste sentido, o movimento de Ciro é totalmente legítimo, visto que nada mais natural que um potencial candidato lutar pela viabilização de sua candidatura junto ao Partido. Contudo, diante dos recentes números divulgados pelas pesquisas de intenções de voto, nos quais Ciro aparece em tendência declinante, abaixo dos 10%, e também levando em conta que o enfrentamento plebiscitário entre Dilma e Serra tende a ser melhor para a candidatura governista, o PSB de Ciro dá sinais de que não deve bancar a candidatura do deputado.

Esse tipo de acontecimento é mais comum do que se imagina na arena política: de um lado um quadro reconhecidamente forte “esperneando” para que o seu partido banque sua candidatura e, do outro, o partido analisando o cenário eleitoral e ponderando a viabilidade dessa potencial candidatura. Agora, o que tem se visto recentemente, especialmente nessa última semana, é a imprensa aproveitando esse cenário de instabilidade da pré-candidatura de Ciro para tentar desestabilizar a base de apoio à candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff.

Imprensa repercute suposta crítica de Ciro a Lula
Não é de hoje que a grande imprensa vem publicando matérias falaciosas dizendo que o presidente Lula vem atuando nos bastidores para convencer o PSB a não lançar candidatura própria, a despeito da intenção de Ciro Gomes em entrar na disputa. Nesta sexta-feira, porém, a coisa aparentemente se agravou: de acordo com uma suposta entrevista dada por Ciro ao portal IG, que foi negada pelo pré-candidato à noite, o deputado federal teria declarado que Lula “navega na maionese” e não é tão “poderoso” quanto pensa.

Pronto. Foi o suficiente para toda imprensa demo-tucana entrar em ação e começar a repercutir a tal entrevista, que Ciro negou ter concedido, na tentativa de criar um ambiente conflituoso na base de apoio do governo Lula e numa possível base de apoio à candidatura governista. Muitas lideranças demo-tucanas aproveitaram o episódio para dizer que Ciro havia sido “enganado” por Lula e pelo PT, na nítida intenção de jogar o deputado do PSB contra a cúpula e a própria militância do PT.

O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), por exemplo, declarou: “ele [Ciro] foi cozinhado grosseiramente, depois percebeu que sequer seria candidato a governador de São Paulo. O tratamento que deram a ele não foi leal”. As palavras do senador ainda foram endossadas pelo líder tucano na Câmara, João Almeida (BA), que disse que Ciro se “iludiu” com o presidente Lula. E ao longo de toda sexta-feira, a grande mídia, especialmente a Folha de São Paulo, tratou de dar destaque a essas supostas declarações de Ciro Gomes.

Ciro nega entrevista dada ao IG
Contudo, no início da noite, Ciro concedeu uma entrevista ao vivo ao SBT Repórter. Nesta entrevista, o pré-candidato do PSB desmentiu que tenha dado uma entrevista ao Portal IG, bem como, com toda sinceridade, declarou que disputará até o último instante sua pré-candidatura pelo PSB. O partido teria informado que a decisão final será anunciada na próxima terça-feira, 27. Ciro disse ao jornalista Carlos Nascimento, do SBT, “até terça feira de manhã, vou lutar e espernear, mas vou obedecer a decisão do partido”. Ou seja, o pré-candidato voltou a sinalizar que está disputando legitimamente dentro do partido, que até o último instante defenderá sua posição, porém acatará democraticamente o que o seu partido decidir. É isso.

Não existe crise nenhuma, como a imprensa gosta de repercutir. E, agora, vem o mais interessante: ao ser questionado sobre a pré-candidatura de Dilma, Ciro declarou que a ex-ministra é uma pessoa muito séria, competente, mas que “não teve nenhuma eleição na vida dela. Os primeiros movimentos dela me deixaram preocupados”. Essa frase do pré-candidato do PSB foi traduzida da seguinte maneira em uma matéria da Folha intitulada ”Na TV, Ciro diz que Serra é melhor que Dilma e promete espernear por candidatura própria”: “Ciro voltou a dizer que o pré-candidato tucano, José Serra, é mais preparado que Dilma”.

Agora cabe a pergunta: em que momento da entrevista Ciro declarou que Serra era mais preparado que Dilma? Assim como fez na semana passada, quanto acusou Dilma de ter dito que “exilados fugiram do país”, a Folha novamente colocou palavras na boca de outrem, manipulando descaradamente a fala de Ciro, que sempre criticou o tucano Serra. Trata-se assim de um movimento ardiloso da Folha para tentar desgastar a relação de Ciro com Lula e o PT, de modo a fragilizar a pré-candidatura de Dilma à Presidência da República.

É interessante destacar que a Folha vem fazendo esse tipo de movimento também em relação à candidatura de Mercadante ao governo do Estado de São Paulo. Nesta sexta-feira, por exemplo, entre uma matéria e outra falando do caso de Ciro, o jornal da família Frias publicou matérias insinuando que a relação PT – PC do B estaria fragilizada em São Paulo pelo fato da direção estadual do PT ainda não ter definido a segunda vaga ao Senado na coligação para o vereador Netinho de Paula (PCdoB). O presidente estadual do PT desmentiu a informação passada pelo jornal, de que as relações estariam estremecidas.

O que se vê, dessa maneira, é uma tentativa sagaz da imprensa demo-tucana em tentar criar focos de conflito entre os partidos da base aliada do governo Lula, atrapalhando, assim, as conversas e a costura de uma ampla coligação de apoio à pré-candidatura de Dilma ao Planalto. Lamentável a postura da imprensa, que novamente serve de instrumento das forças do conservadorismo e do atraso para voltarem ao poder!

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quarta-feira, 21 de abril de 2010

Ibope mostra consolidação das pré-candidaturas de Dilma e Serra

Divulgada antecipadamente pela Folha de São Paulo nesta quarta-feira, 21, a pesquisa Ibope referente ao mês de abril mostrou um quadro de estabilidade para as candidaturas de Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). Neste sentido, tanto a petista quanto o tucano oscilaram dentro da margem de erro do levantamento, não representando alterações com relação à pesquisa realizada em março pelo instituto.

De acordo com os números, Serra aparece na liderança com 36% das intenções de voto, um ponto percentual acima do patamar verificado em março. Dilma, por sua vez, alcança 29% das intenções de voto, um ponto percentual abaixo dos 30% registrados em março. Como a margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, os candidatos se movimentaram dentro dessa margem de erro, o que indica o cenário estável.

Serra e Dilma têm índices próximos de rejeição
Marina Silva (PV), por sua vez, ganhou dois pontos percentuais, passando de 6% das intenções de voto em março para 8% em abril. Neste mesmo patamar, encontra-se o pré-candidato do PSB, Ciro Gomes, que apresentou um recuo de 3 pontos percentuais face aos 11% alcançados na pesquisa anterior. Ciro, por outro lado, lidera no ranking da rejeição feito pelo Ibope, alcançando o patamar de 48% dos entrevistados que declararam não votar de jeito nenhum no candidato.

Atrás de Ciro fica Marina Silva, com rejeição de 43%. A ex-ministra Dilma, por sua vez, registrou uma rejeição de 34%, bastante próxima do índice de rejeição de José Serra, na casa dos 32%. A pesquisa Ibope foi feita entre os dias 13 e 18 deste mês, sob encomenda da Associação Comercial de São Paulo. Foram entrevistadas 2.002 pessoas em 141 municípios brasileiros.

Consolidação das candidaturas
De uma forma geral, podemos dizer que a pesquisa Ibope é bem interessante à medida que mostra uma tendência de consolidação das duas principais pré-candidaturas ao Palácio do Planalto. De um lado temos a candidatura governista, de Dilma, que após um movimento de forte ascendência, passa a se consolidar, o que é bastante normal visto que boa parte do eleitorado ainda não relaciona a petista ao presidente Lula.

Devemos aguardar os números completos do Ibope para saber qual a porcentagem do eleitorado que ainda desconhece Dilma e qual a parcela que mesmo tendo ouvido falar da ex-ministra ainda não a associa ao presidente Lula. Esses números são importantes pois nos dão uma idéia do horizonte de crescimento da candidatura governista, que deve se acentuar, sobretudo, a partir de meados de agosto, quando tem início a propaganda eleitoral gratuita no rádio e na TV.

A candidatura de Serra, por outro lado, não tem muitos motivos para comemorar: enquanto Dilma é um nome novo no cenário eleitoral, o tucano já é bem conhecido, uma vez que ocupou cargos de destaque no ministério do ex-presidente FHC, foi adversário de Lula na disputa presidencial de 2002, além de ter sido prefeito da maior cidade do país e governador do Estado de São Paulo. Ou seja: considerando tudo isso, o estacionamento de Serra na casa dos 35% não é um bom indicativo para o tucano, já que seu nome é mais conhecido pela população.

É natural que nessa fase de pré-campanha, especialmente agora após os pré-candidatos terem saído dos holofotes por conta da regra eleitoral, os números das pesquisas não venham registrar grandes variações. De qualquer forma, a pesquisa Ibope é importante no sentido de corroborar a consolidação das duas principais candidaturas à Presidência da República. Aguardemos os dados completos do instituto para analisarmos o potencial de crescimento de cada uma delas.

terça-feira, 13 de abril de 2010

Dilma cresce mais e empata com Serra, mostra pesquisa Sensus


A trajetória de crescimento da pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, foi confirmada pela pesquisa Sensus divulgada nesta terça-feira, 13 de abril. A pesquisa mostra um empate de Dilma com o pré-candidato tucano, José Serra, que possui 32,7% das intenções de voto, contra 32,3% da petista. Embora empatados, as trajetórias que Dilma e Serra vêm apresentando nos levantamentos são contrárias.

Isto porque, na pesquisa realizada em janeiro, Dilma estava com 27,8% das intenções de voto, contra 33,2% de Serra. Ou seja, enquanto a petista avançou 4,5 pontos percentuais desde o último levantamento, o ex-governador de São Paulo recuou 0,5 ponto percentual, confirmando, assim, o cenário já apontado por outras pesquisas de intenção de voto, como a Vox Populi e a CNI/Ibope.

Para se ter uma idéia, em novembro do ano passado, a distância entre Serra e Dilma era de 10,1 pontos percentuais, com o tucano atingindo 31,8% das intenções de voto e a ex-ministra registrando 21,7%. No levantamento realizado em janeiro, essa diferença recuou para 5,4 pontos percentuais e agora, na rodada de abril, chega a 0,4 ponto percentual, o que configura o empate entre os dois pré-candidatos.

A pesquisa divulgada nesta terça-feira mostra também que Ciro Gomes (PSB) tem 10,1% das intenções de voto, o que representa um recuo de 1,8 pontos percentuais face aos 11,9% que ele apresentava no levantamento de janeiro. Marina Silva (PV), por sua vez, avançou 1,3 pontos percentuais, passando de 6,8% em janeiro para 8,1% em abril, de acordo com os números da Sensus. Brancos e nulos somam 7,7% e 9,1% declararam que não sabe ou não opinaram.

Cenário sem Ciro
Considerando um cenário sem Ciro Gomes, o ex-governador de SP atinge 36,7% das intenções de voto, contra 34% das intenções de voto de Dilma. Apesar do distanciamento obtido em relação ao cenário com Ciro na disputa, considerando que a margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais, então Serra e Dilma estão na zona de empate técnico mesmo no cenário sem o pré-candidato do PSB na disputa.

Neste cenário, Marina Silva teria 10,6% das intenções de voto e brancos e nulos somariam 9,1%. Dentre os que não opinaram ou não souberam responder, o percentual atinge 9,5%, segundo o levantamento. A pesquisa também realizou uma simulação de segundo turno: de acordo com os dados obtidos, Serra alcançaria 41,7% das intenções de voto, contra 39,7% de Dilma. Ou seja, novamente empatados.

O percentual de brancos e nulos nesse cenário de segundo turno é 10,7%, enquanto 8,5% não opinaram ou não souberam responder. A pesquisa Sensus foi feita entre os dias 5 e 9 de abril em 136 municípios de 24 Estados. Foram, ao todo, 2000 entrevistas e a margem de erro do levantamento é de 2,2 pontos percentuais.