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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Algumas ponderações sobre o fato do salário médio do Rio ter superado o de SP

O jornalista Paulo Henrique Amorim publicou em seu blog Conversa Afiada na segunda-feira, 20, um texto tratando da questão de que “pela primeira vez, o salário médio do trabalhador do Rio é maior do que o salário médio do trabalhador de São Paulo”, partindo-se de dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgados na semana passada. A explicação de PHA para esse fato é de que o governo tucano “afundou São Paulo” e que, assim como apontado por um estudo do Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas), São Paulo vem perdendo participação no bolo da economia brasileira.

Bem, que o governo do PSDB vem promovendo um desmonte do Estado de São Paulo nos últimos 16 anos, isso ninguém duvida. O estado, que alguns anos atrás era conhecido como a “locomotiva do Brasil”, vem registrando taxas de crescimento cada vez mais tímidas na comparação com o total da economia brasileira. Contudo, é preciso tomar muito cuidado antes de sairmos fazendo análises sobre o comportamento de certos indicadores, ao risco de acabarmos dizendo bobagens. No caso dos indicadores econômicos, como o salário médio, por exemplo, mais importante que o componente estático é o componente dinâmico.

Ou seja, é mais importante sabermos a tendência do indicador do que sua posição num dado instante do tempo. Se analisarmos os números do IBGE, veremos que tanto Rio de Janeiro quanto São Paulo registram, até 2009, taxas de crescimento do salário médio muito próximas, conforme pode ser visualizado no gráfico abaixo. Se observarmos a expansão do rendimento médio entre novembro de 2002 e novembro de 2009, veremos que São Paulo apresentou um crescimento médio de 3,1%, enquanto o Rio de Janeiro teve uma elevação ligeiramente menor, de 2,9%. Ambos os estados, contudo, cresceram mais timidamente que a média total do salário médio no Brasil, que foi de 3,9%.

Façamos este mesmo exercício para o período entre novembro de 2002 e novembro deste ano. Neste intervalo de tempo, o salário médio no Rio de Janeiro saltou de R$ 1.392,44 para R$ 1.616,60, um expressivo crescimento de 16,1%. Enquanto isso, o rendimento médio de São Paulo elevou-se de R$ 1.559,63 para R$ 1.611, 80, o que representa um avanço de apenas 3,3%. Deve-se notar que São Paulo manteve praticamente o mesmo ritmo de crescimento que vinha tendo em anos anteriores, com uma ligeira aceleração. Por outro lado, o Rio de Janeiro apresentou um crescimento, a priori, totalmente fora da curva, o que elevou o rendimento médio no estado para um nível superior ao de São Paulo.

Uma observação das curvas mostra claramente que a aceleração do crescimento do rendimento médio do Rio se deu sistematicamente ao longo de 2010. Cabe aqui a questão: esse ritmo de crescimento do salário médio carioca deve se manter nos próximos períodos ou se trata apenas de uma aceleração localizada na série de tempo? Segundo PHA, “o Rio passou a criar empregos que exigem mão-de-obra mais qualificada e, portanto, de salário mais alto. A economia do Rio se beneficia e se beneficiará cada vez mais da industrialização movida a petróleo, pré-sal e Petrobrás. Os salários que o Rio passou a pagar exigem mais estudo e são oriundos da indústria. Como se sabe, a indústria cria mais empregos que o setor de serviços, especialmente os bancos, que aceleradamente trocam homem por computador”.

Salário médio vai manter ritmo de crescimento no RJ?
A explicação do jornalista é bastante plausível, mas carece de fundamentos que indiquem para uma manutenção desta tendência ao longo dos próximos meses e anos. Se novamente recorrermos aos dados do IBGE, poderemos constatar que de fato a indústria no Rio apresentou um comportamento melhor que a indústria paulista com relação a contratação de mão-de-obra ao longo de 2010. Entre janeiro e outubro deste ano, a indústria carioca registrou expansão de 5,5% no nível de ocupação, enquanto a folha de pagamento real cresceu 9,7%. Ou seja, já se descontando a inflação, nota-se um nível de crescimento da folha de pagamento acima da elevação do pessoal ocupado, o que indica contratação de cargos com maiores salários.

Neste mesmo período, o pessoal ocupado na indústria paulista avançou 2,9%, frente a um crescimento de 5,3% na folha de pagamento real. Com isso, a folha de pagamento média real (ou seja, a folha de pagamento real dividida pelo pessoal ocupado) cresceu 3,97% no Rio de Janeiro entre janeiro e outubro deste ano, contra uma elevação de 2,25% em São Paulo em igual período. Naturalmente, como a indústria tem um forte peso na geração de empregos e, portanto, na massa salarial da economia, esse crescimento superior no Rio em comparação à São Paulo pode ser uma explicação para que o salário médio carioca tenha alcançado níveis superiores ao do paulista. A questão que se coloca aqui não é nem a manutenção da tendência, mas sim a manutenção deste ritmo de crescimento.

Isto porque, de fato, as projeções são de que a indústria do Rio de Janeiro deve seguir em trajetória de crescimento nos próximos anos, tanto em função das atividades de exploração, produção e refino do pré-sal quanto pela construção do Pólo Petroquímico do Rio de Janeiro e da dinamização da indústria naval. Mas aí entra uma questão matemática: a expansão dessas indústrias naturalmente irá requerer mão-de-obra especializada, que é logicamente mais cara. Contudo, serão gerados muitos postos também no chamado “chão de fábrica”, com salários tradicionalmente menores. Isso naturalmente segura uma maior expansão da curva de rendimento médio, pois pode implicar em uma expansão do rendimento médio a taxas inferiores ao crescimento do pessoal ocupado.

Logo, teremos que aguardar os próximos meses para verificar se este movimento da curva de rendimento médio do Rio de Janeiro é consistente ou se não passou de uma aceleração pontual devido à maior expansão da indústria naval e petroquímica em 2010. Como dito anteriormente, ainda é cedo para tecer prognósticos: temos que acompanhar a evolução dos indicadores para somente então podermos efetuar uma análise mais certeira. Afinal de contas, como o próprio ditado popular diz: “prudência e canja de galinha não fazem mal a ninguém”.

domingo, 12 de dezembro de 2010

BNDES libera cinco vezes mais crédito para micro, pequenas e médias empresas na Era Lula

É indiscutível o protagonismo das micro, pequenas e médias empresas para a dinamização da economia brasileira como um todo. Tamanha é sua importância que a Presidente eleita Dilma Rousseff anunciou, ainda durante a campanha eleitoral, a criação, se eleita, de um Ministério específico para os micros e pequenos negócios, que sairá do papel já no início do seu governo. Segundo levantamento recente do Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), as micro e pequenas empresas respondem por nada menos que 54% do total de empregos formais existentes no país.

Esse número mostra o quanto são importantes políticas públicas no sentido de favorecer uma expansão dos micros e pequenos negócios, afinal de contas, o crescimento do setor é acompanhado por elevação do nível de emprego e, consequentemente, do nível de renda. Uma das medidas mais importantes tomadas pelo governo Lula no sentido de criar condições para a expansão dos micros, pequenos e médios negócios diz respeito à expansão do crédito para o setor. Até algum tempo atrás, os micro e pequenos empresários tinham uma dificuldade enorme para conseguir crédito: as exigências eram muitas e os juros cobrados, absurdos, fora o fato de que a quantidade de linhas de crédito era insuficiente.

No âmbito da política econômica voltada ao desenvolvimentismo e da reformulação do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), as micros, pequenas e médias empresas passaram a contar, desde 2003, com uma maior disponibilidade de crédito para financiar sua expansão e modernização. Pequenos empreendedores, que sempre sonharam em abrir o próprio negócio, mas não tinham condições financeiras para irem em frente, puderam finalmente dispor de fácil acesso a linhas de crédito que permitissem que seus sonhos saíssem do papel. O setor de micros, pequenas e médias empresas foi, sem dúvida, um dos maiores beneficiários da política de crédito ao setor produtivo desenvolvida pelo governo Lula.

Maior volume de crédito ao micro, pequeno e médio negócio
Considerando-se apenas o volume de crédito disponibilizado pelo BNDES, que passou a atuar ao longo do governo Lula como indutor do investimento, podemos constatar o quanto as micro e pequenas empresas foram beneficiadas. Os dados do banco estatal mostram que o volume de crédito disponibilizado para o setor quase quintuplicou ao longo do governo Lula: enquanto em 2002, o BNDES emprestou R$ 8,3 bilhões às micro, pequenas e médias empresas, somente entre janeiro e outubro deste ano o volume de crédito para o setor foi de R$ 37,2 bilhões. Isso representa um crescimento médio de 20,6% ao ano do volume de recursos disponibilizados para financiamento de micros, pequenas e médias empresas.

Neste mesmo período, o volume total de crédito disponibilizado pelo banco foi quase quatro vezes maior, passando de R$ 37,4 bilhões em 2002 para R$ 140,9 bilhões apenas nos primeiros dez meses de 2010. Isso significa uma expansão média anual de 18% nos desembolsos totais do BNDES. Chama atenção particularmente nesses dados o seguinte fato: os desembolsos do banco para micro, pequenas e médias empresas nos dez primeiros meses de 2010 (R$ 37,2 bilhões) são praticamente iguais ao valor total que o BNDES desembolsava para financiamentos em 2002 (R$ 37,4 bilhões). Outro fato que deve ser destacado: como os empréstimos a micro, pequenas e médias empresas cresceram em velocidade maior que os desembolsos totais, a participação do crédito ao setor cresceu de 22,3% para 26,4% dos desembolsos totais do BNDES.

Grande parte desses empréstimos ao micro, pequeno e médio negócio é disponibilizada através do Finame, que é uma linha de crédito voltada para a produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos. Cabe ressaltar que uma das exigências do BNDES para a liberação do financiamento é que o tomador do empréstimo adquira máquinas e equipamentos produzidos exclusivamente por empresas nacionais, constantes em uma lista fornecida pelo banco. Isso é muito importante, pois representa um incremento ainda maior da renda nacional, já que tanto as micro, pequenas e médias empresas quanto as empresas maiores, produtoras dos equipamentos, saem ganhando.

Uma variante dessa linha de crédito é o Finame Agrícola, voltado para produção e aquisição de máquinas e equipamentos exclusivamente do setor agrícola, como o próprio nome sugere. Essa modalidade de financiamento disponibilizada pelo BNDES tem sido muito importante, sobretudo, para propiciar a expansão da agricultura familiar e do pequeno produtor rural, cujo acesso ao crédito em épocas anteriores era muito dificultado. Juntos, o Finame e o Finame Agrícola responderam por nada menos que 67% do volume de desembolsos concedidos pelo BNDES às micro, pequenas e médias empresas em 2009, de acordo com os dados do banco. São recursos que, como dito anteriormente, favorecem a expansão tanto dos pequenos e médios negócios quanto de empresas maiores, que fornecem o maquinário e os equipamentos.

Micro e pequenas empresas recebem mais recursos
Outro aspecto que vale a pena ser sublinhado é que as micros e pequenas empresas receberam mais da metade do volume de desembolsos para o setor MPME (Micro, Pequenas e Médias Empresas) no período. De acordo com os dados do BNDES, dos R$ 37,2 bilhões que foram disponibilizados para as MPMEs entre janeiro e outubro de 2010, as micro e pequenas empresas receberam R$ 19,3 bilhões, ou seja, 52% dos desembolsos direcionados ao setor. Isso fica bastante claro quando confrontamos os empréstimos às micro e pequenas empresas com o volume total de desembolsos do BNDES: em 2002, as micro e pequenas empresas receberam 6,5% dos recursos totais disponibilizados pelo banco, contra 13,7% nos primeiros dez meses deste ano. Ou seja, as MPEs mais que dobraram sua participação no volume total de desembolsos do banco estatal nestes oito anos.

O crédito ao micro e pequeno empreendedor, que necessita de financiamento para abrir o seu próprio negócio, também cresceu bastante no período. Para se ter uma idéia, o volume de desembolsos do BNDES para pessoas físicas (micro e pequenos empreendedores, produtores rurais, transportadores autônomos escolares e de cargas) passou de R$ 3,5 bilhões em 2002 para R$ R$ 6,7 bilhões nos dez primeiros meses deste ano, o que representa um crescimento de 91% ao longo do governo Lula. O BNDES disponibiliza, para pessoas físicas, crédito para financiar obras civis, montagens e instalações, aquisição de máquinas e equipamentos novos ou usados, movéis e utensílios, despesas pré-operacionais etc.

Não há dúvidas, portanto, que do ponto de vista das políticas de crédito ao setor produtivo, houve um significativo avanço nesses oito anos de governo Lula no que se refere ao volume de financiamentos às micro, pequenas e médias empresas. Não poderia ser diferente, afinal de contas, um setor que responde por mais da metade dos empregos com carteira assinada existentes no país deve merecer atenção especial do governo federal. A criação de uma pasta ministerial específica para as micro e pequenas empresas é um sinal muito claro de que a Presidente eleita Dilma Rousseff dará continuidade a essas políticas, aperfeiçoando-as e ampliando-as durante o seu governo.

Leia também:
O governo Lula e a política de crédito ao setor produtivo

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Por que o dono do supermercado não consegue mão-de-obra para inaugurar filial?

Conversando com um amigo nesta tarde, soube da seguinte história: um dono de supermercado, conhecido dele, está com uma nova filial pronta para ser inaugurada, mas está sem condições de abrir o novo estabelecimento. Por que? Por uma razão simples: ele não encontra mão-de-obra para empregar na filial de seu supermercado. Embora a história pareça inusitada, deve-se dizer que ela tem se tornado mais comum do que se imagina: de um lado, empresas abrindo vagas aos montes e tendo dificuldade para efetuar contratações e, do outro, trabalhadores podendo escolher o emprego que mais lhe agrada.

Até algum tempo atrás, este tipo de coisa era algo totalmente inimaginável no Brasil: na época em que a economia não crescia e as fileiras do desemprego eram engrossadas a cada dia, uma vaga de trabalho era disputada a tapa por quem estava desempregado. Era a época em que os trabalhadores se submetiam a salários bem baixos e que benefícios eram considerados um “luxo”. Pois bem, com a expansão da economia e a política econômica orientada ao desenvolvimentismo, que foram as grandes marcas do governo Lula, este cenário foi profundamente alterado e hoje já podemos ver cenas como esta relatada a este blogueiro.

Bom momento da economia expande nível de emprego
O Brasil vem vivendo nos últimos anos um processo de crescimento consistente da economia, resultando, assim, na geração de nada menos que 15 milhões de novos empregos formais desde 2003. De um lado, a política de valorização do salário mínimo e o aumento da renda dos trabalhadores propiciaram um ciclo virtuoso na economia brasileira: com o aumento dos rendimentos houve uma expansão da demanda, que acabou por impulsionar os mais diversos setores da atividade econômica. Políticas setoriais específicas também contribuíram para a dinamização da economia brasileira, levando muitas empresas a ampliarem ainda mais suas contratações.

Com as novas contratações e o conseqüente aumento do contingente de ocupados, a massa de renda tem novos aumentos (acompanhando o crescimento do rendimento médio dos trabalhadores), o que impulsiona a economia e retroalimenta todo o ciclo. Se formos descrever aqui todas as medidas tomadas ao longo dos últimos anos que contribuíram para esta escalada de prosperidade econômica, necessitaríamos de todo espaço deste blog. Contudo, podemos elencar medidas importantes, como a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), durante a crise de 2008/2009 e que ajudou a impulsionar o consumo no Brasil, como também as medidas de expansão do crédito para consumo.

Além do que, não se pode deixar de destacar as medidas tomadas pelo governo para expansão do crédito ao setor produtivo, que trouxe novamente à cena o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social), só que agora numa posição de protagonismo, induzindo o investimento privado. Programas do governo, como o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e o Minha Casa, Minha Vida estimularam também setores específicos da economia, como a construção civil, por exemplo. Este mesmo amigo, que é engenheiro civil, relatou que sua empresa está tendo que pagar aos empregados rendimentos 30% acima do estabelecido pelos sindicatos. Como a oferta de vagas é grande no setor, os trabalhadores obviamente optam pelo salário maior – se a empresa não quer ficar sem mão-de-obra tem que aumentar o salário do funcionário.

É o mesmo caso do dono do supermercado que não encontra pessoal disposto a trabalhar em sua nova filial. Como as vagas, sobretudo na base da pirâmide do trabalho, têm se ampliado consideravelmente, os trabalhadores podem escolher entre diversos empregos. Agora, ao contrário de outras épocas, o trabalhador, ainda que desempregado, não se sujeita a qualquer nível salarial – pelo contrário, além do salário, o trabalhador tem o poder nos dias de hoje de barganhar benefícios, como vale transporte, vale alimentação, assistência médica etc. Assim, não basta que a empresa ofereça um salário maior – ela precisa oferecer também benefícios que atendam às expectativas dos trabalhadores.

Aumento do poder de barganha do trabalhador
O interessante é que este poder de barganha do trabalhador está chegando inclusive ao universo dos chamados “trabalhadores temporários”, aqueles que são contratados no final do ano durante um tempo pré-estabelecido apenas para fazer frente ao aumento da demanda comum na época das festas. Reportagem recente do Jornal Hoje, da Rede Globo, revelou que muitas lojas estão com grandes dificuldades para encontrar temporários justamente porque os trabalhadores estão pleiteando os mesmos benefícios que são oferecidos aos contratados via CLT (Consolidação das Leis do Trabalho). Essa é uma realidade extraordinária e mostra como as mudanças do governo Lula têm beneficiado diretamente a classe trabalhadora.

É claro que ainda existem alguns problemas que precisam ser equacionados, sendo que boa parte deles se concentra em áreas mais elevadas da pirâmide de trabalho. Um dos grandes problemas que vêm sendo amplamente difundidos pelas centrais sindicais, e que são corroborados por pesquisas de instituições como o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos), diz respeito ao fato de empregadores de alguns setores, como os bancos, aproveitarem a elevada rotatividade de mão-de-obra para oferecerem níveis cada vez menores de salários de readmissão. Ou seja, algumas empresas demitem funcionários com salários maiores para contratar outros com um nível salarial menor.

Mesmo com estes desafios, a perspectiva é de que no próximo governo as políticas de incentivo ao setor produtivo combinadas com políticas que provoquem o aumento da demanda continuem elevando significativamente o nível de emprego. As empresas devem continuar contratando em ritmo crescente e quem ganha com isso, obviamente, são os trabalhadores, que podem escolher o trabalho que mais de adequa às suas pretensões salariais e de carreira. Vivemos, sem dúvida, uma nova era na economia brasileira, que deve cada vez mais produzir mobilidade social, ampliando a fatia da população denominada “classe média”. Ao que tudo indica, histórias como a desse dono de supermercado devem ser cada vez mais freqüentes, já que caminhamos, como recentes pesquisas vêm mostrando, para o pleno emprego da economia.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Petiscos do dia - 17 de maio



Para Dilma, acabar com miséria extrema é prioridade: a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, concedeu na manhã desta segunda-feira, 17, uma entrevista à Rádio CBN, onde falou a jornalistas sobre política externa, o Irã, funcionalismo público e prioridades para o país. Seguem alguns trechos da entrevista, retirados do site “Dilma na Web”:

Irã
A primeira pergunta, do apresentador Heródoto Barbeiro, foi sobre o acordo firmado pelo Irã, que promete usar urânio para fins pacíficos e não para armas nucleares. Dilma disse que “o primeiro sinal foi dado”, se referindo ao muito do que tem de ser feito ainda. “É uma vitória da diplomacia brasileira e da política externa do presidente Lula, que sempre foi pró paz, uma política que tenta construir um mundo melhor”. Dilma destacou também a importância do diálogo: “É principalmente uma política onde o diálogo venceu sobre todas as tentativas iniciais sobre restrições, de multas ou de penalidades ou de sanções”.

Agências reguladoras
Sobre as agências reguladoras como as de energia (Aneel) e de telefonia (Anatel), Dilma Rousseff defendeu concursos públicos e ampliação da experiência administrativa. Também citou que é “importantíssimo ter quadros mais experientes".
"Acho que agência reguladora no Brasil é fundamental. Principalmente porque o Estado tem que agir onde há grande concentração [em poucas empresas]”, disse Dilma sobre pergunta da jornalista Lúcia Hipólito.

Dilma defendeu ainda a importância dos serviços de regulação e disse que o sistema vem melhorando. “As agências impedem cartéis, monopólios. As agências foram amadurecendo, com capacidade de gestão de características técnicas”. A pré-candidata defendeu também uma “reforma no estado”. “O Estado tem que ser mais eficiente”, disse, defendendo a contratação de mais engenheiros e quadros técnicos.

Concursos públicos
Dilma Rousseff afirmou que será necessária a continuidade da realização de concursos públicos. “Não é que precisamos aumentar o Estado, o Estado tem que ser mais eficiente. Precisamos construir um Estado meritocrático, profissional, decente”, explicou. Outra defesa foi para os funcionários públicos. “Tem que ser premiado o funcionário que cumprir metas. No quadro do serviço público, a gente não pode de maneira alguma supor que você prestará um serviço de qualidade se você não der incentivo”.

Previdência social
Dilma Rousseff disse que é preciso ter mudanças sistemáticas, mas sem reformas grandes como as realizadas no passado. “Acredito que reforma na previdência apresenta algumas armadilhas, como aconteceu em alguns países onde houve uma corrida para aposentadoria [precoce]. Defendo que a gente ajuste a previdência sistematicamente. Vai ter que mudar as regras, vai ter que negociar essas mudanças de regras”. Segundo ela, deve haver uma maior conversa com os aposentados. “É sempre necessário procurar uma solução clara”, disse defendendo debates com os aposentados.

Educação
Dilma Rousseff afirmou que só há uma maneira de o Brasil ter educação de qualidade: tendo professores de qualidade. “Tem duas coisas que tem de ser feitas para uma educação de qualidade: aumentar o salário dos professores e dar formação continuada.”

Acabar com a miséria extrema
Ao ser perguntada se é de esquerda, Dilma afirmou fazer parte de uma tradição desse pensamento que tem a preocupação com a erradicação da miséria. “Faço parte de um caudal de esquerda. Eu sou sobretudo a candidata de um projeto que mudou a realidade do país”, disse. “Nessa década que se avizinha, nós podemos erradicar a miséria no Brasil. Isso é talvez a coisa mais importante para se fazer hoje no Brasil”, disse, acrescentando que “ser de esquerda” é pensar pelos mais pobres. "Nós crescemos distribuindo renda. Tiramos da miséria 24 milhões de brasileiros e elevamos as classes médias em 31 milhões de pessoas.”

Brasil tem novo recorde de empregos em abril: o Ministério do Trabalho e Emprego divulgou nesta segunda-feira que foram gerados 305 mil novos postos de trabalho formais no país em abril, um recorde para o mês. Este é também o segundo maior resultado desde o início da série histórica, em 1992, ficando atrás apenas do desempenho registrado em junho de 2008, quando foram criados 309 mil vagas de trabalho com carteira assinada.

No acumulado do ano, o saldo de empregos da economia brasileira já é de 962,3 mil novas vagas formais. A projeção do Ministério do Trabalho é de que sejam gerados 2,5 milhões de novos empregos com carteira assinada neste ano, fazendo de 2010, dessa maneira, o ano com melhor desempenho de geração de empregos. Até que se confirme essa marca, o ano com melhor desempenho para a geração de empregos foi 2007, com 1,6 milhão de novos postos formais de trabalho.

Os empregos com carteira assinada apresentaram crescimento em 13 dos 25 subsetores da economia brasileira. O destaque novamente ficou com a construção civil, que teve o quarto recorde seguido de geração, com 38.951 novas vagas. A indústria de transformação, por sua vez, gerou 83.059 vagas formais em abril. Este é o segundo maior número para o mês e resultado de expansão em sete dos 12 ramos. O setor têxtil apresentou a maior contribuição para os empregos na indústria, com 10.092 vagas.

CNI aumenta projeção de crescimento do PIB: o noticiário econômico também foi marcado, nesta segunda-feira, pela divulgação do Informe Conjuntural da CNI (Confederação Nacional da Indústria), que revisou a perspectiva da instituição para o crescimento do PIB brasileiro em 2010. Neste sentido, segundo o relatório, o país deve crescer 6% neste ano, 0,5 ponto percentual acima da projeção anterior, que era de um crescimento da ordem de 5,5%.

De acordo com os analistas das CNI, o crescimento econômico do Brasil em 2010 deverá ser puxado especialmente pelo PIB industrial, que deve crescer 8% de acordo com as projeções da instituição, acima da perspectiva de 7% apontada no final do ano passado. Essa forte elevação deverá decorrer, sobretudo, de um crescimento projetado de 12% da produção industrial e de 18% dos investimentos. O consumo das famílias também deve registrar expansão de 6,2%, de acordo com o relatório da CNI.

Ainda segundo o documento, a inflação medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) deve fechar 2010 em 5,4%, acima da projeção anterior, de 4,7%. Vale destacar que a meta do governo para o índice fica entre 2,5% e 6,5%. "O aumento dos preços será provocado especialmente por reajustes em alimentos, bebidas e serviços. Com isso, os juros devem chegar ao final de 2010 em 11% ao ano, ante os 8,75% de dezembro de 2009", diz o documento.

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Petiscos do dia - 28 de abril

Desemprego pelo Seade/Dieese tem menor taxa desde 98: a taxa de desemprego medida pelo Seade/Dieese atingiu 13,7% em março, o menor nível da série desde 1998, de acordo com dados divulgados nesta quarta-feira, 28. Em março de 2009, a taxa total era de 15,1%. Dentre as seis capitais pesquisadas pelos institutos, Salvador registrou a maior taxa de desemprego: 19,9% em março deste ano, ligeiramente abaixo da taxa de 20,1% apontada em igual período do ano anterior.

A menor taxa de desemprego, por sua vez, foi verificada em Porto Alegre, com 9,8%, contra 11,7% registrado em março de 2009. Na cidade de São Paulo, a taxa de desemprego medida pelo Seade/Dieese foi de 13,1% em março deste ano, contra 14,9% registrado em igual período de 2009. Em termos absolutos, o contingente de desempregados nessas seis capitais atingiu 2,76 milhões em março deste ano, o que representa um recuo de 7,6% frente aos 2,99 milhões verificados no terceiro mês de 2009.

No que se refere ao rendimento médio nas seis capitais pesquisadas, praticamente não houve variação em fevereiro, de forma que a renda média do trabalhador ficou em R$ 1.274. Entre os assalariados, houve uma ligeira queda de 0,7% no rendimento, atingindo R$ 1.340 em fevereiro deste ano.

PT estuda ação contra guerra suja na internet: em sua página no serviço de microblog Twitter, o secretário de Comunicação do PT, André Vargas, destacou a “guerra suja” que a oposição tem desencadeado, com ataques ao governo Lula e à pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. Segundo Vargas, “Eduardo Graeff do PSDB é o articulador das baixarias do PSDB. Titular dos sites que promovem a guerra suja.Vamos responsabilizá-lo”.

De acordo com informações da Folha Online, “um dos sites questionados é o gentequemente.org.br, que traz críticas ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à pré-candidata petista Dilma Rousseff. O site entrou no ar em meados de 2009”. A matéria da Folha ainda cita que “o registro do site petralhas.com.br também entrou nas listas de discussão das redes sociais na internet. O domínio foi registrado pelo coordenador de campanha do pré-candidato à Presidência José Serra (PSBD), Eduardo Graeff. O ISD (Instituto Social Democrata), entidade ligada ao PSDB, também consta do registro do domínio dessa página --que está inativa”.

Ainda segundo a Folha, “Graeff admitiu ter registrado o domínio do site petralhas.com.br, mas negou participação na distribuição de boatos contra o PT. ‘De que forma um site inativo, isto é, um nome de domínio, se envolve em uma guerra cibernética?’, questionou. Segundo ele, a ideia de registrar esse domínio foi inspirada no livro ‘O País dos Petralhas’, do jornalista Reinaldo Azevedo --o livro foi lançado em 2008. Graeff disse que, na ocasião de seu lançamento, achou que o material rendia um site e que o nome era ‘divertido’".

“Ficha Limpa” deve ser votado na próxima semana: durante a sessão desta quarta-feira, 28, os deputados novamente adiaram a votação do Projeto “Ficha Limpa”, que trata da inegibilidade de políticos considerados “ficha suja”, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara. Contudo, logo em seguida, líderes partidários assinaram o requerimento de urgência, o que permite que o presidente da Casa, deputado federal Michel Temer (PMDB-SP), coloque o projeto na pauta de votação do plenário quando quiser.

Neste sentido, a expectativa é de que o projeto seja votado já na próxima terça-feira, dia 4 de maio. O requerimento ganhou assinaturas suficientes após PT e PMDB assiná-lo (agora, o documento conta com mais de 400 assinaturas, sendo que precisa, no mínimo, de 257). Em plenário será votado o texto com algumas flexibilizações apresentadas pelo seu relator, o deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP).

O texto do deputado Cardozo propõe a inelegibilidade para candidatos condenados por decisão colegiada, mas com a possibilidade de efeito suspensivo com recurso avaliado também por um órgão colegiado.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Petiscos do dia - 15 de abril



Dilma defende desoneração fiscal em palestra no RS: nesta quinta-feira, 15, a pré-candidata do PT à Presidência da República deu uma palestra a empresários na Fiergs (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Sul), onde fez um balanço da política industrial desenvolvida pelo governo Lula. Dilma aproveitou para lembrar os empresários que os governos brasileiros, anteriores a Lula, não se preocuparam em desenvolver uma política industrial adequada.

“Nós teremos que fazer política industrial no nosso país, algo que muitos antes de nós consideraram provas de insensatez e atraso”, declarou a petista. Sobre o período anterior a Lula, Dilma ainda afirmou: “estagnação e desigualdade nos desafiaram ao longo de décadas numa espécie de enigma de uma esfinge perversa: ou decifra ou eu te devoro. E fomos de certa forma sendo derrubados todos. Não fisicamente, mas em nossos sonhos”.

Além disso, a ex-ministra afirmou que “o Brasil precisa de desoneração fiscal”, acrescentando que “desenvolver o país sem comprometer a estabilidade foi o grande desafio que tivemos que responder. Não foi trivial. As apostas eram que a gente não ia conseguir. Nós vencemos a esfinge”.

Criação de empregos bate recorde no 1º trimestre: o balanço da geração de empregos formais nos primeiros três meses de 2010 foi bastante positivo, de acordo com os dados do Caged divulgados nesta quinta-feira. De acordo com o levantamento, foram gerados o 1º trimestre deste ano 657,2 mil novos empregos com carteira assinada, um recorde para o período desde o início da série histórica.

Neste sentido, o patamar atingido neste trimestre foi 19% superior à melhor marca para o período, que havia sido alcançada no primeiro trimestre de 2008. Somente no mês de março foram criadas 266 mil novos postos formais de trabalho. Para abril, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, projeta novo recorde: 340 mil novas vagas, segundo as projeções do ministro. Os salários médios de admissão também cresceram 4,37% em março, na comparação com igual mês de 2009, passando de R$ 782,50 para R$ 816,70.

A aposta do governo é de que a geração de empregos formais em 2010 seja superior a 2 milhões de novas vagas, o que seria um recorde para um ano. Lupi destacou, contudo, que é importante que a taxa de juro mantenha um patamar baixo: “estamos num ciclo virtuoso em que a gente não pode matar as galinhas dos ovos de ouro, que é a produção. Taxas de juros aumentando cerceia a produção”.

Institutos de pesquisa questionam atitude da Folha: após vários artigos da Folha de São Paulo criticarem as pesquisas dos institutos Vox Populi e Sensus por estas não confirmarem o resultado obtido no último levantamento do Datafolha para a sucessão presidencial, os diretores destes institutos vieram a público rebater as críticas do jornal paulista.

“As discussões (sobre os resultados das pesquisas) deveriam manter um nível técnico, sobre as diferenças metodológicas. Infelizmente, a Folha optou por uma abordagem tendenciosa e sem argumentos consistentes. Questionável é a linha editorial da Folha de São Paulo”, disparou o diretor do Vox Populi, João Francisco Meira. Ele ainda acrescentou: “a diferença entre nós é a existência de um grande veículo de comunicação que se dispõe, talvez por solidariedade aos colegas do departamento de pesquisa, a praticar um jornalismo de má qualidade, atacando sistematicamente empresas que divulgam resultados diferentes dos que lhe interessam”.

O diretor do Sensus, Ricardo Guedes, declarou que “a Folha pinçou esse fato e transformou em uma matéria de primeira página que não diz absolutamente nada”, referindo-se a uma matéria do jornal paulista que tenta desqualificar o trabalho do Sensus, antes mesmo de que os resultados fossem divulgados, explorando uma troca no nome do contratante da pesquisa.

Comentário de Serra deixa Maluf “muito satisfeito”: na manhã desta quinta-feira, em entrevista à rádio Bandeirantes, o pré-candidato tucano à Presidência da República, José Serra, declarou que o sucessor de um governante nem sempre replica o seu antecessor, referindo-se indiretamente à pré-candidata do PT, Dilma Rousseff. Para exemplificar sua afirmação, o tucano relembrou o caso do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta, e seu antecessor e padrinho político, Paulo Maluf (PP).

“Lembra o que ocorreu em São Paulo com [Paulo] Maluf e [Celso] Pitta. O Maluf estava bem avaliado e bancou o Pitta. O Pitta foi diferente do Maluf ou não foi? Foi outra coisa. Não necessariamente o sucessor replica o antecessor mesmo tendo sido apoiado por ele”, declarou Serra. A afirmação do tucano, ao criticar a gestão Pitta e dizer que ela não “replicou” o governo anterior, de Maluf, dá margem à interpretação de que Serra considerava boa a administração de Paulo Maluf.

Tanto que Maluf reagiu muito bem ao comentário do tucano, declarando no final da tarde: “estou muito satisfeito com o comentário de José Serra sobre a minha gestão”. Sobre a declaração de Serra, a Dilma afirmou: “isso não é crítica, é desejo. Desejo que a população pense assim. Cada um fique com seus desejos”, lembrando que fez parte ativamente dos projetos do governo Lula, como o PAC, o Luz para Todos, o Minha Casa, Minha Vida, o Bolsa Família e o pré-sal.

sexta-feira, 9 de abril de 2010

Como o governo Lula gerou mais de 12 milhões de empregos formais?



É bastante razoável que avaliemos o desempenho de um governo usando como um dos critérios de análise a geração de empregos obtida no período. Um outro indicador importante seria o equilíbrio macroeconômico desse governo, especialmente no que diz respeito ao controle inflacionário. Por esse prisma, é plausível dizermos que um governo será melhor que outro à medida que gerar mais empregos mantendo um cenário de inflação sob controle.

A afirmação pode parecer estranha se pensarmos na Teoria Econômica de inspiração neoclássica que diz que, no curto prazo, existe um trade-off entre inflação e desemprego, o que é chamado pelos economistas de “Curva de Philipps”. Ou seja, o que a teoria econômica clássica ensina é que os policy makers se defrontam com a seguinte opção conflitiva: se combatem a inflação, aumentam necessariamente o desemprego; e se combatem o desemprego, aceleram a inflação. O que fazer então?

Ora, uma análise mais profunda do governo Lula mostra que as coisas não são bem assim com reza a cartilha clássica da Economia. Isto porque desde o seu início, o governo Lula vem sendo atingindo marcas extraordinárias de geração de emprego dentro de um ambiente de controle inflacionário: ou seja, o emprego é gerado e o equilíbrio macroeconômico segue inabalado, contrariando a curva de Phillips. E mais que isso: os resultados alcançados pelo governo Lula contrariam até mesmo as projeções pessimistas da oposição, feitas ao longo da campanha de 2002.

Mais de 12 milhões de empregos formais
Para se ter uma idéia, de acordo com declaração do Ministro do Trabalho, Carlos Lupi (PDT), em março deste ano, a geração de empregos formais atingiu um novo recorde no país, superando a marca histórica de 204 mil novas vagas de trabalho. Com a superação desse número, o total de empregos formais gerados pelo governo Lula desde janeiro de 2003, quando teve seu início, atinge um patamar próximo a 12,4 milhões de novas vagas, considerando os dados da Rais e do Caged.

O ministro Lupi projeta, ainda, que até o final deste ano, quando termina o governo Lula, o total de novos postos formais de trabalho deve atingir um valor entre 14 e 15 milhões. Façamos alguns cálculos, considerando o total de empregos formais criados até março deste ano – a saber 12,4 milhões. Com este volume de vagas, a média registrada pelo governo Lula é de 1,55 milhão de novos postos de trabalho formais por ano, desde 2003. Essa média por si só é bem superior ao total de empregos gerados no governo FHC, que foi de aproximadamente 800 mil novas vagas.

Voltemos à calculadora então: com um volume de geração de emprego de 800 mil vagas em 8 anos, o governo FHC teve uma média anual de 100 mil novos postos de trabalho. Isso quer dizer que se levarmos em conta os dados preliminares de março, que apontam para uma geração de empregos acima de 204 mil novas vagas, podemos perceber que em um único mês o governo Lula criou mais que o dobro de empregos da média anual do governo FHC. E tudo isso, dentro de um cenário de controle inflacionário, já que a inflação medida pelo IPCA encerrou 2009 em 4,31%.

Oposição não acreditava na geração de empregos
O êxito alcançado pelo governo Lula no que diz respeito à geração de empregos torna-se mais interessante se relembrarmos o debate eleitoral de 2002. Naquele momento, o então candidato Lula assumia o compromisso de criar em seu governo 10 milhões de novos postos de trabalho, incluindo aqui tanto emprego formal quanto informal. Quando declarou isso, Lula foi criticado por boa parte da imprensa e inclusive pelo seu principal adversário, o ex-ministro da Saúde de FHC e atual pré-candidato (novamente) à Presidência da República, José Serra (PSDB). Serra chegou inclusive a cobrar explicações de Lula, conforme pode ser visualizado em matéria da Folha de S.Paulo daquela época.

Serra declarou ao jornal naquela época que “para frases de efeito, o Lula é craque. Precisa mostrar que é craque em como fazer e isso ele ainda não mostrou”, também dizendo que Lula teria que explicar “questões como a criação de empregos”. Como será que hoje, oito anos depois, o pré-candidato Serra avalia essa criação de empregos feita pelo governo Lula? Será que o êxito do governo Lula em criar não apenas 10 milhões (entre formais e informais) e sim 12,4 milhões de empregos formais até o momento, responde ao Serra?

Muitas vozes da oposição e da imprensa podem dizer que Lula conseguiu esse êxito por ter seguido a mesma política econômica de FHC. Ora, mas se Lula seguiu o mesmo receituário, como gostam de dizer erroneamente os opositores, por que FHC criou apenas 800 mil vagas de trabalho em seu governo? Se a política econômica foi a mesma (e sabemos que não foi), então FHC também tinha que ter criado milhões de novos empregos. Mas, naturalmente, a oposição prefere se comportar como a avestruz, enfiando a cabeça no chão e fazendo de conta que nada aconteceu.

Projeto político do governo Lula foi fundamental
O que devemos atentar é que essa extraordinária geração de empregos alcançada no governo Lula foi fruto de um projeto de desenvolvimento para o país totalmente distinto do projeto tucano. O governo Lula, ao contrário do tucanato, deu ao Estado o papel de planejar e induzir os investimentos, através de políticas públicas transversais, como o PAC, que contribuíram para a geração de empregos. Aliado a isso, os incentivos dados pelo governo através da concessão de novas linhas de financiamento para o setor privado também foram decisivos.

E, naturalmente, não podemos esquecer que a política de valorização da renda, através dos ganhos reais no salário mínimo, e também as políticas de transferência de renda impulsionaram o consumo – sem, contudo, elevar a inflação -, favorecendo, assim, o setor de serviços e o comércio em geral. Dentro de um contexto de estabilidade econômica e perspectivas otimistas para a economia, o setor privado sentiu-se à vontade para ampliar o nível de investimentos ao longo desse período, o que acabou resultando em novos postos de trabalho com carteira assinada.

O que se percebe com tudo isso é que o êxito da política de criação de empregos do governo Lula está diretamente relacionado com o projeto político desenvolvido ao longo destes 8 anos, que coloca o Estado como indutor do investimento e ao mesmo tempo favorece a expansão dos investimentos privados. Para os oposicionistas que achavam surreal quando Lula dizia que criaria 10 milhões de novos empregos em seu governo, resta apenas admitir o êxito desse projeto. Afinal de contas, nem o mais idiota dos opositores pode negar que o Brasil avançou muito nesta questão ao longo do governo Lula!

quinta-feira, 25 de março de 2010

Expansão do investimento deve impulsionar PIB em 2010, aponta Ipea

Passados os efeitos da crise, a economia brasileira deve apresentar crescimento vigoroso este ano. É o que aponta o Sensor Econômico, divulgado pelo Ipea (Instituto de Pesquisas Econômicas e Aplicadas) nesta quinta-feira, 25 de março. De acordo com a mediana das projeções do setor produtivo, o PIB brasileiro deve registrar um crescimento de 5,2% em 2010.

Esse bom desempenho do PIB deve ser impulsionado, sobretudo, pela expansão do nível de investimento privado (formação bruta de capital fixo), que deve ficar na casa dos 12,1%, segundo o documento do Ipea. É importante destacar o investimento é o principal indicador de confiança do setor produtivo na economia: um nível de crescimento desta magnitude revela que os empresários estão confiantes no cenário econômico.


Mais empregos e inflação sob controle
A elevação do investimento ocorre, neste sentido, paralelamente a um crescimento do nível de emprego. As projeções coletadas pelo Ipea apontam para a criação de 1,5 milhão de novas vagas de emprego formal, mostrando o quanto o setor produtivo encontra-se otimista com o cenário econômico. Ou seja: as firmas devem ampliar mais o seu capital fixo e elevar também o número de contratações.

Este crescimento, impulsionado pelos maiores investimentos e pela criação de novos postos de trabalho, deve se dar de uma forma sustentável, sem ocasionar repiques inflacionários. De acordo com o Sensor Econômico, a mediana das expectativas do setor produtivo aponta para uma inflação medida pelo IPCA de 4,7% em 2010, o que representa um nível bastante satisfatório.

Excelente desempenho do setor externo
O setor externo também deve apresentar um bom desempenho, com as exportações atingindo US$ 170 bilhões em 2010. Enquanto isso, as importações deverão somar US$ 155 bilhões neste ano, de acordo com as expectativas. Com isso, considerando as medianas dos agentes do setor produtivo, a balança comercial brasileira deve encerrar 2010 com superávit de US$ 15 bilhões.

A taxa de câmbio, por sua vez, deverá encerrar o ano em R$ 1,89 por dólar, apontam as projeções. Percebe-se, dessa maneira, que o cenário econômico deve ser muito bom neste ano e que o setor produtivo aposta em um melhor desempenho da economia brasileira do que o registrado em 2009. Isso mostra que a condução da política macroeconômica pelo governo federal está sendo acertada.

Sobre o Sensor Econômico
O Sensor Econômico, pesquisa feita pelo IPEA nos meses de fevereiro, abril, junho, agosto, outubro e dezembro, expressa o que prevê para a conjuntura macroeconômica entidades que se caracterizam como de indústria, de comércio, de serviços e de agropecuária. Também respondem à pesquisa algumas entidades de trabalhadores e uns poucos institutos e centros de estudos setoriais.

Participam da pesquisa 85 entidades. As entidades fornecem projeções para o comportamento no ano corrente das principais variáveis macroeconômicas, como o PIB, inflação e emprego.