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quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O mapa da fidelidade: base aliada vota em peso com governo e aprova mínimo de R$ 545

Após intensos debates nos últimos dias, o governo finalmente conseguiu emplacar o valor de R$ 545 para o salário mínimo, após uma estréia vitoriosa na Câmara dos Deputados em votação ocorrida na noite de quarta-feira, 16. Embora a base governista ocupe a imensa maioria da Câmara, com 369 cadeiras, alguns deputados mostraram-se, ao longo dos últimos dias, reticentes em se alinhar ao texto enviado pelo Palácio do Planalto, que estabelece o valor de R$ 545 para o salário mínimo a partir de março deste ano e mantém a regra atual de reajuste (variação do INPC do ano anterior + variação do PIB de dois anos antes) até 2015.

Após uma votação simbólica do texto básico do projeto, o plenário passou para votação nominal dos destaques apresentados pela oposição. O primeiro destaque foi apresentado pelo PSDB, propondo emenda que elevasse o valor do salário mínimo este ano para R$ 600. Essa emenda foi rejeitada por 376 votos contra 106 favoráveis. Em seguida, passou-se à votação do segundo destaque, de autoria do DEM, que propunha elevação do salário mínimo para R$ 560. É com base no resultado do painel da Câmara na votação desse destaque que avaliaremos aqui o índice de fidelidade dos partidos aliados ao Palácio do Planalto. Isso porque uma parte da base governista “pendia” a votar favoravelmente a esse destaque, contrapondo-se ao valor defendido pelo governo.

Entretanto, a base governista votou coesa no projeto enviado pelo Palácio do Planalto, sendo que o índice de infidelidade foi de apenas 8%. Para se ter uma idéia, a emenda que elevava o mínimo para R$ 560 foi derrubada com 361 votos contrários, sendo que os votos favoráveis foram apenas 120. Dentre os 369 deputados da base governista, uma expressiva parcela de 340 votou contra a emenda de R$ 560, de forma que houve apenas 29 “infiéis”. Como já era esperado, a maior parte desses infiéis veio do PDT, cuja liderança na Câmara não deu orientação de voto para a bancada, deixando os deputados livres para votarem como quisessem. Assim, dos 27 deputados que compõem a legenda, 16 votaram contra a emenda de R$ 560 e 9 votaram a favor, contrariando o governo.

É importante frisar, contudo, que houve infidelidade na própria bancada petista. Dos 85 deputados do PT, nada menos que 7 não compareceram à sessão. Dentre os 78 que estavam presentes, 75 rejeitaram a emenda de R$ 560 e houve dois petistas (Eudes Xavier, do Ceará, e Francisco Praciano, do Amazonas) que votaram a favor da emenda do DEM e contra o valor proposto pelo governo. Vale lembrar que o petista presente e não contabilizado no painel foi o deputado Marco Maia, que presidia a sessão e que, de acordo com o artigo 17 do Regimento Interno da Casa, não poderia votar nominalmente. Dentre os 10 partidos da base governista, 4 votaram na sua totalidade com o governo. Foram eles: o PMDB (77 votos), o PSC (17 votos), o PCdoB (15 votos) e o PRB (12 votos).

Os partidos minoritários, que são aqueles cujas bancadas são inferiores a 10 deputados, votaram em sua ampla maioria com o governo, como pode ser visualizado na tabela abaixo. Para se ter uma idéia, dos 17 deputados que integram o bloco minoritário, 15 votaram contra a emenda que propunha R$ 560 para o salário mínimo este ano. Na oposição, apenas dois partidos votaram integralmente a favor dos R$ 560: o PPS (com 11 deputados) e o Psol (cujos 3 deputados também votaram em favor dos R$ 560). No caso do DEM, dos 46 deputados que compõem a bancada, 5 faltaram e 2 outros votaram contra a emenda dos R$ 560. Dentre os 52 deputados tucanos, 1 faltou e dois votaram também contra a emenda dos R$ 560. Já no caso do PV, dos seus 14 deputados, 10 se abstiveram, 2 votaram a favor da emenda de R$ 560 e outros 2 votaram contra. As tabelas abaixo mostram detalhadamente o mapa da votação:


Partidos governistas:

PartidoNúmero de deputadosFavoráveis ao governo% de Fidelidade
PT

85

75

88%

PMDB

77

77

100%

PP

43

40

93%

PR

40

37

92,5%

PSB

31

30

96,8%

PDT

27

16

59,2%

PTB

22

21

95,5%

PSC

17

17

100%

PCdoB

15

15

100%

PRB

12

12

100%

TOTAL

369

340

92%



Minoritários (partidos com menos de 10 assentos na Câmara):

PartidoNúmero de deputadosFavoráveis ao governo% de Fidelidade

PMN

5

4

80%

PTdoB

4

4

100%

PHS

2

1

50%

PRP

2

2

100%

PRTB

2

2

100%

PSL

1

1

100%

PTC

1

1

100%

TOTAL

17

15

88%

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

O primeiro teste de fidelidade da base governista: o que acontecerá com os "infiéis"?

A poucas horas da votação do novo valor do salário mínimo no plenário da Câmara dos Deputados, o Palácio do Planalto caminha para sua estréia vitoriosa na relação com a Casa, já que, ao que tudo indica, a proposta de R$ 545 para o novo mínimo deverá vencer com folga. Embora os debates acerca desse novo patamar do salário mínimo tenham sido marcados por certa tensão, especialmente pelo fato de muitos aliados não terem se posicionado automaticamente em defesa do valor proposto pelo governo, o Planalto conseguiu, nos últimos dias, o comprometimento das lideranças dos partidos da base governista com a votação do valor proposto, que obedece à regra de reajuste pactuada entre governo e centrais sindicais há quatro anos.

Assim, as perspectivas mais otimistas apontam para cerca de 360 votos em favor do valor proposto pelo governo, o que corresponde a mais de 70% da Câmara dos Deputados. É preciso atentar, contudo, que talvez os votos favoráveis não alcancem essa perspectiva otimista, mas ainda assim, o governo deve vencer com vantagem de mais de 100 votos na aprovação dos R$ 545. Diante desse quadro favorável ao governo, o que se coloca em discussão aqui é qual deverá ser a relação daqui para frente com os “aliados” dissidentes? Isso porque embora todos os partidos da base governista, com exceção do PDT, tenham recomendado a suas bancadas o voto favorável ao projeto de R$ 545, parece pouco provável que a aprovação dentre os partidos aliados seja unânime.

PDT deixa bancada livre para votação do mínimo
O próprio PMDB, principal aliado do governo, admite que, embora a ampla maioria da bancada deva votar a favor da peça proposta pelo governo, pode haver um ou outro deputado dissidente que vote no valor de R$ 560, valor costurado pelas centrais e pela oposição. Entretanto, não é o PMDB, o PR, o PCdoB, o PSB, o PRB e os demais aliados que preocupam o governo, mas sim o PDT. O partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, foi o único que não orientou à sua bancada o voto favorável ao projeto do governo, deixando os deputados livres para votarem como bem entendessem nessa importante matéria que está em tramitação na Câmara dos Deputados. Isso porque uma ala do PDT, alinhada a Paulo Pereira, da Força Sindical, faz pressão pelo mínimo de R$ 560, abaixo do valor pleiteado inicialmente (R$ 580), mas acima do valor proposto pelo governo.

Mesmo com o voto em aberto do PDT, o seu líder assegura que, dos 27 deputados federais que compõem a bancada do partido, pelo menos 15 votarão a favor do projeto governista. Ainda que essa conta, que foi sustentada pelo ministro Carlos Lupi, esteja correta, cabe levantarmos aqui a seguinte indagação: porque o PDT, que é tão governo quanto os demais partidos da base aliada, pode se eximir de suas responsabilidades numa votação tão importante? Ora, se todos os partidos da base governista assumiram suas responsabilidades e orientaram suas bancadas a votarem a favor do mínimo de R$ 545, dividindo entre si também o ônus político dessa posição, o PDT também tinha mais que a obrigação de buscar a coesão interna e orientar seus deputados a votarem com o governo.

É preciso lembrar ao PDT que este é um governo de coalizão: não é só governo do PT, do PMDB e dos outros aliados. Todos os partidos que compõem o governo, como o PDT, têm a sua parcela de responsabilidade e é preciso assumir essa responsabilidade também nas votações mais polêmicas. É muito fácil querer ser governo apenas na hora de dividir os bônus, mas no momento em que o ônus é apresentado, querer pular fora do barco. Por essa razão, este blog considera inadmissível essa postura do PDT de não ter orientado o voto de sua bancada, independentemente se logo mais a maioria do partido (como sinaliza o líder da bancada) vote favorável ao projeto defendido pelo governo. Mesmo que 15 dos 27 pedetistas votem nos R$ 545, o partido já demonstrou que hesita quando é chamado à responsabilidade de ser governo.

Agora, e se o líder do PDT tiver errado nas contas e a ampla maioria do partido votar contra o projeto governista? Será uma desmoralização completa do ministro Carlos Lupi, que integra o governo, mas que não consegue manter a coesão dentro do seu próprio partido! E o pretexto de que “o PDT sempre deixou claro que não poderia votar contra os dogmas da legenda”, conforme declarou o presidente interino do partido, Manoel Dias, é, sinceramente, “conversa para boi dormir”. Afinal de contas, todos os partidos que compõem o governo gostariam muito de estarem votando agora um valor maior para o salário mínimo, mas esses mesmos partidos também têm noção da responsabilidade que o governo tem no sentido de controlar as contas públicas e impedir um aumento ainda maior da inflação.

Sem contar o fato de que o governo não está propondo um centavo abaixo do que foi acordado com as centrais sindicais em 2007: o valor de R$ 545 é justamente o resultado da regra de reajuste do mínimo pela inflação do ano anterior (2010) acrescida da variação do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos atrás (2009). Assim sendo, os aliados fiéis têm que defender o valor de R$ 545, deixando muito claro que o governo não está descumprindo acordo nenhum: quem está querendo tirar proveito da situação para descumprir uma regra firmada anteriormente são algumas centrais sindicais. É muito importante que os “aliados” que se mostrarem infiéis na votação de logo mais sejam cobrados pelo Palácio do Planalto, que deve chamá-los à responsabilidade de assumirem o seu papel no governo.

Não dá para que alguns partidos da base governista, como o PDT, ajam à revelia de suas responsabilidades enquanto governo. Quando se é oposição irresponsável, é muito mais fácil propor projetos mirabolantes e votar em valores que não estão dentro do que o orçamento permite; cabe, portanto, a quem é governo assumir a responsabilidade, especialmente em matérias como o salário mínimo, que têm profundo impacto em toda a economia. É inadmissível, portanto, que alguns aliados se comportem como se não tivessem responsabilidade nesse governo!

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

E continua a saga da velha imprensa para tentar azedar a relação de Dilma com PMDB

Não é de hoje que a velha imprensa vem promovendo investidas sucessivas para tentar desestabilizar a relação da Presidenta Dilma Rousseff com o PMDB, principal aliado do governo e, por isso mesmo, imprescindível à governabilidade. Desde o governo de transição, boatos pipocavam nos jornalões dando conta de atritos entre o PMDB e o PT, por conta de cargos no primeiro escalão. Na verdade, a imprensa tratava de forma exponencializada uma disputa natural entre os dois maiores partidos governistas, procurando transformar essa disputa em conflito. Embora esses boatos tenham criado certo estranhamento entre PT e PMDB, Dilma conseguiu fechar as nomeações dos Ministérios sem maiores problemas com os dois partidos.

Bastou Dilma subir a rampa do Planalto e dar posse aos novos Ministros para que essa mesma imprensa passasse a difundir boatos sobre novos atritos entre PT e PMDB, dessa vez pelos cargos de segundo escalão. Os jornalões exploravam supostos atritos em Furnas, na Funasa, na Eletrobrás e em outras estatais. Tudo isso, naturalmente, com o propósito de azedar a relação entre Dilma, PT e o PMDB, já que esta relação é a principal viga de sustentação da governabilidade. Ou seja, se a imprensa obtivesse êxito no seu plano de intrigar Dilma, PT e o PMDB, ficaria muito mais fácil conseguir o que tanto deseja: desestabilizar o governo Dilma, transformando-o num fiasco.

Velha imprensa quer jogar PMDB contra Dilma
Agora, eis que a imprensa vem com um boato mais surreal ainda: de acordo com o Portal IG, “a presidenta Dilma Rousseff pediu para o prefeito Gilberto Kassab (DEM) se filiar ao PSB e não ao PMDB, como estava previsto em princípio”, pois, segundo a reportagem, “o Palácio do Planalto não quer aumentar ainda mais a musculatura do PMDB”. É preciso dizer de antemão que o boato reproduzido pelo IG nesta segunda-feira, 14, não é novo: no dia 4 deste mês, uma reportagem da Folha de São Paulo sugeria a mesma coisa. Segundo aquela matéria, “com o aval da presidente Dilma Rousseff, o PSB voltou a conversar com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), sobre sua filiação ao partido”, pelo que já se pode notar que existe um interesse muito grande da imprensa em dar credibilidade a esse rumor descabido.

Descabido porque, em primeiro lugar, tanto a matéria da Folha quanto do IG partem do pressuposto de que a movimentação de Kassab se daria no contexto de uma aproximação com o PT paulista com vista às eleições de 2012 e 2014. Essa tese carece de fundamentos e já foi amplamente negada pelo próprio Diretório Municipal do PT em São Paulo. De acordo com uma Resolução Política aprovada pela Executiva Municipal do PT paulistano na semana passada, “não existe nenhuma ‘negociação’ com o atual prefeito, pois temos claro que existem concepções e projetos totalmente distintos para a cidade”. Além disso, como já expusemos nesse blog, até mesmo do ponto de vista pragmático não existem justificativas para uma aproximação entre o PT paulistano e Kassab. Para entender melhor esta questão, clique aqui.

Ora, se não existe uma movimentação do PT paulista nem do PT paulistano para se aproximar de Kassab, alguns poderiam cogitar, ainda, que esse movimento poderia estar sendo feito pelo PT nacional, como forma de atrair para a base governista o prefeito de São Paulo e, com isso, enfraquecer ainda mais a oposição em um dos seus principais redutos. É uma hipótese até que plausível. O que não é pertinente, contudo, seria uma intromissão direta do PT no destino de Kassab, especialmente por parte da Presidenta Dilma. O que queremos dizer aqui é que se Dilma atuasse da forma com que esses jornalões dizem, ela estaria dando um tremendo tiro no pé, pois estaria colocando em risco a relação com seu principal aliado.

Se nem o PT correria o risco de fazer uma manobra dessas, sabendo das conseqüências que isso poderia ter no plano nacional, muito menos a Presidenta Dilma. O partido para o qual Kassab irá migrar, se é que migrará de fato, é uma decisão do prefeito, cuja negociação deve ser feita somente entre ele e os partidos envolvidos na disputa, a saber o PMDB e o PSB. Não é uma decisão que passa nem pelo PT muito menos pelo Palácio do Planalto. Quem acredita que a Presidenta tem atuado nos bastidores nessa questão só pode ser ingênuo ou acha que Dilma é a ingênua da história. Esse boato nada mais é do que uma nova tentativa de colocar o PMDB contra Dilma e atrapalhar o andamento do governo. Isso é tudo que a velha imprensa quer!

Afinal de contas, basta uma parte do PMDB rachar com Dilma para afetar toda relação de forças no Congresso Nacional, atrapalhando, assim, todo governo. É muito óbvio que, sabendo da grande capacidade e força política que Dilma reúne, a imprensa adote a tática de tentar isolá-la. Primeiro tentam distanciar Dilma de Lula, vendendo a idéia de que a Presidenta tem feito um governo totalmente distinto do seu antecessor. Para isso, os jornalões chegam ao ponto de tecer os mais variados elogios a Dilma (não que ela não mereça), mas sempre num contexto depreciativo a Lula. E, agora, a investida se dá também contra a relação do PMDB com o PT e Dilma. Percebam que é um ardil muito bem pensado da grande imprensa, pois afeta exatamente os dois grandes pilares da força política de Dilma: sua relação com Lula e com o PMDB.

Caso consiga afetar esses dois pilares da governabilidade, o terceiro pilar será automaticamente afetado, que é justamente a relação construída entre Dilma e os movimentos sociais. O movimento da grande imprensa é, neste sentido, muito claro: isolar Dilma, afastando-a de Lula e provocando um racha interno na sua base, significa criar barreiras reais para que o seu governo seja bom. O lema da grande imprensa aqui é o “quanto pior, melhor”, pois se Dilma não consegue fazer um bom governo, a oposição vem com força total em 2014, que é exatamente o desejo da velha mídia, como todos sabem. Por incrível que pareça, um movimento tão óbvio da velha imprensa não é enxergado por muitos, que preferem de fato acreditar num boato totalmente desprovido de fundamentos.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Que rumo tomará Kassab?

Após ver frustrada sua tentativa de capitanear uma fusão do DEM com o PMDB, o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab tem se movimentado para trocar sua atual legenda por outra, possivelmente da base aliada de Dilma. Pelo menos esta é a informação que tem repercutido na grande imprensa nos últimos dias: de acordo com jornais como Folha de São Paulo, Estadão e O Globo, Kassab estaria avaliando uma possível troca do DEM pelo PMDB ou ainda pelo PSB. Como o prefeito ainda não deu nenhuma declaração oficial sobre essa possível troca, os boatos ganham ainda mais força.

Por mais que pareça estranho Kassab trocar um partido declaradamente de oposição por um da base governista, a movimentação, se confirmada, não deve causar espanto. Afinal de contas, o prefeito da maior cidade do país procura desde já garantir seu espaço na arena política para futuras disputas eleitorais, como a de 2014. Ora, é fato que se continuar no DEM, Kassab terá chances remotas de sair candidato ao governo do Estado de São Paulo nas próximas eleições (lembrando que em 2012, ele não poderá concorrer à reeleição para a Prefeitura de São Paulo), uma vez que o seu atual partido é aliado quase que natural do PSDB no estado.

Diante dessa constatação, o prefeito tinha duas soluções possíveis: 1) ou quebraria essa “aliança natural” do DEM com o PSDB em São Paulo fundindo sua atual sigla com o PMDB, para aí sim ter condições reais de lançar uma candidatura competitiva à de Geraldo Alckmin (candidato natural à reeleição ao Palácio dos Bandeirantes em 2014) ou 2) deixaria o DEM e ingressaria em um partido onde pudesse construir uma candidatura competitiva. Como a primeira hipótese foi amplamente rejeitada por caciques do DEM, como o ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, e o deputado federal e 1º vice-Presidente da legenda, Ronaldo Caiado, resta a Kassab a 2ª opção.

Ida para o PMDB é hipótese plausível
Neste contexto, os grandes jornais já estão dando como certa a migração do prefeito para o PMDB, que é a segunda maior força da base governista. A hipótese não é tão absurda assim, especialmente se considerarmos o fato de que, com o afastamento de Orestes Quércia da cena política, por conta de problemas de saúde, criou-se uma lacuna no PMDB paulista. E como a arena política é permeada por disputas de espaços, ocupar essa lacuna deixada pelo quercismo em São Paulo parece ser uma movimentação muito interessante para Gilberto Kassab. Nesta altura, o leitor poderia questionar: mas essa lacuna não seria naturalmente ocupada por Michel Temer?

De fato, Temer naturalmente ocuparia (de bom grado, diga-se de passagem) esta lacuna deixada por Quércia, sendo inclusive uma boa oportunidade para reconduzir o PMDB paulista (arredio à postura do PMDB nacional) de volta à base aliada do governo federal. Mas daí, não podemos deixar de lembrar que, como vice-Presidente eleito da República, Temer não é mais uma figura propriamente do PMDB paulista e sim do PMDB nacional. Logo, não convém que gaste seu tempo cuidando de articulações políticas estaduais, ainda que estas sejam em um estado com o peso eleitoral que tem São Paulo. E é aí que está a grande oportunidade de Kassab.

Com Quércia afastado e Temer cuidando de articulações nacionais, o prefeito de São Paulo poderia capitanear um processo de rearticulação política do PMDB paulista. E aí o caminho mais factível seria o de rearticular o partido em São Paulo afastando-o do PSDB, movimento para o qual teria carta branca de Temer. É lógico que não interessa a Kassab que o PMDB continue alinhado ao PSDB no estado de São Paulo: afinal de contas, esse alinhamento poderia colocar tudo a perder no que se refere às suas pretensões de disputar o Palácio dos Bandeirantes em 2014. Por isso, para desespero da ala quercista, a melhor saída seria conduzir o PMDB paulista a uma aproximação com o governo federal.

E há que se ter o cuidado aqui para não se confundir as coisas, como propositalmente tem feito os grandes jornalões. Confirmado um cenário em que tenhamos a migração de Kassab para o PMDB e, feito isto, o protagonismo do prefeito na aproximação do PMDB paulista com a base aliada do governo federal, isto não quer dizer que haja uma aliança de Kassab com o PT em nível estadual. São duas arenas de disputa bastante distintas e, tal como se desenha o cenário atualmente, é muito pouco provável que Kassab, no PMDB, venha se aliar com o PT na sucessão do Palácio dos Bandeirantes. A razão é simples: PT e PMDB disputariam, neste caso, o posto de 2ª força política na arena eleitoral, contra o PSDB.

Como o PT é hoje a 2ª força política no Estado de São Paulo, não interessaria ao partido abrir mão de uma candidatura própria para apoiar uma eventual candidatura de Kassab pelo PMDB ao Palácio dos Bandeirantes em 2014. Dada a atual conjuntura, seria um movimento político muito nonsense. De qualquer forma, nenhuma afirmação pode ser dada como certa, uma vez que a arena política é altamente dinâmica e alterações de conjuntura podem ocorrer em um espaço muito curto de tempo. Neste caso, estamos vislumbrando um cenário consideravelmente longo – são mais quatro anos até as eleições de 2014.

Migração para o PSB é boato infundado
Se uma migração de Kassab para o PMDB parece ser plenamente factível, o mesmo não podemos dizer em relação à transferência do prefeito para o PSB, como alguns jornais têm especulado. A razão é muito simples: ao contrário do PMDB, não há lacuna deixada por lideranças no PSB de São Paulo. O argumento apresentado por alguns de que o governador reeleito de Pernambuco, Eduardo Campos, poderia confiar a Kassab, se este migrasse para o PSB, a rearticulação do partido no Sudeste e Sul é um tanto quanto absurdo. Isto porque o partido tem nomes tão fortes quanto o de Kassab para capitanear este tipo de processo.

Basta lembrarmos do recém-eleito deputado federal Gabriel Chalita, que, apesar de ser “cristão novo” no PSB (Chalita chegou ao partido em 2009, após deixar o PSDB), já tem uma posição de destaque no partido. Nas eleições de outubro deste ano, Chalita foi o segundo deputado federal mais votado em São Paulo, tendo a vantagem de ser um nome que dialoga bem com todas as forças políticas. E além de Chalita, o PSB tem outros nomes muito fortes em São Paulo, como Márcio França e Luíza Erundina. Logo, não faz sentido pensar que Kassab teria algum tipo de protagonismo no PSB paulista, fato que nos leva a descartar por completo a hipótese de migração do prefeito para o partido.

O que se percebe é que cada vez mais torna-se iminente a migração de Kassab do DEM para o PMDB, pois o prefeito não quer perder tempo nem espaço na arena política. Embora as cartas não estejam de todo na mesa, os ruídos de bastidores já permitem concluir qual será o desfecho do jogo! Afinal de contas, seja no carteado ou na política, não parece ser a sorte o elemento decisivo para a vitória, mas sim a estratégia e a racionalidade.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

O "apetite imoderado" do Estadão pela crítica descabida e sem fundamentação

Segundo a Psicanálise, é comum que as pessoas busquem umas nas outras defeitos que enxergam em si mesmas, procurando assim uma forma de não se sentirem inferiores ao resto do mundo. Pois bem, deve ser essa a razão que explique o comportamento do Estadão, que tem procurado sistematicamente, nos últimos dias, encontrar “crises” no processo de composição do novo governo. Tendo sido derrotado nas urnas, já que apoiou o candidato tucano José Serra, o jornal O Estado de São Paulo tem empreendido um esforço hercúleo para tentar desqualificar os trabalhos do governo de transição e da formação da equipe ministerial da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT).

Em um editorial publicado nesta sexta-feira, 12, intitulado “Apetites imoderados”, o jornal insinua uma crise entre PT e PMDB, em torno dos cargos de primeiro escalão, que simplesmente não existe. Segundo o texto, “diante da mesa farta, o que [PT e PMDB] enxergam é a escassez das cadeiras em comparação com o que consideram seus direitos adquiridos nas urnas. Já se estimou que, para acomodar as pretensões petistas, peemedebistas e dos demais sócios da coalizão vencedora, o total de Ministérios deveria aumentar dos atuais 37 para qualquer coisa perto de 50”.

Disputa faz parte do jogo político
A idéia vendida pelo Estadão, em seu editorial, e comungada também por outros setores da grande imprensa, só pode ser explicada por duas razões: total ignorância ou desonestidade intelectual quanto aos procedimentos nos quais está circunscrito o jogo político. Dilma foi eleita não somente pelo PT, partido ao qual pertence, mas também por uma coalizão de partidos que, agora, passadas as eleições, disputam legitimamente seus espaços no novo governo. Que mal há nisso? A disputa de interesses e espaços é o que move a política.

Qualquer tentativa de encarar o jogo político como algo celestial ou puritano é totalmente equivocada! Não se faz política sem a disputa de idéias, posições e também de espaços. Cada grupo procura, neste sentido, construir a sua hegemonia e ampliar sua presença política. Ou será que o Estadão esperava que Dilma anunciasse ditatorialmente quais cargos daria para determinado partido sem que houvesse uma contraposição deste e também dos demais? Se essa era a expectativa do jornal, recomenda-se um curso urgente de ciência política em suas redações!

Assim como o editorial do Estadão, outros jornais, como a Folha de São Paulo, têm tentado recorrentemente tratar a disputa de espaços entre os partidos no novo governo como uma “crise”. Ora, existe uma diferença muito grande entre disputa e crise. Como dito anteriormente, a disputa está no centro da política. É a disputa que gera o debate, o entendimento e, posteriormente, o consenso. O fato de PT, PMDB e demais partidos que compuseram a coligação vitoriosa de Dilma pleitearem maiores espaços junto ao novo governo não significa dizer que existe uma crise instaurada. Muito pelo contrário, a crise existiria se não houvesse essa disputa.

Afinal de contas, a ausência de disputa poderia sugerir duas coisas: que um pequeno grupo estaria centralizando todas as decisões sem que houvesse discussão prévia com os demais partidos que ajudaram a eleger Dilma ou então que esses partidos estariam desinteressados em compor o novo governo. O que este texto pretende sublinhar é que os movimentos feitos por PT e PMDB, os dois maiores partidos da base governista, são totalmente legítimos e característicos do jogo democrático, não se tratando de um “apetite imoderado” por cargos, como insinua o Estadão.

Aliás, é bom que se diga que é o jornal quem parece possuir um “apetite imoderado” pela crítica ao governo Dilma sem sequer tomar o cuidado de apresentar uma fundamentação consistente. A fome do Estadão pela crítica descabida à nova Presidente é tanta que o jornal lança mão, em seus editoriais, dos argumentos mais estapafúrdios. Uma coisa é certa: “nunca antes na História desse país”, setores da grande imprensa basearam-se em argumentos tão desqualificados para tentar atacar um governo!

sábado, 12 de junho de 2010

Dilma e as alianças para vencer de novo com a força do povo



Uma aliança para vencer de novo com a força do povo: essa sem dúvida é a melhor definição do amplo leque de apoios em torno da candidatura da petista Dilma Rousseff à Presidência da República. Neste sábado, 12, foi a vez do PDT e do PMDB realizarem suas convenções nacionais e oficializarem o apoio à Dilma, compondo uma aliança que dá à candidatura governista uma grande vantagem no tempo destinado à propaganda partidária na TV e também amplos e fortes palanques estaduais. Na convenção do PMDB, ocorrida em Brasília, além do apoio à candidatura petista, foi também oficializado o nome do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para vice de Dilma.

Em seu discurso durante a convenção do PMDB, Dilma destacou que “a nossa parceria vem de longe, como as nossas lutas vem de longe. Vem da resistência democrática, o combate à opressão, onde forjamos o compromisso inabalável com a justiça social. Era um tempo em que muitos de nós amargamos o exílio, as prisões, as perseguições. Um tempo que não se pode contar sem reverenciar grandes líderes do PMDB como Ulisses Guimarães”. Sobre a homologação de Michel Temer para seu vice, a petista declarou “o Michel Temer sintetiza a força democrática do partido que ajudou a construir, que teve o privilégio de presidir com sabedoria e equilíbrio. Ele sabe ouvir e acolher a divergência”.


Dilma relembra líderes trabalhistas em convenção do PDT
Contudo, o momento mais emocionante do sábado ficou por conta da participação de Dilma na convenção do PDT, em São Paulo. Sendo ovacionada pela platéia do partido que ajudou a fundar, em 1980, Dilma destacou em seu discurso os avanços do governo Lula e aproveitou a oportunidade para homenagear alguns líderes do trabalhismo brasileiro, que através de suas idéias e ações lançaram as bases para experiências bem sucedidas ao longo destes anos no sentido da redução da desigualdade social no país e da defesa dos interesses nacionais. Abaixo reproduzimos uma parte do discurso de Dilma, quando ela fala dos trabalhistas ilustres e destaca a importância dessa aliança entre PDT e PT:

“E hoje eu quero fazer uma saudação especial a alguns dos grandes trabalhistas, que nos deixaram, mas marcaram de forma indelével a história de nosso país e também a nossa história e as nossas consciências. Refiro-me primeiro ao grande Darcy Ribeiro, o nosso querido Darcy Ribeiro, que foi, sobretudo, um construtor da nossa brasilidade, que nós poderíamos até mudar o nome e chamar de ‘Darcy Ribeiro do Brasil’ e estaríamos fazendo até mais justiça a esse grande lutador. Ele teve momentos de imensa lucidez política, mas também era um realizador. Ele fundou a Universidade Nacional de Brasília, transformando a Universidade de Brasília numa das referências do país. Ele também levou à prática do projeto pedagógico revolucionário dos centros integrados de educação pública – os Cieps – sob a liderança do nosso inesquecível ex-governador Leonel Brizola. Ele fez muito pela educação, pela cultura e por tudo aquilo que caracteriza a nossa alma de brasileiros. Eu queria aqui aproveitar e lembrar algumas passagens do saudoso Darcy Ribeiro.

Quando ele recebeu o título de doutor em Paris, ele disse o seguinte, mais do que nunca atual: ‘sou um homem de causas. Vivi sempre pregando, lutando, como um cruzado pelas causas que comovem. Elas são muitas, são demais: é a salvação dos índios, a escolarização das crianças, a reforma agrária, o socialismo e a liberdade, a universidade necessária. Na verdade, somei mais fracassos que vitórias em minhas lutas, mas isso não importa; horrível seria para mim ter ficado ao lado daqueles que me venceram nessas lutas’. Nós hoje estamos realizando as esperanças e as lutas do querido Darcy Ribeiro. Por isso essa homenagem é mais que necessária. Ele sempre foi uma pessoa que refletia um aspecto de nosso povo: ele era um homem desaforado e atrevido. Fugiu do hospital, não se conformava em ficar deitado no leito. E disse mais uma coisa muito importante: ‘Coragem, mais vale errar se arrebentando, do que se preparar para nada. O único clamor da vida é por mais vida bem vivida’. Essa é aqui e agora a nossa parte: uma vida bem vivida. Era um homem de luta, como vocês são, como nós somos – homens e mulheres de luta.

Eu não podia deixar de aqui mencionar o grande brasileiro que está presente nas tradições do trabalhismo. Eu estou me referindo a Getúlio Vargas. Ele deu uma grande contribuição para a construção do Brasil moderno. Ele está vivo na história e na memória do país, enquanto aqueles que o conduziram à morte se perderam no esquecimento da história. Já houve quem dissesse que era necessário virar a página do getulismo. Já houve quem dissesse que o getulismo não devia ser olhado nem observado no que se refere à história. Não se vira a página de quem nos deixou a Petrobras, o BNDES, o salário mínimo e a proteção aos trabalhadores. O meu querido Brizola Neto citou uma frase aqui que é a frase que expressa na verdade o amor de Getúlio pelo seu povo: ‘Esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém’, uma frase da carta-testamento. Vargas construiu, sem dúvida, uma parte dos alicerces sobre os quais se fundam o Brasil moderno. Sob a liderança do presidente Lula, nós também estamos construindo uma nação democrática, rica, soberana e socialmente justa, que era tudo aquilo que ele defendeu.

Queria também me referir a esse extraordinário democrata, o presidente João Goulart. Queria me referir a ele porque ele propunha uma coisa muito atual: o progresso com justiça e o desenvolvimento com mais igualdade. É isso que é o nosso novo modelo de crescimento – desenvolvimento com distribuição de renda, desenvolvimento para melhorar a vida do nosso povo. Esse traço fantástico do João Goulart, que era buscar o consenso, que era ser um homem do diálogo e que era ser um homem democrata, um democrata que infelizmente foi afastado do poder do Brasil e que em que pese não tenha conseguido realizar suas reformas de base. Essas reformas de base mais do que nunca são uma necessidade em nosso país, e nós estamos hoje as levando à frente. E aqui eu faço um parêntese para dizer a vocês que o Brasil hoje caminha aceleradamente para se transformar num dos países mais desenvolvidos do mundo, mas nós só chegaremos a isso não somente por conquistas econômicas, mas sobretudo se o nosso povo for capaz de sair das condições de pobreza e se elevar cada vez mais, como está ocorrendo no governo do presidente Lula, a um povo com qualidade de vida, emprego, trabalho e oportunidade.

Eu falo isso para introduzir também nessa atualidade o grande brasileiro que foi Leonel de Moura Brizola. Ele foi um homem que lutou para tirar o golpe de 64, mas a história cria muitas ironias. Ele, que foi afastado e perseguido pelo golpe, voltou ao Brasil e se tornou uma das pessoas que ajudou a consolidar a democracia e afastar os fantasmas do golpe. As características do Brizola todos vocês conhecem, mas eu vou sintetizar em poucas palavras. Ele sempre defendeu o interesse nacional e sempre considerou que a causa da educação era fundamental para emancipação definitiva do nosso povo. E é pela atualidade das duas questões que nós hoje podemos dizer que somos a continuidade desse processo e realizamos, com essa aliança, PDT e PT, o anseio por mais soberania nesse país. Olha aí a nossa política externa, olha com que cabeça erguida nós hoje nos relacionamos com o mundo. Ao mesmo tempo, nós temos sistematicamente mudado as condições e procurado construir no Brasil uma educação de qualidade. Educação de qualidade que só se constrói se a gente respeitar os professores.

Eu queria lembrar uma frase do Brizola quando chamou para luta pela legalidade: ele disse que ia para a luta pela legalidade com a força do povo. Outra situação histórica coincidente, porque em 2006 o presidente Lula cunhou a frase de sua campanha dizendo: ‘É Lula de novo com a força do povo’. É justamente essa força do povo, é justamente isso que nós hoje aqui estamos nos comprometendo com ela. É essa força que vai permitir que nós façamos o governo mais avançado da nossa história, um governo para todos os brasileiros, homens e mulheres, crianças e idosos. Um governo para todos, porque na campanha eleitoral a gente mostra projeto; na campanha eleitoral a gente debate e discute; na campanha eleitoral a gente diverge e fala a verdade, porque é fundamental que o povo seja esclarecido. Mas na hora de governar nós governamos para todos os brasileiros, para cada um dos brasileiros. Nós jamais discriminamos ninguém. Os verdadeiros democratas, aqueles que são comprometidos com o povo, somos nós. Mas eu queria terminar dizendo para vocês que eu tenho muita alegria de estar aqui hoje, de receber esse apoio de vocês, sobretudo de mais uma vez registrar essa aliança entre o PDT e o PT. Essa aliança que nós temos a certeza que vai vencer de novo com a força do povo!”

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Serra e o indigesto pão de queijo

Fazendo-se uso da matemática eleitoral para avaliar os cenários regionais da disputa presidencial deste ano, podemos inferir que, mantido o atual quadro, os estados de Minas Gerais e Rio de Janeiro caminham para serem os “fiéis da balança”. Isto porque, de acordo com a mais recente pesquisa do Ibope, divulgada no sábado, 5, a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, lidera nas regiões Nordeste e Norte, enquanto o tucano José Serra mantém a liderança no Sul e Sudeste. Contudo, no Sudeste a vantagem de Serra vem caindo, especialmente pelo forte crescimento da petista no Rio de Janeiro e em Minas Gerais.

Juntos, o Nordeste e Norte/Centro-Oeste agregam 41,4% do eleitorado brasileiro, ao passo que o estado de São Paulo somado com o Sul (regiões onde Serra tem ampla vantagem) representa 38%, equilibrando, assim, as vantagens regionais de um e outro candidato, já que a ligeira diferença na balança equivale exatamente à margem de erro das pesquisas. Ou seja: no Nordeste + Norte/Centro-Oeste Dilma tem vantagem de 33 pontos percentuais sobre Serra, a mesma vantagem que o tucano tem sobre a petista na soma das intenções de voto do Sul com São Paulo, segundo o Ibope, o que explica as atenções dos pré-candidatos cada vez mais voltadas para os palanques de Minas e Rio.

Com a recente disparada de Dilma no Rio de Janeiro, que abriu 17 pontos percentuais de vantagem sobre Serra, Minas passa a ser o estado onde o tucano deposita suas últimas esperanças de recuperar a vantagem inicial na corrida presidencial. A expectativa dos tucanos era de que o estado, até dois meses atrás, comandado pelo correligionário de Serra, Aécio Neves, conseguisse reverter a balança eleitoral de forma a beneficiar a candidatura nacional do PSDB, transformando a elevada aprovação de Aécio entre o eleitorado mineiro em votos para o ex-governador de São Paulo. Contudo, não é esse o movimento que tem sido verificado no estado, o que tem preocupado bastante a campanha de Serra.

Parte da base aecista resiste em apoiar Serra
De acordo com uma reportagem publicada nesta segunda-feira, 7, pela Folha de São Paulo, cerca de um terço da base de apoio a Aécio está relutando em apoiar também a candidatura de José Serra, o que representa um número muito elevado especialmente para um estado considerado por todos os lados como decisivo para a disputa presidencial. Neste sentido, a Folha revela que dos 853 prefeitos de Minas Gerais, 286 são dos três principais partidos que compõem a base de apoio a José Serra: PSDB, DEM e PPS. Ou seja: em tese, o tucano contaria com o apoio de pelo menos um terço dos prefeitos mineiros, um número muito bom já que pode ser ampliado mediante alianças regionais.

Mas as coisas não estão favoráveis a esta conta, pelo menos de acordo com a reportagem da Folha. Desses 286 prefeitos potencialmente da base de apoio a Serra, 79 ainda não se decidiram se irão apoiar ou não o tucano, o que reduz o percentual de apoio efetivo à candidatura nacional da oposição para 24,2% dos prefeitos mineiros. O jornal apura que uma parcela desses prefeitos já se decidiu e irá apoiar a candidatura de Dilma, o que provoca um desespero ainda maior no ninho tucano. A explicação para esta “mudança de lado” é uma resultante de três fatores principais: um sentimento de gratidão desses prefeitos em relação aos repasses feitos pelo governo Lula, um certo ressentimento por Aécio ter sido preterido na disputa presidencial em favor de Serra e principalmente uma não-identificação com o estilo pessoal do ex-governador de São Paulo.

Alguns prefeitos mineiros, como Odilon Oliveira (PSDB), de Oratório, chegaram a declarar à Folha que o próprio Aécio não está empenhado localmente para a eleição de Serra: “Pelo que sei Aécio apóia Serra, mas é assim tanto”, declarou o prefeito da cidade mineira segundo a reportagem. O que é interessante notar aqui é que essa resistência por parte da base aecista para apoiar Serra já vinha sendo esperada por muitos analistas políticos desde o final do ano passado, quando Aécio Neves retirou-se da disputa interna no PSDB para a indicação do candidato do Partido à Presidência da República. Segundo cientistas políticos naquela época, a saída de Aécio do páreo em benefício a Serra alimentaria um sentimento de “inconformismo” nos mineiros em relação aos paulistas.

Neste sentido, tal desfecho remonta ao episódio da sucessão presidencial de 1930, quando o então presidente Washington Luis (paulista), ao invés de indicar o mineiro Antônio Carlos (como era de costume na República Velha), preferiu indicar outro paulista, Júlio Prestes, para a presidência da República, o que acabou provocando uma crise que culminou no fim da chamada “Política do Café com Leite”. Esse sentimento de “ser preterido em benefício a um paulista” de certa forma alimenta se não uma rivalidade, ao menos o que se pode chamar de tensão potencial entre os dois estados, até os dias de hoje. E o movimento feito por parte da base de apoio a Aécio só corrobora esta tese, o que tende a ser muito prejudicial para a pré-candidatura de Serra.

Desafios também no campo governista
Mas se as coisas andam complicadas para o lado de Serra, não estão muito mais favoráveis também para o campo governista em Minas. Isto porque o PT de Minas tem dado certa dor de cabeça à coordenação da campanha de Dilma, por insistir em lançar candidato próprio ao Palácio da Liberdade ao invés de ceder espaço para que o ex-ministro das Telecomunicações, Hélio Costa (PMDB), seja o candidato ao governo, como quer o presidente Lula e a Direção Nacional do PT. Um impasse dessa natureza não é proveitoso em nenhuma situação, muito menos quando ocorre em um estado decisivo para a disputa como é o caso de Minas Gerais. Uma ruptura da aliança PT-PMDB em Minas poderia ser bastante prejudicial para a candidatura de Dilma, fato que tem preocupado muito também a coordenação petista.

É importante salientar que o PMDB possui 120 prefeitos em Minas Gerais, enquanto o PT tem 108. Juntos, portanto, PT e PMDB alcançam 228 prefeituras no estado e que pode ser ampliado ainda mais se admitirmos as alianças regionais pró-Dilma (com partidos como PR, PCdoB, PSB, que já estão na base de apoio nacional) e a soma dos 79 prefeitos da coligação oposicionista que estão relutantes em apoiar Serra. Se considerarmos a adesão de 50 destes 79 prefeitos à campanha de Dilma, a conta ficaria da seguinte maneira: 278 prefeitos apoiando a petista contra 236 apoiando o tucano, não se considerando aqui a aliança com outros partidos, que tende ser benéfica a Dilma.

O que se vê, portanto, é que Minas caminha para um cenário de ampliação do favoritismo de Dilma, desde que equacionada a questão entre PT e PMDB no estado. Do lado de Serra, contudo, o cenário não é dos melhores, pois a esperada resistência do núcleo aecista à pré-candidatura do ex-governador de São Paulo tem sido confirmada. Ao que tudo indica, assim como em 1930, quando a reação de Minas inviabilizou a eleição do paulista Júlio Prestes para a Presidência da República, na disputa desse ano o comportamento do eleitorado mineiro tende novamente a ser decisivo. Entre a pré-candidata de um governo altamente bem avaliado e que, além de tudo é mineira, e o pré-candidato paulista, ao que tudo indica os mineiros ficarão com a primeira opção.

Considerações importantes:
01)É preciso atentar que Minas deve ser o fiel da balança se mantido o atual quadro de equivalência das vantagens de Dilma no Nordeste e Norte/Centro-Oeste e de Serra em São Paulo e no Sul. Qualquer movimento de abertura de vantagem relativa por um dos dois pré-candidatos desloca a centralidade da disputa em Minas Gerais. Por exemplo, a vantagem de Dilma no Nordeste, Norte e Centro-Oeste se torna superior à de Serra em São Paulo e Sul, a petista tem maiores chances de vitória mantido o cenário de empate em Minas e essa mesma lógica, aplicada o lado de Serra, também é verdadeira.

02) Pouco tempo depois da publicação deste texto, as cúpulas do PT e do PMDB mineiros chegaram a um acordo e definiram que o candidato único governista ao Estado será Hélio Costa, sendo o petista Fernando Pimentel candidato ao Senado. É possível também que o PT indique o nome do vice de Hélio Costa, devendo ser Patrus Ananias (que disputou as prévias com Pimentel) ou o deputado federal Virgílio Guimarães. A solução consensual entre PT e PMDB em Minas amplia ainda mais o cenário favorável a Dilma no Estado, como explicado no texto acima.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Petiscos do dia - 18 de maio



Dilma se reunirá com prefeitos do PT nesta noite: a pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, terá um encontro com prefeitos e prefeitas do PT e de partidos aliados na noite desta terça-feira, 18, em Brasília. A reunião ocorrerá paralelamente à 23ª Marcha a Brasília de Prefeitos/As, que ocorre na capital federal desde segunda-feira e vai até a quarta-feira (19). Na pauta estarão temas como a estratégia do movimento municipalista na Marcha e as expectativas para as eleições 2010.

De acordo com o secretário nacional de Assuntos Institucionais do PT, Geraldo Magela, “o encontro terá como foco debater a intervenção de nossos prefeitos na Marcha, articular uma proposta que dialogue com os partidos aliados no sentido de garantirmos uma melhor interlocução nos espaços de discussão, além de estimular o debate em torno da participação dos prefeitos/as na campanha presidencial da companheira Dilma Rousseff”.

Vox Populi mostra Dilma na frente em PE e BA: o instituto Vox Populi divulgou na noite de segunda-feira, 17, pesquisas para os estados de Pernambuco e Bahia, tanto com relação às disputas locais quanto à disputa presidencial. Em Pernambuco, a Vox Populi mostrou que 54% dos entrevistados no estado declaram voto em Dilma, enquanto Serra aparece com 26% das intenções de voto dos pernambucanos. O levantamento também revela que 63% dos pernambucanos declaram que irão votar com certeza no candidato apoiado pelo presidente Lula.

Na Bahia, a pré-candidata do PT também aparece na dianteira, com 43% das intenções de voto, contra 33% de Serra. Vale destacar que na Bahia foram ouvidas 700 pessoas, enquanto em Pernambuco foram feitas 1000 entrevistas. De acordo com o Instituto Vox Populi, a margem de erro dos levantamentos na Bahia e Pernambuco, são, respectivamente, 3,6 e 3,1 pontos percentuais.

PMDB confirma indicação de Temer para vice de Dilma: a Executiva do PMDB, principal partido da base aliada do governo Lula, aprovou por unanimidade, em reunião nesta terça-feira, 18, a indicação do nome do presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, para compor a chapa governista como vice da pré-candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff. A decisão já era amplamente esperada por todos, especialmente após os últimos dias com a forte aproximação entre Dilma e Temer.

O presidente da Câmara declarou, após sua indicação, “estou muito orgulhoso da decisão do partido de me indicar. Claro que fico muito entusiasmado com essa hipótese, mas com muita cautela. Vamos unir o PMDB para levar a uma campanha naturalmente vitoriosa”. Temer deverá se encontrar com a ex-ministra na próxima quinta-feira, 20, durante uma viagem a Nova York, nos Estados Unidos. A executiva do PMDB também oficializou na sua reunião desta terça-feira a data de 12 de junho para a realização da sua convenção nacional.

A decisão da Executiva do PMDB, contudo, não foi bem recebida pela ala paulista do partido ligada ao ex-governador Orestes Quércia, que apóia a candidatura do tucano José Serra à presidência da República. De acordo com Quércia, “já esperávamos por isso. Mas não significa dizer que está definido na convenção. A convenção pode mudar tudo”, referindo-se a pendências que ainda não foram resolvidas entre PT e PMDB, como no caso dos palanques estaduais de Minas e Pará. Quércia destacou: “tem um processo em andamento para que o partido não apoie ninguém”.

Serra defende privatizações feitas no governo FHC: cumprindo agenda no Ceará deste segunda-feira, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, participou nesta terça-feira, 18, de uma palestra promovida pelo jornal “O Povo”, de Fortaleza. Durante o evento, o tucano defendeu o processo de privatizações promovido ao longo do governo FHC e ainda declarou que o PT é “duas caras”. Vale lembrar que durante o primeiro mandato de FHC, quando ocorreram as privatizações da Vale e do sistema Telebrás, Serra estava à frente do Ministério do Planejamento.

“Fui co-responsável pelo programa de privatização para repassar para a área privada atividades típicas da área privada. Nunca condenei o passado. Não tem sentido o Estado fabricar aço ou menos telecomunicações”, declarou o ex-governador de São Paulo. Serra prometeu ainda, durante a palestra, que se for eleito, criará um Conselho de Desenvolvimento Regional, com o propósito de traçar políticas públicas de desenvolvimento para a região Nordeste.

“O Brasil até hoje não tem um plano nacional regional”, disse o tucano. “Minha ideia é criar um conselho de desenvolvimento regional ligado à presidência. Farei concreto, para funcionar e ser respeitado”, afirmou o ex-governador paulista. Procurando rebater a idéia de que Serra não se identifica com o nordeste, seu correligionário, senador Tasso Jereissati, afirmou que é a mito a história de que ele é inimigo do Nordeste. “Foi do Ministério do Planejamento que saíram as primeiras ordens de serviços para obras como o açude do Castanhão e o metrô de Fortaleza”, afirmou Tasso.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Vox Populi confirma favoritismo de Cabral na disputa pelo governo do Rio



A candidatura do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), à reeleição ao Palácio Guanabara vem ganhando mais força e acenando para um favoritismo em relação aos concorrentes. Pesquisa Vox Populi divulgada nesta sexta-feira, 26, mostra que Cabral lidera, com 38% das intenções de voto. Em relação à pesquisa feita em janeiro deste ano, o governador do Rio permanece inalterado em sua intenção de votos.

O ex-governador Anthony Garotinho (PR) figura em segundo lugar, com 20% das intenções de voto, tecnicamente empatado com o candidato Fernando Gabeira (PV), que tem 18%. As intenções de voto de Garotinho e Gabeira também ficaram inalteradas em relação ao levantamento feito no início deste ano. De acordo com a pesquisa, 15% dos entrevistados declaram voto branco ou nulo, enquanto 9% não souberam ou não quiseram opinar.

Cabral lidera também no 2º turno
Nas simulações de segundo turno, Cabral também tem o melhor desempenho. Em um eventual segundo turno com Garotinho, Cabral tem 45% das intenções de voto, contra 24% do ex-governador. Neste cenário, 21% dos entrevistados declararam voto em branco ou nulo, enquanto 10% não souberam ou não quiseram opinar.

Caso o confronto seja entre Cabral e Gabeira, o desempenho do atual governador fica ainda melhor, atingindo 50% das intenções de voto, contra 21% do candidato verde. O índice de votos brancos e nulos neste cenário é de 19%, contra 10% dos entrevistados que não souberam ou não quiseram opinar.

A situação de Sérgio Cabral fica melhor ainda quando analisamos os índices de rejeição. Neste campo, o governador possui a menor rejeição dentre todos os candidatos, com 9%. No outro extremo, com a maior rejeição, encontra-se o ex-governador Anthony Garotinho, com 32%, enquanto Gabeira aparece com 22% dos entrevistados declarando que não votariam nele de jeito nenhum.

Fortalecimento da candidatura governista
Os números do Vox Populi mostram que a candidatura de Sérgio Cabral à reeleição, apoiada pelo presidente Lula, vem se mantendo como favorita na disputa pelo Palácio Guanabara. Além de ser uma boa notícia para Cabral, a notícia também é excelente para o Planalto, já que Cabral será o principal palanque de Dilma no Rio de Janeiro.

Vale lembrar que a ministra também contará com o apoio do ex-governador Anthony Garotinho: ou seja, a candidatura governista ao Planalto possui os dois mais fortes palanques no Estado do Rio. Em contrapartida, os números não são nada bons para a oposição, já que a candidatura de Gabeira, apoiada pelo coalização demo-tucana, de José Serra, não decola.

O Estado do Rio é o terceiro maior colégio eleitoral do país, ficando atrás apenas de São Paulo e Minas Gerais, e por isso tem um impacto considerável na disputa nacional. Sobre a pesquisa, o Vox Populi entrevistou 1000 pessoas, tanto na capital quanto em 29 municípios da região metropolitana e interior, entre os dias 20 e 22 de março. A margem de erro dessa pesquisa é de 3,1 pontos percentuais.

quarta-feira, 24 de março de 2010

Eleições 2010: oposição deve perder cadeiras no Senado, projeta Diap



Além do cenário nada favorável na disputa presidencial deste ano, PSDB e DEM podem amargar derrotas também na disputa pelas vagas do Senado. Essa é a análise do diretor do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Antonio Augusto de Queiroz. A Casa, composta por 81 senadores, renovará, esse ano, 2/3 dos mandatos, o que representa 54 cadeiras.

Segundo os cálculos do diretor do Diap, dessas 54 vagas que estarão na disputa, 14 ou 15 devem ser conseguidas por senadores que tentarão a reeleição, um patamar idêntico àquele registrado em 2002. Na disputa pelas demais vagas, os partidos governistas devem ser os grandes beneficiados, já que a segundo Queiroz, “a oposição é naturalmente prejudicada em uma disputa como essa, pela perda de interlocução que teve com o poder central há oito anos e que só será sentida agora”.

Alianças nos Estados devem ampliar bancada petista
Na avaliação do Diap, o melhor desempenho nas eleições para o Senado este ano deve ficar com o PT. Isto porque o Partido adotou uma tática de não priorizar as eleições estaduais, abrindo mão das candidaturas próprias em favor das candidaturas de partidos aliados, em Estados onde estes têm maior chance de vencer a disputa. Com isso, o PT deve passar de 11 senadores, na atual configuração, para um patamar entre 13 e 15 senadores.

Esse crescimento da bancada petista, segundo Queiroz, deve ocorrer principalmente em estados do Nordeste, como Pernambuco e Ceará, no Paraná e também no Sudeste, especialmente no Rio de Janeiro e Espírito Santo. Já em São Paulo, a disputa tende a ser bastante acirrada, na opinião do diretor do Diap, com a ex-prefeita Marta Suplicy (PT) e Orestes Quércia (PMDB) sendo os favoritos para ocupar as vagas que hoje são de Aloízio Mercadante (que será candidato ao governo do Estado) e Romeu Tuma (PTB).

No caso do PMDB, o Diap acredita que o partido deverá manter-se com o mesmo número de cadeiras no Senado, sem grandes alterações. Isso se deve ao fato do partido renovar 14 das 17 cadeiras que possui atualmente e ter boa parte de sua bancada composta por suplentes.

Situação nada confortável para a oposição
Por outro lado, os tucanos tendem a perder 5 cadeiras no Senado, de acordo com Queiroz, passando das atuais 14 para 9, enquanto o DEM deve registrar queda na sua bancada também, para 9 ou 8 cadeiras. De acordo com as projeções do Diap, os senadores da oposição que se encontram em situação mais animadora são Heráclito Fortes (DEM-PI), Demóstenes Torres (DEM-GO) e Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Caso o atual governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), seja de fato candidato ao Senado, o Diap avalia que ele deverá ter uma votação bem elevada, mas que pode ser impactada se a candidatura do atual vice-presidente José Alencar (PRB) se confirmar para o Senado. Pelo visto, a eleição presidencial não deve ser o único motivo de preocupação para a oposição, já que as expectativas do Diap são bem realistas e apontam para um recuo da bancada oposicionista também no Senado.